quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Um debate vivo: (Segunda Parte).


Por José Manuel Barbosa.

Extensão da Língua

Toda a argumentação da identidade entre as falas galegas e portuguesas é mantida hoje pelo reintegracionismo e pela gente que é consciente da realidade linguística galego-luso-afro-brasileira. Para além desta circunstância, os clássicos galeguistas acrescentavam mais outro também presente a dia de hoje. Este é o facto de falarmos uma língua com um grande número de utentes constituindo o segundo idioma de base latina (1) em importância ao qual nada lhe tem de invejar, com mais falantes do que outros sistemas linguísticas que são considerados habitualmente como cultos como o alemão, o francês, o italiano, o russo, o árabe....

Do nosso idioma que nos abre magnánimo e fecunda as portas dos corazós de moitos millós d’almas que s’espresan no portugués irmán... 
António Vilar Ponte. A Nosa Terra nº 56. Pág. 1

O galaico-portugués falanno mais de 30 milons de ialmas entre Europa, África e América...
António Vilar Ponte. A Nosa Terra nº 120. Pág 4-5

...el gallego, casi idéntico al portugués, nos abre todas las de habla portuguesa, tan extendida por el mundo. 
Vicente Risco. Teoría Nacionalista. Obra completa. Edição de Francisco J. Bobillo. Ed. Arealonga. Akal Editor. Pag. 181

Si o nosso é un idioma vivo que empregan 30.000.000 d’homes entre portugueses, brasileiros e galegos...
Lugris Freire. A Nosa Terra nª 10. Pag. 3

En Galicia falase moito mais galego que castelán, e unha lingoa que non é mais que unha simples derivación da nosa, a portuguesa, impera nos millós de habitantes do Brasil, nas posesións portuguesas de África e Ásia. De certo siñores nemigos do noso idioma, non teñen tanta extensión o rumano, nen as línguas dos países escandinavos, nin’a de moitas outras nazóns. ¿Emporiso ocurririaselles prescindiren das suas por mor d’esa circunstancia? 
W. Fernández Florez. A doce fala. A Nosa Terra. nº 124. Pag.2

Porque tengo que recordaros, Sres diputados, que el Galaico-Portugués es hablado por unos 40 millones de personas.
Castelao. Discurso nas cortes españolas. Diario de sessões. 18-9-31

...(a nossa língua) fálana e cultivana mais de sesenta millóns de seres que, hoxe por hoxe, ainda vivem fora do imperialismo hespañol.
Castelao. Sempre em Galiza. Ed. Arealonga. Akal Ed. 2ª Edição. 1977

Universalismo

A dia de hoje podemos observar como os poderes anti-galegos, ocultos num aparente galeguismo (será que algum valor deve ter esse conceito) aproveitam o desconhecimento da gente do comum para lhes oferecerem uma Galiza mínima, pequena, regional, local ou despetivamente rural, assim como o facto de terem um idioma que nem idioma é ainda que se lhe chame assim. O galego seria uma forma mal falada de castelhano, ou um bable regional que nada de útil pode ter. Educa-se às crianças na ideia de que essas falas “brutas” acabam na fronteira minhota ou a raia seca, coincidindo com as fronteiras políticas existentes desde sempre. Não se diz que um dia foram ideadas por uma imposição política. Esse idioma, para usar na casa mas não no mundo, só serve para consumo dos que gostam do tipismo folclórico, da literatura intimista, para apresentar-se como uma atividade culturalista de feakies regionalistas e radicais marginais ou para incomodar à gente com imposições que não querem nem os mesmos utentes dessa língua. Para andar pelo mundo já está o castelhano com todo o seu brilho e prestígio.
No entanto, o galeguismo, como todo nacionalismo, quer fazer evidente o espírito da nação, prestigiá-lo perante uma situação de falta de auto-estima com o fim de que seja respeitado no exterior e valorizado no seu justo ponto no interior por gente que não conhece a realidade nacional que a identifica. Igualmente essa reafirmação nacional quer ser vista como uma achega ao resto da humanidade para progresso desta, por isso a necessidade de tingir o amor à própria nação do que os clássicos galeguistas denominavam de “Universalismo” contrariamente ao localismo dos anti-galegos.

