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quarta-feira, 20 de março de 2013

A Língua na Idade Moderna



Por José Manuel Barbosa


-Os séculos Obscuros e os Padres Ilustrados na Galiza


Ao quebrar-se a unidade política galego-portuguesa de época medieval, fazem que as políticas linguísticas em ambos os países sejam diferentes. Em Portugal o centro de gravidade político desloca-se do Norte para o Centro-Sul, enquanto na Galiza se desloca para Castela. Em Portugal a nossa língua faz-se língua nacional enquanto na Galiza fica como fala popular despretigiada por um poder castelhano ao que não lhe interessam as necessidades da Galiza.  Os nossos dous países vão apanhar caminhos diferentes afastados por uma fronteira política artificial, incómoda e indesejável; assim as falas  portuguesas sob a influência substrática moçarábiga enriquecem-se com o contacto com outras línguas e o cultivo literário, mas as falas galegas ficam sem cultivo, empobrecidas e deturpadas pela pressão do castelhano que o vulgariza, desprestigia e desrespeita fechando-lhe a possibilidade de se governar a si próprio e de criar uma literatura que lhe dê flor.
 A variante lusitana, enriquece-se com as profundas renovações do Renascimento e do Humanismo que a fornecem dum vocabulário culto e adequado a novos campos léxicos surgidos das necessidades e inventos do momento histórico, do mesmo jeito do que as outras línguas romances; a variante galega fica ruralizada e reduzida a fala coloquial e familiar na que a única literatura existente que há é de tipo popular e oral. O mundo do agro, dos marinheiros e das profissões tradicionais conserva a sua riqueza mas a modernidade não é capaz de chegar ali onde o castelhano começa a ganhar a posição.
 O castelhano passa-se a ser agora a língua de cultura dos galegos, assim como da administração, agindo de superestrato sobre a fala do país e gerando uma situação de diglossia -neste caso exo-diglossia- que leva a uma série de mudanças na língua dos galegos que ao lado das variações expontâneas da própria fala vai criar uma consciência de dependência e de subordinariedade a respeito do castelhano.
 Ao faltar-lhe o modelo escrito, já que o modelo português fica afastado por razões políticas, a fala dialectaliza-se e castelhaniza-se ao ser utilizado o castelhano como modelo formal.
 Diz-nos Manuel Portas que no léxico só se vai conservar em bom uso o pertencente ao âmbito rústico, rural e marinheiro, mas todo o léxico da administração e do mundo espiritual e/ou intelectual não fica desenvolvido suficientemente, desaparece o existente ou é substituído pelo castelhano (1991:57-63).
Na Fonética vão-se produzir algumas deturpações; umas como consequência da própria evolução da língua sem modelo de correção e outras condicionadas pelo espanhol. Todas elas vão determinar a feição da língua dessa época histórica e de épocas posteriores que hão de vir daí em adiante, mas também na grafia acabam por esquecer-se as formas medievais exceto algumas honrosas exceções., Quando se escreve em galego, faz-se com a ortografia do espanhol que mesmo é decalcada das mudanças que a língua de Castela leva a cabo no século XVIII: Formas gráficas como o uso do B e do V, também do Ç e do Z ao jeito galego-portuguesa histórico que até a altura coincidiam com os usos em espanhol deixam de ser usadas quando a RAE (Real Academia Espanhola da Língua) decide mudar os seus usos no castelhano para a forma atual no ano 1726 ao publicar o “Diccionario de Autoridades”. Grafias como o “Que” “Qui” em palavras como “frequente” “aquífero” são deixadas pelo uso do “cue” “cui” (frecuente, acuifero) quando a própria RAE modifica a ortografia do castelhano em 1815.
