segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O deus Lugh, o Lughnasad, Lugo e a Bandeira do Reino




Por José Manuel Barbosa

A comemoração do Lughnasad no antigo mundo celta coincidente com o antigo 1 de agosto -hoje 11 de agosto pela modificação do calendário juliano para o gregoriano-, traz-nos à mente um elemento a comentar que não é de pouca importância.

Moeda comemorativa da coroação como deus Lugh do Imperador Augusto em Lugdunum, atual Lyon, na região do Ródano-Alpes (Ocitânia)

Na foto que apresentamos aqui, aparece a moeda comemorativa da entronização de Augusto na floresta de Lugh em LUGDUNUM, na Gália.

No Festival do Lughnasad do ano 12 a.C, o Druso,  filho adoptivo do Augusto e no lugar onde a confederação de povos gauleses situavam o santuário sagrado de todas as Gálias com o nome de Lugdunum, construiu a que será chamada a Ara Augusti que representa o Imperador romano fazendo-se coroar ante a multidão assistente como o deus celta Lugh. O acontecimento materializa o pacto do governo dos Gauleses com o Imperador. Existem diversas referências numismáticas do acontecimento e em todas elas, aparece no anverso a figura do Augusto como filho do Júlio César, pai da pátria e conquistador da Gália  sobre o texto: "CAESAR AVGVSTVS - DIVI F PATER PATRIAE" . . . . . . . . . .  (Augusto, Filho do Divino Pai da Pátria (é coroado no Altar de Lugh). É o ano de 12 a.C. No reverso o altar onde as oferendas e ritual se celebraram com duas colunas a ambos os lados e o texto: "ROM ET AVG"

Aliás, perto de Lugdunum, no território da tribo dos Voconcios, estava situado o santuário existente desde antes da conquista romana chamado com o nome de Floresta de Lugh. Na celebração e com habilidade política não isenta de espírito imperialista, faz que se mude o nome tradicional da fraga pelo de LUCUS AUGUSTI, quer dizer, Floresta (sagrada) de Augusto. A dia de hoje esse lugar leva por nome Luc en Diois na região de Ródano-Alpes.
Moeda comemorativa da coroação como Pontifex Máximus do Imperador Augusto em Lucus Augusti, atual Lugo, capital do Conventus Juridicus Lucensis e uma das três cidades mais importantes da Gallaecia romana.

Esta outra foto representa a moeda comemorativa da Sacramentum do Imperador Augusto na Floresta de Lugh em LUCUS AUGUSTI, na nossa Gallaecia.

Paulo Fábio Máximo por ordem do Augusto, concretiza com os povos galaicos o Sacramentum (Juramento Sagrado) que estabelece o pacto do seu relacionamento futuro. 
No Pacto, estabelece que doravante os galaicos deverão ser fieis a Roma que deverão estar em paz constante, terão de habitar as cidades e acampamentos designados pelos romanos longe das alturas dos seus castros fortificados e que neles estarão o Conselho de cada uma das novas localidades destinadas a albergar a todos os povos da velha Kalláikia, agora Gallaecia. Uma dessas cidades há de ser a capital de entre todas e nas regiões do Norte há de ser aquela onde o Augusto sela esse Sacramentum (Juramento Sagrado) com os nativos no altar da Floresta de Lugh em 12 a.C. Daí em adiante ele vai-se fazer chamar com o nome de Pontifex Maximus, como aparece no reverso da moeda comemorativa, de igual maneira do que a outra de Lugdunum. Nesse reverso aparece o texto completo dizendo: "CAESAR PONT MAX" . . . . . . . . . . . . . . . . . . " (Augusto, Pontífice Máximo, (sela o Sacramentum em Lucus Augusti)). Também do ano 12 a.C. O altar onde se levou a cabo a oferenda sagrada a Roma e ao Imperador Augusto aparece igualmente no anverso com o mesmo texto do que a moeda de Lugdunum. Nele diz também: "ROM ET AVG"
Reprodução do altar onde se fizeram as oferendas perante a proclamação do Imperador Augusto como Lugh em Lugdunum e como Pontifex Maximus em Lucus Augusti nas Florestas Sagradas de Lugh de ambas as cidades gaulesa e galaica.
Nesta terceira foto aparece uma reprodução de como seria o altar onde se fizeram os Sacramenta em ambos os casos com probabilidade situados os dous nas Florestas Sagradas de Lugh, no Lugdunum/Lyon ocitano e no Lucus Augusti/Lugo galaico, não sabemos se talvez antes também denominado Lugdunum, Lugbriga ou algo parecido...



A cidade de Lugo foi cristianizada da mesma forma do que todo ocidente e a ideia do Sacramentum foi herdado pela Igreja Católica continuando na tradição romana, até o ponto de ser um símbolo da cidade. 
Sacramento da Igreja de Lugo que nos lembra na estética às romanas.
É a quarta foto na que aparece a Custódia do Sacramento da Catedral de Lugo cuja feição lembra o altar exposto para o Sacramentum nas moedas do Imperador Augusto. A importância dada pela igreja é herdado daquele poder romano do qual deriva e portanto também desde Roma lhe vem o privilégio do Papa para ser exposto publica e permanentemente assim como para ser levado em procissão.
Escudo do Reino de Galiza do Armorial Segar de Inglaterra do ano c 1282
O Cálice e a Hóstia sediados no Sacramento de Lugo foram transladados ao escudo da cidade como símbolos representativos da mesma e em consequência originaram do Escudo de Armas da Galiza a partir do século XIII.
Escudo do Reino de Galiza usado durante o século XVI
Daí em adiante e até o ano 1833 o escudo de armas e o símbolo vexilológico da Galiza foi representado até essas datas por uma bandeira na que o graal ou cálice ao lado da Hóstia, posteriormente acrescentada, conformaram uma simbologia histórica. 
Bandeira Galega histórica dos armoriais europeus desde o século XIII até o XIX

É por isso que consideramos que na História da simbologia do Nosso País a ancestralidade do velho deus celta Lugh e da sua festividade, o Lughnasadh a celebrar durante o mês de agosto, marcam a personalidade do nosso Escudo Nacional e da Bandeira do Reino da Galiza desde o século XIII até o momento em que esse Reino desaparece legalmente em 1833. Só com a recuperação duma realidade institucional a finais dos anos 70 e começos dos 80 do século XX recuperamos oficialmente uma antiga imagem simbolica. A imagem do Graal, ou Cálice, provenientes do Sacramento da Catedral de Lugo, à sua vez herdeiro estético do altar onde se celebrou o Sacramentum (Juramento de fidelidade) no que o Imperador Romano pactua com os galaicos a "Pax Romana" nomeando-se a si próprio, com probabilidade, como Deus Lugh, um dia do Lughnasadh do ano 12 a.C, na Floresta sagrada de Lugh faz esse milagre que funde as raízes do nosso País na mais ancestral tradição identitária céltica.


Deus Lugh




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