Galiza e Portugal estreitadas ao fin, supoñerian unha expansión cultural de idioma diferente ao castelán, tan extensiva cuase como a diste na península e camiño de rivalizar tamén na América, no baluarte do Brasil.
António Vilar Ponte. Pensamente e Sementeira. Op. Cit. Pag. 213

Santo idioma, idioma inmortal, polo que a nobre Lusitania nos tende os seus brazos hirmáns dicindonos que para él inda pode haber unha nova hexemonia novecentista! Que tanto galego-portugués, o castelán e o inglés son tres idiomas chamadoa loitar por superar no Novo Mundo. E virá un forte pangaleguismo traguendo a lus para a caduca Iberia.
António Vilar Ponte. A Nosa Terra. nº 60
O portugués é un fillo do galego e entre os dous non hai capitalmente que diferenzas fonéticas que non son tan grandes quizais como as que existen entre o andaluz e o castelán. Si nosoutros empregamos a ortografia histórica galaico-portuguesa teremos salvado a dificultade que separa ambas as duas língoas e daremos ao galego un carácter mais universal, facendoo accesible ao maior número de homes.
Foi um mal da literatura galega aislarse mediante a sua ortografia. Escrita com ortografia portuguesa houbera corrido mais facilmente o mundo e isto teria influido no vitalidade do noso idioma e do noso pobo, pois ambos van intimamente unidos.
Johan V. Viqueira. Pol-a reforma ortográfica. A Nosa Terra, nº43. Pág. 1
Galicia como grupo étnico, tem dereito a diñificar a língua que o seu próprio xenio criou, porque é unha língua capaz de ser vehículo de cultura universal, porque lle sirve para comunicar cos povos de fala portuguesa.
Castelao. Sempre en Galiza. Op Cit. Pag. 108

Quen son os que tratan d’arredarse do resto do mundo, nosco –os galeguistas- que falando o noso idioma conquerimos entendernos com portugueses, brasileiros ou vosco –os desleigados- que por poñer todal-as forzas na defensa do castelán, creendoo supremo hacedor, tedes que sere eistraños antre aquelas xentes, co-as que nosco, sin ningún sacrificio, faguemos entendernos?
Xosé Ares Miramontes. O galego é de moito proveito. A Nosa Terra. nº 72. Pág. 3

Dispois de todo a língua nosa é a portuguesa –un, galego modernizado, outra, portugués antigo- xa casi comparte a hexemonia no mundo de civilización latina c’o castelán e acabará por compatilo por inteiro.
(autor desconhecido. Pensa-se que pode ser V. Risco) Portugal e Galicia. Unha festa dina de Lembranza. A Nosa Terra, nº 58. Pág. 4

A grande maioria dos galeguistas seguiam princípios teóricos reintegracionistas porque era o que lhes parecia lógico e coerente. Os estudos linguísticos de anos posteriores reafirmaram a unidade linguística galego-portuguesa, reafirmaram a bondade para as falas galegas de possuirmos um grande número de falantes no mundo e a facilidade de chegarmos a uma situação universalista da nossa cultura graças à nossa criação mais importante. Só uma situação de desconhecimento destas realidades e das vantagens que elas têm é que fazem aos que se dizem galeguistas ou nacionalistas de seguidores dum galego isolado e afastado do resto do diassistema, embora seja conhecido com outro nome diferente ao que lhe deu origem. Já não galego, mas português.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Há parentesco etimológico entre Caurel, Quiroga e Carioca?