Mesmo os usos do acento são decalques das formas que a RAE preceitua para o espanhol esquecendo os que adatam para a língua da Galiza a diferente abertura das vogais na língua do país e afastando os usos escritos do resto da lusofonia/galeguia internacional.
 Da mesma forma do que a maioria das línguas da Europa ficam fixadas por gramáticas, na Galiza os estudiosos, linguistas e escritores que puderam ter preocupações relacionadas com o cultivo e correção da língua não vão passar à história pelas suas inquietações corretoras e de fixar normas, nem sequer em muitos casos por usar a língua do país. A imprensa, recém descoberta, não vai trabalhar para a língua dos galegos e só contamos com um pobre Vocabulário do Bacharel Olea no 1536 para além de contributos dos professores da Universidade de Salamanca Fernán Nuñez e Gonzalo Correas cujo fim não é cultivar a língua, mas estudá-la como quem estuda um raro exemplar de ofídio tropical ou os costumes tribais duma tribo da Nova Guiné.
 A maior parte dos textos redigidos na Galiza são editados em latim ou castelhano enquanto a fala do país, praticamente aliterária e acultural fica ágrafa e dialetalizada, pretensamente inútil para a ciência, a arte, a cultura e a religião. Tudo em favor do castelhano. 
 É a consequência das leis das Cortes de Toledo de 1480 que ordenavam o conhecimento obrigatório do castelhano para obter o título de escrivão. Isto vai fazer quase desaparecer a língua dos galegos dos documentos oficiais que junto com outros condicionantes políticos e económicos faz com que o galego-português da Galiza esmoreça pouco a pouco do ponto de vista da escrita, mas não no oral já que o povo mantém a língua como instrumento de uso normal e habitual. Só uma minoria próxima ao poder político usa e mantém o castelhano como a sua língua embora não possa substrair-se à língua do país na que estão inseridos por razões óbvias.
 É em 1768 quando a Real Cédula de Aranjuez obriga a que no ensino se use o castelhano em toda a Monarquia Católica ou Monarquia Hispânica (1). Esta normativa atinge também à Galiza por ser um reino incluído dentro desta Monarquia mas com muitos obstáculos para se impor porque a maioria da população galega está longe do ensino pela sua condição económica camponesa, marinheira e em qualquer caso popular.
 Pelo contrário, os nobres já castelhanizados de antes podem aceder à instrução e portanto à castelhanização maciça embora a sua inclusão no mundo popular galaico não permita que a língua do país lhes seja totalmente alheia. (Portas:1991:54-63)
 O galego-português desta época é maioritariamente falado embora existam textos escritos, sobretudo no período Barroco, breves poesias ou obras de teatro como o “Entremez famoso sobre a pesca do rio Minho” de Gabriel Feijó de Araújo, ou os cantos natalícios, cantigas de cego, de berço, contos, cantos de trabalho, entrudos, regueifas, etc.
 A castelhanização lexical, ortográfica, morfológico-sintáctica e de estilo começa a fazer a sua aparição mas é durante o século XVIII quando a ilustração começa também a fazer o seu trabalho de crítica e reivindicação. São os Padres Ilustrados  que contestam a situação sócio-económica, política, cultural e linguística do país, a situação de marginalização da língua reivindicando uma autoestima necessária. 

 O Padre Feijó, o Padre Sobreira, o Cura de Friume e o Padre Sarmento são os que empregam os seus esforços em reconhecerem a inalterável unidade linguística galego-portuguesa para além de levar a cabo um trabalho de recolha lexical, de criação poética e reivindicação do ensino na língua do país inestimável. Não se pense com isto que a igreja trabalhava em prol da cultura e da língua do país mas pelo contrário. É esta instituição a que contribuiu com mais força para o uso e introdução do castelhano entre o povo e na documentação, mesmo até ao incumprimento do Concílio de Trento de 1562 no que se tivera acordado a utilização das chamadas línguas vernáculas no seu labor pastoral com o objectivo de que no povo se pudesse perceer melhor a mensagem cristã que até essa altura se vinha fazendo em latim. 
 Comentam-nos os professores Carlos Garrido e Carles Riera (2000:17-39) que a igreja galega desatende isso até o ponto de introduzir graves castelhanismos na fala popular como “iglésia”, “pueblo”, “Dios”, etc..

Texto

Respice finem

Morte cruel, esa tredora mañá
de roubar de non cato a humana vida
con que ollos a podeche ver comprida
na santa Reina que hoxe perde España?

Se aquel rancor que te carcome e laña
che tiña a mao, para matar, erguida,
non deras noutra parte esa ferida
donde non fora a lástima tamaña?

Non se torçera aquel fatal costume
i a lei que iguala do morrer na sorte
os altos Reis cos baixos labradores?

Terrible, en fin, é teu poder, oh, Morte!,
pois diante de ti Reis e señores
son néboa, sobra, póo, son vento e fume.

Pedro Vázquez de Neira. Relación de las Exequias de la Reina Doña
Margarita de Austria. 1611.

Texto

Canto Natalício

Ay se nosso Deus galego se faze
Vamos a cantar à choucinha em que nasce
Ay se sua May é de Compostela
Vamos a cantar formosa galega.

Todo Galeguinho toque churumbela
Que o meninho belo é da nossa terra.
Façamos-lhe todos a dança galega
Que está desnudinho, e chora, e trema.

Pois nasce em Galiza à falda da serra,
Galego se faze, é da nossa terra!

Vilancico do ano 1637editado por Carolina Michaelis de Vasconcelos

 

-Unificação da língua em Portugal



No Portugal do século XVIII o florescimento da língua é real e frutífero; a Academia Real das Ciências, fundada no 1779 pelo Duque de Lafões e o abade Correia da Serra trabalha na afixação da língua com o vocabulário Português-Latino em 10 Volumes e o Dicionário de Morais da Silva.

 O estudo da língua leva-se a cabo por personagens como Duarte Nunes de Leão embora a divagação retórica faz com que os resultados práticos venham com o aparecimento do Vocabulário Português feito por Bluteau, precursor do dicionário de Morais da Silva.

 Os contactos com outras línguas e o tratamento culto do português fazem com que haja um aumento dos latinismos e neologismos assim como um grande acréscimo dos galicismos mercê à hegemonia política e cultural francesa nos séculos XVIII e XIX. No entanto, a entrada de formas holandesas, italianas e das línguas nativas dos povos em contacto com os portugueses também se faz sentir fundamente. 
 O pedantismo da época sustenta um marcado purismo e contribui para a recuperação de arcaísmos quinhentistas até que o critério histórico-comparativo senta as bases da literatura tradicional com o que vem nascer o romantismo.

 Já no século XIX, quando o romantismo é o estilo que marca a estética da época, a força de expressão dos grandes vultos da literatura na nossa língua, como Alexandre Herculano, Almeida Garret ou Camilo Castelo Branco abre passagem ao sentimentalismo e à entrada do léxico francês à moda.

 Posteriormente, o realismo é o seguinte  estilo com o qual começa a literatura portuguesa a chegar aos nossos dias junto com o conceito do português contemporâneo. Antero de Quental, Oliveira Martins e Eça de Queiros –neto de galegos-, são os grandes dos fins do XIX começando o século com grandes personagens da literatura, já não só portuguesa, mas universal, como Teixeira de Pascoães, Sá Carneiro ou o grandíssimo Fernando Pessoa –também neto de galegos-.


 Reunem-se em Coimbra no ano de 1927 em torno à revista “Presença” um grupo de literatos dos que há que salientar um de entre todos, o trasmontano Miguel Torga. Torga é um dos mais grandes literatos portugueses do século XX, vinculado afetivamente às terras da Galiza portuguesa do interior e com os olhos e o coração postos nas terras do Norte. Grandes nomes de autores do XX são Ferreira de Castro, Fernando Namora, Gomes Ferreira, Manuel Ferreira, Vergílio Ferreira e Agustina Bessa e Luís. A literatura na nossa língua vai entrando no tempo e fazendo parte da história da literatura universal segundo vai entrando o século das grandes guerras. Grandes literatos, grandes figuras e lento acordar das letras e das consciências na civilização do mar e do granito.