 

Por José Manuel Barbosa

A região ou comarca do Caurel está na parte mais oriental da atual Galiza, mas para podermos trabalhar uma etimologia teríamos que visualizar um mapa da velha Gallaecia ou mesmo da Kalláikia pré-romana. Aqui o Caurel fica, já não na parte mais oriental, mas na parte mais ocidental da Astúria histórica. Lembremos que o professor Higino Martins Estêvez procura à sua vez uma origem etimológica da palavra “Astúria” e deduz que significa “os do Leste”, “os do nascente”. Seria pois, o Caurel, a região mais ocidental da Astúria segundo os conceitos geográficos de época romana medidos desde a capital dos astures, Astúrica Augusta, atual Astorga que com facilidade podemos considerar ponto de referência. Lembremos que ao Norte astur ficariam os Bessicoi ou Péssicos entre o Návia e a atual Mieres aproximadamente, o qual já não poderia definir a este povo como do NW, mas nitidamente nortenho em relação à capital. O argumento vem reafirmado por serem os Álbiones da região eu-naviega pertencentes ao Oináikos Ártabron (Conventus Lucensis) e não ao Oináikos Ásturon (Conventus Asturicensis) apesar de ficar ao noroeste do centro astur.

Seguimos ao Professor Martins Estêvez que procura a etimologia da palavra “Caurel” na palavra latina Caurelli, genitivo de Caurellus, que à sua vez é um diminutivo da palavra Caurus. Esta palavra designa-nos o nome dum dos Ventos mitológicos greco-latinos. Assim seriam os principais: Bóreas (Gr). ou Aquilon (Lat.) o vento do Norte; Notos (Gr.) ou Austro (Lat) vento do Sul; Euros(Gr.) ou Vulturno (Lat.) o vento do Leste e Zéfiros (Gr.) ou Favónio (Lat.) o vento do Oeste. Seriam os ventos menores reconhecidos com o nome de Kaekias (Gr.) ou Caecius o vento do nordeste, Apeliotes (Gr.) ou Argestes (Lat.) o vento do sudeste; Libis (Gr.) ou Áfricus (Lat.) o vento do sudoeste e Skirion (Gr.) ou Caurus (Lat.) o vento do noroeste.

Esse  vento Caurus, o do noroeste, seria para os asturicaugustanos o proveniente da região caureliana da que estamos a falar.

Vamos profundar mais reparando no nome da Vila mais importante do Caurel:

A cidade principal da Comarca do Caurel chama-se Quiroga. Nome que designa uma planta que também recebe o nome de Queiró(s), Queiroa, Queiruga ou Queiroga na nossa língua...Queirua em asturiano ocidental.

O Priberam define-a como “Urze do mato” e “Flor dessa urze”. Para o Estraviz é uma “Planta da família das ericáceas, espontânea nos montes galegos” tendo como variantes a Queiruga de Cruz (Calluna Vulgaris), a Queiruga de três folhas (Erica Cinerea), a Queiruga de Umbela (Erica Umbellata) e a Queiruga Veluda (Erica Ciliaris).

Ocorre-se-nos que esse fito-topónimo pode ser a origem da atual vila caurelesa, como fito-topónimos são também Camarinhas, Carvalho, Souto, Aveleira, Azevedo, etc... e pensamos que poderia haver uma conexão entre o nome da comarca, o nome da vila de Quiroga, da planta e ainda dum conhecido gentílico brasileiro que é “Carioca”.

No que diz respeito do termo “Carioca”, tenhamos em conta o primeiro livro europeu que recolhe uma divisão territorial e administrativa: O  "Parochiale Suevum", também chamado “Divisio Theodomiri”, elaborado na segunda metade do século VI e dentro do contexto do Gallaeciense Regnum governado pela monarquia sueva. Aqui aparece o nome de “Carioca” como topónimo de uma paróquia da Sé Lucense. Diz assim:

VIII. 1. Ad Lucendum Luco civitas cum adjacentia sua quam tenent comites undecim, una cum:
2 Carioca
3 Sevios
4 Cavarcos, (Montenigro, Parraga, Latra, Azumara, Segios, Triavada, Pogonti, Salvaterra, Monterroso, Doria, Deza, Colea).