Texto



Liberdade, onde estás? Quem te demora?

Quem faz que o teu influxo em nós não caia?

Porque (triste de mim!) porque não raia

Já na esfera da Lísia a tua aurora?



Da santa redenção é vinda a hora

A esta parte do mundo, que desmaia.

Oh! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia

Despotismo feroz, que nos devora!



Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,

Oculta o pátrio amor, torce a vontade,

E em fingir, por temor, empenha estudo.



Movam nossos grilhões tua piedade;

Nosso númen tu és, e glória, e tudo,

Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!



                                               Rimas. Manuel Maria Hedois Barbosa du Bocage. S. XVIII







Texto



Este inferno de amar –como eu amo!

Quem mo pôs aqui n’alma...Quem foi?

Esta chama que alenta e consome,

Que é a vida –e que a vida destrói-

Como é que se veio a atear,

Quando –ai quando se há-de ela apagar?



Eu não sei, não me lembra; o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez... –foi um sonho-

Em que paz tão serena a dormi!

Oh! que doce era aquele sonhar...

Quem me veio, ai de mim! Despertar?



Só me lembra que um dia formoso

Eu passei...dava o sol tanta luz!

E os meus olhos, que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus.

Que fez ela? Eu que fiz? –Não no sei;

Mas nessa hora a viver comecei...



Folhas caidas. João Baptista da Silva Leitão de  Almeida Garret. (1853)





Texto



Terra da minha infância,

Tecto de meus maiores,

Meu breve jardinzinho,

Minhas pendidas flores,



Harmonioso e santo

Sino do presbitério,

Cruzeiro venerando

Do humilde cemitério,

Onde os avós dormiram,

E dormirão os pais:

Onde eu talvez não durma,

Nem reze, talvez, mais,



Eu vos saúdo! E o longo

Suspiro amargurado

Vos mando. É quanto pode

Mandar pobre soldado.



Sobre as cavadas ondas

Dos mares procelosos,

Por vós já fiz soar

Meus cantos dolorosos.



Porque em meu sangue ardia

A febre da saudade,

Febre que só minora

Sopro de tempestade;



Mas que se irrita, e dura

Quando é tranquilo o mar;

Quando da pátria o céu

Céu puro vem lembrar;

Quando, no extremo ocaso,

A nuvem vaporosa,

À frouxa luz da tarde,

Na cor imita a rosa;



O soldado. Alexandre Herculano. (1832)





Texto

                                Mar Português



Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!



Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.



Mensagem. Fernando Pessoa



Referências:

(1)  Monarquia Católica ou Monarquia Hispânica é nome oficial do ente político-administrativo que os livros de História denominam com o nome incorreto de Reino da Espanha, Império Espanhol, Coroa de Espanha ou simplesmente Espanha



http://israelmv.wordpress.com/tag/seculos-escuros/


Bibliografia:

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sábado, 9 de março de 2013

HISTÓRIA DA LÍNGUA: Portugal e Galiza, caminhos separados

Por José Manuel Barbosa


-O Português pré-clássico em Portugal. Etapa galego-castelhana na Galiza



A língua na Galiza a meados do século XIV entra em decadência desfavorecida pela união do nosso reino galaico-leonês com o castelhano. Castela juntamente com o território toledano inicia um periodo de hegemonia que tem como correlato o esmorecimento da Galiza tanto dum ponto de vista político e económico como cultural e linguístico.

 As guerras de sucessão na Galiza, a peleja pela hegemonia da Coroa com Castela, os fracassos das tentativas de ruptura com Castela e de união com Portugal das mãos do Duque de Lancaster e Fernando I de Portugal e ainda a derrota do Pedro o Cru a quem a nobreza galega tinha apoiado, fazem com que se leve a cabo por parte do vencedores liderados pelo Henrique de Trastâmara uma reconfiguração social e política do País que vê como as suas camadas dirigentes são substituídas por outras em alguns casos provenientes de fora e em outros substituídas por famílias propriamente galegas mas com vinculos de dependência com o exterior. 

 No primeiro caso entram nobres castelhanos por nobres galegos que são deslocados para outros lugares da península. No segundo, são famílias da pequena nobreza que se vem privilegiadas pelo poder mas sem a visão nacional da alta nobreza tradicional. Isto, com a derrota irmandinha e posterior esmagamento da nobreza galega –toda ela- por parte dos Reis Católicos no século seguinte, fazem definitivo que a Galiza Compostelana perca a sua identidade político-institucional e portanto a sua força cultural à vez que o castelhano se veja penetrar no nosso país com traças e com o intuito de hegemonizar a nossa sociedade e ainda a toda península.

 Enquanto, o território asturo-leonês começa um processo de deturpação e dialectalização linguística castelhanizadora tão grave e brutal -mesmo também de castelhanização política-, que em pouco tempo a consciência do povo quebra e esquece o vínculo histórico com o projeto nacional galaico desidentificando-se de tal forma com a Galiza que mesmo poderíamos considerar o processo como de quase irreversível e desidentificador.

 Em Portugal este período é chamado de pré-clássico e vê-se finalizado aproximadamente por volta do 1540. É a época de florescimento político e económico dos descobrimentos e as navegações nas que tanto Lisboa como o Algarve jogam um papel muito importante e nas que a língua viaja com os navegantes por todos os continentes do planeta; é época da prosa didática e histórica, da “Chronica Geral de 1344, dos “Livros de Linhagens”, do “Livro de Montaria” do rei João I, do “Leal Conselheiros” de Dão Duarte, da “Demanda do Santo Graal e as “Chronicas” de Fernão Lopes. 


 Na Galiza a “Chronica Troiana” e a tradução da “Chronica General”, a “General Estória” ou a “Chronica de Santa Maria de Iria” são obras importantes desta época. Outros textos ainda dentro da Galiza como “O Tratado de Alveitaria”, o “Livro de Cambeadores”, a tradução do “Flos Sanctorum” ou a “Legenda Aurea” de Jacobo della Voragine.

 As diferenças gráficas levadas pela influência do poder político e linguístico castelhano começam a ver-se em textos como na “Crónica General” de 1404.

 O castelhano já presente na Galiza desde as substituições nobiliares provoca a decadência do cultivo da lírica galego-portuguesa para abrir o caminho à escola galego-castelhana que copia o virtuosismo da época anterior sem resultados floridos castrapizando a língua.

 Salientamos autores como Afonso Álvarez de Villasandino, Garci Fernández de Gerena, o Arcediago de Toro e Macias o Namorado.


Podemos apontar o seguinte âmbito cronológico seguindo os autores que nomeamos no capítulo anterior Dobarro, Freixeiro, M. Pereiro e Salinas (1987:144-145)



·     Escola galego-castelhana (1350-1465) que está representada essencialmente pelos poetas do Cancioneiro de Baena (1445) e outros cancioneiros castelhanos dos séculos XIV e XV (Estuñiga, Hernández del Castillo...). É uma poesia composta nas cortes dos Reis Henrique II de Castela e I da Galiza, Juan I de Castela e II da Galiza, Henrique III de Castela e II da Galiza e Juan II de Castela e III da Galiza. Esta etapa abrange aproximadamente desde 1369 até 1459. O prestígio da língua galego-portuguesa é o que leva aos poetas a utilizarem-na.



·        Escola castelhano-portuguesa. Representada por muitos dos poetas e dos textos recolhidos no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516), onde já se começa a ver o Renascimento.



Texto



Texto de Macias o Namorado



Cativo da minha tristura

Já todos prendem espanto

E preguntam que ventura

Foi que m’atormenta tanto

Que nom sei no mundo, amigo,

Quem mais do meu quebranto

Diga desto que vos digo.



Que bem see nunca devia

Al pensar, que faz folia.