Esse “Carioca” é referido provavelmente à atual Quiroga mas vejamos como pode ser possível relacionar um “Caurus” latino com o “Carioca” do Parochiale Suevum e com a Quiroga atual:

Da palavra “Caurus” -que de nome dum vento poderia derivar em sinónimo de um ponto cardinal secundário: Noroeste- poderia vir o gentílico feminino latino-céltico KAUROAIKA ou CAUROAICA, com o significado de “originária do noroeste”. Leva a terminação genitiva céltica –AIKA (Kallaika>galega, Limaika>limega, Naviaika>naviega,...) que indica a procedência e destinar-se-ia para designar, quer a planta (mais comum no Courel do que do planalto Maragato), quer a gente dessa comarca, quer ambas, é dizer: “(planta) originária do noroeste” ou “(gente) originária do noroeste”. Continuamos a supor que a referência deveriam ser os centros de poder político-administrativo astur, pois de considerarmos uma referência centro-peninsular o gentílico poderia muito facilmente ser “Gallaeca”

De KAUROAIKA derivaria assim: KOUROEKA>KOIROIKA>KEIRIOKA donde sairiam as formas “Queiroga>Quiroga” e também o alto-medieval “Carioca”.

Paralelamente a esta pesquisa nossa, procuramos no dicionário etimológico da língua portuguesa de José Pedro Machado a forma “Carioca”  referida ao gentílico brasileiro e fala-nos duma origem tupi “kari’oka” que significa “casa do homem branco” composto de “kara’i” que significa branco e “oka” que significa casa, mas procuramos a etimologia de “Queiró”, “Queiroa”, “Queiruga”ou “Queiroga” e simplesmente achamos a forma “Queirós” indicando-nos uma “Etimologia Obscura”.

No caso de Kari’oka tupi não nos vem identificada qual é a casa do homem branco. Mesmo o dicionário consultado pergunta-se sobre isto, portanto achamos que essa etimologia poderia ser acertada, como poderia não sê-lo. A hipótese que aqui exponho de origem gentílica duma comarca galega ou duma planta originária dessa comarca, ou ambas, referenciando desde o centro astur poderia ser a ter em conta, sempre desde ampla ignorância de quem isto escreve sobre este tipo de temas (ainda que com ideias próprias) e desde a nossa humildade de linguistas vocacionais mas não profissionais.

domingo, 5 de agosto de 2012

Um debate vivo (Primeira Parte)