Cuidei sobir em alteza

Por cobrar maior estado,

E caí em tal pobreza

Que moiro desamparado.

Com pesar e com desejo

Que vos direi, malfadado

O que ouço bem e vejo:



Quando o louco cree mais alto

Sobir, prende maior salto.



Pero que provei sandece

Porque me deva pesar,

Minha loucura assi cresce

Que moiro por ém torvar;



Pero mais nom haverei
Si nom ver e desejar

E por ém assi direi:



Quem em cárcer sol viver,

Em cárcer se vai morrer.



Minha ventura em demanda

Me posso atám dultada,

Que meu coraçom me manda



Que seja sempre negada,
Pero mais nom saberám

De minha coita lazdrada

E por ém assi dirám:



Cam raivoso é cousa brava

De su senhor sei que trava.





-Os Séculos Obscuros galegos e o período Clássico ou de disciplina gramatical em Portugal



Com a chegada ao poder na Galiza dos Reis Católicos inicia-se o ideal da uniformização linguística na Monarquia Hispânica.

 Os gramáticos castelhanos desprestigiam as “línguas vulgares” face o já chamado “espanhol” que tenciona ser a língua de todos os reinos hispânicos por vontade dos monarcas de vocação castelhana. Embora isso seja assim, o galego-português continua a ser a língua habitual dos galegos mas é nesta época quando começa a ficar excluída da sua categoria de “nacional” para passar-se a ser o castelhanismo a ideologia dominante.

 Politicamente a Galiza é castigada, mesmo economicamente, enquanto a nobreza deve lutar ao serviço de Castela dentro e fora da península. As fomes, as pestes, as conscrições, os piratas e a falência económica vão ser os protagonistas dos seguintes séculos.  Mesmo Portugal vai virar as costas à Galiza lançando-se ao oceano nas suas conquistas ultramarinas. Isso enterrou definitivamente à Galiza e aos galegos nos chamados Séculos Obscuros que tanto poderíamos denominá-los assim do ponto de vista linguístico-literário como do ponto de vista político-institucional e mesmo cultural e económico.
  Portugal que já tinha percorrido o mundo com a nossa língua quando se abre este período por volta do século XVI, entra num momento de esplendor político, económico e cultural. A língua nesta altura está fixada como instrumento artístico ficando como a primeira língua de maior difusão no mundo. Desde a costa do Brasil, passando-se pelas costas africanas até aos confins da Ásia e a Oceânia, o galego-português é uma língua franca e de cultura para os povos que entram em contacto com os portugueses.

 Com isto, as línguas desses povos também exercem a sua influência na nossa. Expressões e termos novos entram no galego-português do hindu, bangla, etiópico, banto, malabar, malaio, tupi, e outros, embora também doutras línguas europeias com as que mantém contactos políticos, económicos e culturais durante o Renascimento e o Barroco: o castelhano, francês, inglês, italiano, penetram no já conhecido nesta altura e internacionalmente como português, enriquecendo-o e acrescentando o seu léxico.



São alguns exemplos destas influências:



·        Europeias


Castelhano: Zarzuela, Tonadilha, Bobo, Moreno, Palito, Matasanos, Lhaneza, Hediondo, Trecho, Neblina, Granizo, Camarilha, Pronunciamento, Cavalheiro, Pundonor, Hombridade, Castanhola, Tomilho, Naipe, Carabina, Rebelde, Tasca...

Catalão: Escorcioneira, Torrão, Barretina, Tarifa, Orate, Nau...

Inglês: Norte, Sul, Leste, Oeste, Lanche (por “merenda” ainda viva na fala), Bife, Júri, Pudim, Queque, Iate, Iarda...

Francês: Jardim, Arranjar, Loja, Frota, Chalupa...

Alemão: Cobalto, Feldspato, Gneisse, Quartzo...

Neerlandês: Quermesse, Amarrar, Arenque, Bombordo, Colza, Dique, Estibordo, Grampo, Frete, Iate, Içar, Matalote, Urca...

Dano-norueguês: Níquel, Géiseres...

Russo: Czar, Mamute...

Italiano: Piloto, Amainar, Escolho, Bússola, Escopeta, Sentinela, Esquadrão, Escaramuça, Infantaria, Piano, Soprano, Tenor, Contralto, Cantata, Adágio, Violoncelo, Diletante, Harpejo, Soneto, Terceto, Madrigal, Bandido, Grotesco, Estrambótico, Charlatão, Cicerone, Arlequim, Polichinela...



·        Americanas



Azteca: Chocolate...

Quíchua: Lhama, Condor, Alpaca, Vicunha, Pampa...

Tupi-Guarani: Amendoim, Caboclo, Mandioca, Tapioca...

Nahuatleca: Cacau, Tomate, Abacate, Xícara...

Caraiba: Canoa, Furacão, Cacique, Colibri, Canibal...



·        Asiáticas



Chinês: Chá, Chávena,

Japonês: Leque, Quimono, Haraquiri

Persa: Dervixe,

Indostânico: Caqui
Malaio: Pagode, Canja, Bengala, Pires, Bule, Catre..



·        Línguas africanas:



Banana, Zebra, Girafa, Macaco, Cacimba, Cachimbo, Batuque,



Na literatura é o Gil Vicente quem marca o momento de esplendor inicial junto com o Sá de Miranda, este último de influência italianizante enquanto o primeiro de base popular beirã. Outro de muita importância por não ter escrito nunca em espanhol ainda durante o domínio filipino foi António Ferreira autor da tragédia sobre a limiã e Rainha de Portugal Inês de Castro. Mas são sem qualquer dúvida os mais importantes Diogo Bernardes, Frai Agostinho da Cruz e sobretudo o autor de origem galega Luís Vaz de Camões com os seus “Lusíadas” armado com o seu português inovador e colorido.


 João de Barros, Damião de Gois, Mendes Pinto e outros participam desta etapa da história da língua que supõe um momento de grande esplendor.

 Também é nesta altura quando a língua começa a afirmar a sua gramática com Fernão de Oliveira, João de Barros e Nunes de Leão e a sua ortografia com Franco Barreto, Caetano de Lima, etc.

 O período Clássico chega até ao século XVIII momento em que começa um novo período mas é no XVII quando começa do ponto de vista linguístico o da etapa de unificação oral e escrita da língua em Portugal



Texto





Poema a Pero Pardo de Cela

A min chaman Todamira,

señora do grand tesouro

por estrela crarecida

jago neste Valadouro.



Mais treedor foi que un mour

o vilão que me vendeo,

que de Lugo a Ribadeo

todos me tinhan temour.

De min a triste Frouseira,

que por treiçon foi vendida,

derribada na ribeira,

ca jamais se veo vencida.

Por treiçon tamen vendido

Jesus noso Redentor,

e por aquestes tredores

Pedro Pardo, meu señor.

Vinte e dous foron chamados

os que vendido lo han,

non por fame de sustén,

de carne, viño nen pan.



Nen por outro minister

que falezcan de bondá,

senón por sua vilaicia

e mais por máa intençan.



Eles quedan por tredores

e seu amo por leal,

pois os Reis á sua filla

suas terras mandan dar.



A Deus darán conta delo,

que lles queira perdoar,

co que acabou a Frouseira

e a vida do Mariscal.



Anónimo. (S. XV)