 Por José Manuel Barbosa

O debate entre reintegracionismo e elaboracionismo já leva umas quantas décadas de presença na Galiza. Ao princípio esse debate não chegava à sociedade, pois simplesmente era algo que se manifestava em âmbitos cultos. Aquelas pessoas que opinavam livremente e discrepavam dos postulados mantidos pelos poderes políticos eram excluídos dos média e marginalizados na sociedade quando não punidos, marginalizados ou tratados de doentes.
Após a chegada de José Posada ao parlamento de Bruxelas, mas também de Camilo Nogueira, ambos como europarlamentares, a sociedade pôde ver como esses dous posicionamentos linguísticos se confrontavam ainda com uma desigualdade própria de épocas pré-democráticas. O deputado Posada conseguiu reconhecimento oficial do galego como uma variante duma das línguas oficiais do Parlamento Europeu podendo fazer possível que a realização da nossa língua estivesse presente em âmbitos internacionais; Camilo Nogueira com a visibilidade que lhe dava a pertença naquela altura ao segundo partido da Galiza pôde gerar debate na sociedade e pôde conseguir que muitos dos mais flagrantes anti-galeguistas do nosso País ficassem tão zangados que se desqualificavam a si próprios. Estou a lembrar as manifestações de Francisco Vázquez, naquela altura Presidente da Câmara Municipal da Crunha que insultou num jornal de ampla tiragem ao deputado Nogueira chamando-lhe nazi por usar a língua dos galegos na Eurocâmara. Algo insólito numa democracia.
Aquilo foi algo que desqualificou ao próprio Vázquez e fez com que a gente valoriza-se ao deputado Nogueira após ter conseguido um grande prestígio durante anos defendendo os interesses da Galiza sempre seguindo valores democraticos desde os começos do Reinstauração Bourbonica, do II Estuto de autonomia, da promulgação da lei de Normalização linguística e da publicação das NOMIGa (Normas ortográficas e morfolóxicas do Idioma Galego).
Graças a representação evidente dos deputados galeguistas em Bruxelas e já em setembro de 2000 alguns jornais da Galiza apresentavam um debate aberto e sincero entre ambas as teorias a respeito do Galego As seções de opinião de alguns meios de comunicação escrita davam argumentos em favor e em contra de cada uma dela, mas as empresas mediáticas implicadas no assunto decidiram fechar o debate dalí a umas semanas por ordem expressa dos altos mandos políticos que não desejavam qualquer manifestação de discrepância com a linha político-linguística desenhada a começos dos anos 80. A cousa ficou em nada ainda que muita gente pôde sentir um cheirinho de democracia manifestado em público. Algus medos ficaram esconjurados. 
O elaboracionismo ou isolacionismo apoiado pelos poderes políticos interessados em manter um statu quo que o beneficiava e um reintegracionismo que crescia em apoios tanto em quantidade como em qualidade viam os seus rostos, ainda que a mensagem do segundo chegasse com dificuldade a uma sociedade focada no seu dia-a-dia e em elementos de despiste fornecidos por um poder político que visava já naquela altura uma uniformidade mental e ideológica pouco pluralista.
Dali a três anos, em 2003, o governo Fraga decidiu permitir a segunda reforma importante da normativa RAG: a chamada “normativa de consenso” na que o consenso não foi tal porque o reintegracionismo não foi tido em conta como alternativa linguística para o País, nem sequer como elemento que pudesse fazer qualquer achega. Ainda assim, o conjunto da sociedade, embora interessado nos seus temas diários, ficou sabendo que os posicionamentos dos defensores da unidade linguística galego-portuguesa não tinham porque ser considerados de “extremistas" nem de "descabelados"; ficou sabendo que a ideia de unidade linguística galego-portuguesa vinha de antigo, pois já os primeiros galeguistas manifestavam com rotundidade a identificação das falas galegas com as portuguesas. Pessoas como Vilar Ponte, Vicente Risco, Outeiro Pedraio, Biqueira, Castelão... nunca foram extremistas, sempre defensores da língua e sempre galeguistas. Como isso é reconhecido por todos e mesmo comunicado pelos poderes que nos governam, tive a paciência de procurar algumas das suas citações mais significativas .Não sãomeias verdades  para contentar ninguém. São as suas verdades, esses pensamentos de identificação entre as falas da Galiza e Portugal manifestados com total claridade... Eis algumas dessascitações:
  
António Vilar Ponte:

“Entre el gallego y el portugués de hoy no hay más diferencias que las existentes entre el castellano de Castilla y el de Andaluzia y América”.
Pensamento e Sementeira. Ed. Galicia  del Centro Gallego de Buenos Aires e Instituto Argentino de Cultura. Pág. 346.

“....mientras viva el portugués, el gallego no morirá”
Op. Cit. Pag. 345

« Pois na península Ibérica anticasteláns son Euzkadi e Cataluña, unha nazón independente com cultura groriosa, veciña de Galiza (outra Galiza separada de nós por torpezas históricas) tem por língua a mesma galega, da que apenas se diferencia en pequeneces ortográficas e prosódicas.
A Nosa Terra nº 120. Pág. 4-5

 Vicente Risco:

“Agora, o galego e o portugués son duas formas do mesmo idioma: esto significa que nós temos un maior parentesco com Portugal que com Castela.
Tres falas, tres civilizaciós; nós pertencemos a civilización da banda occidental, e culturalmente, pois así é filolóxicamente, nada temos que ver coas outras duas. Queiramos ou non, esto trábanos fortemente, estreitamente com Portugal e coa civilización portuguesa.
A Nosa Terra. nº 160. Pág 1

“Tamén hai quen di que o galego que escriben os galeguistas non se comprende nada bem, porque non é igual o que fala a xente, e porque se asemalla ao portugués...
Que o galego se pareza ao portugués non tem nada de particular, porque ao portugués non é mais que o galego un pouco modificado; de maneira que tense que parecer por forza, e non é estrano que se pareza”
Teoria Nacionalista. Obra Completa. Ed de Francisco J. Bobillo. Ed. Arealonga. Pag. 178-279

João Vicente Biqueira:

O galego non sendo unha língua irmá do portugués senón un portugués, unha forma do portugués (como o andaluz do castelán) tem-se que escribir pois como portugués. Vivir no seu seo é vivir no mundo; é vivir sendo nós mesmos!”
Pol-a Reforma Ortográfica. A Nosa Terra. nº 102. Pág. 2

Xosé Ares Miramontes:

“Ista língoa que, según os ‘eruditos’ da minha terra, soio serve pra falar cos veciños dos rueiros –ouh! Eça e Rosalia- é pai do portugués, tendo tanta semellanza co-el, que, de non sere certo xeito ortográfico empregado n’isa lingoa irmán, e que co tempo temos que chegar a un acordo –por ise camiño van as irmandades da fala- seria inteiramente o mesmo”
O idioma galego é de moito proveito. A Nosa Terra. nº 72. Pág 3

Editores da Nosa Terra:

“No Uruguay vanse fundar agora escolas de portugués; e mesmo en Londres; e vosoutros que tendes unha escola viva de portugués no voso idioma –pois sabendo galego vivimos en Portugal coma en Galicia- queredes matala, queredes pricindir d’ila pra, reducirvos a unha inferioridade”.
O idioma por riba de todo. A Nosa Terra nº 36. Pág. 2

“Dispois de todo a língua nosa é a portuguesa –un, galego modernizado, outra, portugués antiguo- xa casi comparte a hexemonia do mundo de civilización latina c’o castelán e acabará por compartilo por enteiro”.
Portugal e Galicia. Unha festa dina de lembranza. A Nosa Terra. nº 58. Pág 4

Afonso Daniel R. Castelão:

“Hai hoxe en todo Portugal un ar, un acento, unha pronunciación, que xa nos diferencia de abondo; pero ainda que os ouvidos galegos estranen as voces portuguesas, non por eso deixan de ser voces nosas, voces galegas”
Sempre en Galiza. Ed. Arealonga. 3ª Ed. Pág. 347

“...pero afortunadamente a nosa língua está viva e floresce em Portugal, fálana e cultívana mais de sesenta millóns de seres que, hoxe por hoxe, ainda viven fora do imperialismo hespañol.”
Sempre en Galiza. Ed. Arealonga 3º Ed. Pág 241

“O galego é un idioma estenso e útil, porque –com pequenas variantes- fálase no Brasil, en Portugal e nas colónias portuguesas”
Sempre en Galiza. Ed. Arealonga 3ª Ed. Pág. 41-42


Como podemos ver, a grande maioria de personagens históricos galeguistas partilham a ideia de a unidade linguística galego-portuguesa ser um facto. No entanto, há alguns representantes do galeguismo vintecentista que não concordariam com uma escrita comum. Há evidentemente isolacionistas, mas esses seriam muito menos castelhanistas do que os de hoje, pois ainda não concordando com uma norma “lusista”, pelo menos não seriam seguidores, nem seguidistas de normas castelhanas para as falas galegas. Ainda sendo isto assim, numa época no que o desenvolvimento das ciências da linguagem estava começando e o estudo da língua nascida na velha Gallaecia ainda estava pouco desenvolvida, nunca deixaram de ser cientes e de reconhecerem a unidade linguística básica galego-portuguesa. Eis alguns exemplos:

“Ningien pode negalo: O portuges non é mais q’unha modalidade do galego.
Por desgracia a ortografia portugesa non é nada recomendabre. Como se be, a ortografia portugesa está moi lonxe de merecere os onores de adoucêón polos gallegos”
Aurelio Ribalta. A Nosa Terra. nº 93. Pág. 2


Continuaremos.......




Debate na TVG no programa "A duas bandas" Constantino Garcia e Carvalho Calero. 1987

 

sábado, 28 de julho de 2012

E se mudassem os protagonistas...?