Texto

Segundo capitolo



A antiga nobreza e saber da nossa gente e terra da Espanha: cuja sempre milhor parte foi Portugal: ainda q agora nam e mayor depoys do diluuio geral q e o mais antigo tempo de q se os homes lembrão. Naceo de noe e de Tubal/diz Beroso estoreador de Babilonia e noe edificou e esta terra noela e noegla çidades e da primeira destas faz Plinio mençã aos vinte capitolos do quarto liuro da sua estoria natural: poys nam menos de tubal seu neto afirma põponeo mela que fudou gibaltar. E estes ja então ordenarão boas leys e ensinarão letras nesta terra cõ muitas outras nobrezas e bos costumes que nela deixarão: despoys destes Hercoles lybio filho de osiris rey do egipto veo morrer em esta terra desejãdo de viuer sua velhice descãsada em ella por a virtude q della conheçia: e os soçessores deste edificarão em memoria e honrra do nome de sue capitão. Libisona. Libisosa. Libunca. Libuna, e Libisoca/cidades desta derradeira chamada Libisoca/ apõta som~ete Plinio no terçeiro liuro aos tres capitolos: e Ptolemeu na tavoa da espanha põe Libisoca e Libura: e esta derradeira libura põe junto do rio tejo abaixo de toledo da parte do sul/quasi mostrando ser Euora q agora chamamos. E se tambe quiseremos mais antiguar a edificação da nossa Lixboa podemos dizer q e aquella das çinco çidades já ditas a que elles chamarão Libisona. Luso que tambe ennobreceo esta terra não foy Grego: mas de portugal nacido e criado filho de Liçeleu: e este recebeo em seu reyno a el Rey Dionisio ou Dinis: com festas de sacrifiçios e deuações porq já desdentão os portugueses sabem conhecer e seruir e louuvar a d’s. E deste Rey Luso se chamou a terra em q viuemos Lusitania a ql despoys chamarã Turdugal: e agora mudãdo alghuas letras Portugal/nã do porto de gaya como quer Duarte galuão na estorio del rey dõ Afonso anrriquez: mas dos Turdolos e Galos/duas nações dhomes q vierã morar em esta terra: segundo conta Estrabão no terceyro liuro da sua geografia. E assi desta feyção já tambe este nome d’Portugal e antigo e agora com a virtude da gente muyto enobrecido e cõ muitos bos tratos e cõversações assi em armas como em letras engrandeçido.



Gramatica da linguagem portuguesa. Fernão de Oliveira (1536)





Texto             



Depois de caracterizar, de maneira jocosa, os signos de Zodíaco, Mercúrio apresenta-se:





E pois vos disse atèqui

o que se pode alcançar,

quero-vos dizer de mi,

e o que venho buscar.

Eu sam  Mercúrio, senhor

de muitas sabedorias,

e das moedas feitor,

e deos das mercadorias:

nestas tenho meu vigor.

Todos tratos e contratos,

valias, preços, avenças,

carestias e baratos,

ministro suas pertenças

até as compras dos çapatos.



E porquanto nunca vi

na corte de Portugal

feira em dia de Natal,

odeno ua feira aqui

pra todos em geral.

Faço mercador-mor

ao Tempo, que aqui vem;

e assi o hei por bem.

E não falte comprador,

porque o Tempo tudo tem.

Auto da Feira. Gil Vicente. 



                                                             


Texto

                                                                                           
42
E destas brandas mostras comovido,

Que moveram de um tigre o peito duro,

C’o vulto alegre, qual, do Céu subido,

Torna sereno e claro o ar escuro,

As lágrimas lhe alimpa e, acendido,

Na face a beija e abraça o colo puro.

De modo que dali, se só se achara,

Outro novo Cupido se gerara.



43



E, c’o seu apertado o rosto amado,

Que os saluços e lágrimas aumenta,

Como mínimo da ama castigado,

Que quem no afaga o choro lhe acrecenta,

Por lhe pôr em sossego o peito irado,

Muitos casos futuros lhe apresenta.

Dos Fados as entranhas revolvendo,

Desta maneira, em fim, lhe está dizendo:





44



-Fermosa filha minha, não temais

Perigo algum nos vossos Lusitanos,

Nem que ninguém comigo possa mais
Que esses chorosos olhos soberanos;

Que eu vos prometo, filha, que vejais

Esquecerem-se Gregos e Romanos,

Pelos ilustres feitos que esta gente

Há-de fazer nas partes de Oriente.

Os Lusiadas. Luiz Vaz de Camões. 1572




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