Por Carolina Horstmann

As políticas linguísticas dentro do Reino da Espanha são coerentes com os interesses da etnia dominante: a castelhana.
Nas periferias peninsulares as línguas “co-oficiais” ou “línguas regionais” são muitas segundo o falso respeito do poder madrileno: o catalão, o valenciano, o maiorquino, menorquino e demais falas das ilhas...; no norte o basco e o aragonês e no noroeste o galego e o asturiano.
Como podemos ver mais minifundismo não pode haver se o compararmos com o grande latifúndio do castelhano ou espanhol no centro e no sul da península. Este território manifesta-se unido na escrita e na norma enquanto as falas do oriente ibérico são atacadas na sua unidade e vêm sendo apresentadas como várias, apesar de o catalão ser uma língua única tanto no Principado, no País Valenciano e nas Ilhas Baleares.
O basco apresenta políticas linguísticas diferenciadas em Navarra e nas três províncias bascas. Ali o castelhano ocupa zonas nas que não deixa entrar o euskera e este não pode facilmente recuperar território historicamente seus porque não o deixam. Ainda assim, o basco resiste apesar do árbitro ser um comprado pelos donos da bola.
Aqui na Galiza diz-se-nos que o galego e o português são línguas diferentes. “Línguas ‘irmãs’, mas diferentes” ainda que se esteja a dizer também que graças ao galego temos o mundo lusófono aos nossos pés. Curioso, porque não se vem os passos que há que dar para dar-lhe essa utilidade tão cacarejada.
Há uns dias o presidente Feijó manifestou numa TV privada e próxima ideologicamente ao seu partido um interessante pensamento pró-reintegracionista que para si quiseram alguns dos que se dizem a si próprios de “nacionalistas”. O porquê o fez há que averiguá-lo metendo-se nos sarilhos da política falaz e maquiavélica de mentiras e de enganos que em vez de nos gerir e governar age no caminho da destruição da Galiza e de toda a estrutura identitária que lhe dá um forte caráter nacional. Muita léria e pouca resolução. Se tão reintegracionista é porque não resolve e nos deixa ver de vez as TVs portuguesas e lusófonas em aberto e porque não se acaba de implementar a língua portuguesa no sistema de ensino?
Bom, que não o faz já o sabemos. E como conhecemos aquele dito de “Pelos seus frutos os conhecereis” sabemos que de galeguista não tem nada. Esse posto político foi-lhe designado para estragar a Nação seguindo planos ditados por Madrid.
A muita gente lhe parece do mais normal que nas escolas e centros de ensino se nos apresente o galego diferente do português embora não seja assim; parece-nos normal que muitos “galeguistas” apoiem a ideia de que o português é o galego internacional mas na praxe agem como que são diferentes, à vez que não gostam de que alguns estejamos constantemente lembrando essa unidade e essa saída linguística e política. Molesta, porque no fundo não acreditam nela para além de ser uma chamada à ordem perante uma atitude mediocre, covarde e falta de responsabilidade histórica. Igualmente é muita léria e pouca seriedade.
Que aconteceria com todo esse argumentário se fosse aplicado no castelhano sobre o qual há um total consenso no que diz respeito da sua identidade linguística, da sua amplitude territorial e sobre tudo no que diz respeito à sua feição escrita? 
Alguém se imagina?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Entrevista ao Padre Fontes.

Equipa do DTS
Texto: Carolina Horstmann 
Câmara: José Goris 
Apresentaçao: José Manuel Barbosa

O Padre António Lourenço Fontes é uma dessas pessoas que não se passam desapercebidas para ninguém. Ligado sempre à causa cultural galego-portuguesa ensina-nos dia a dia que as nossas raízes galaicas estão presentes em cada elemento tradicional com o que trabalhamos, que celebramos ou mesmo que desejamos ou choramos. A forma de sentir a existência, com as nossas crenças vindas desde o paleolítico está presente mesmo no nosso ADN, mas com muita mais pureza nas regiões galaicas do Sul, no Barroso, no Gerês...em todo Trás-os-Montes.

O Padre Fontes é uma dessas pessoas que guarda o mais importante desse arraigo e nos está a lembrar cada pouco tempo a nossa ancestralidade e os vínculos que nos unem ao passado e aqueles outros vínculos que nos unem aos galegos e aos portugueses.
A Galiza, nesta altura histórica está passando-se por uns momentos difíceis. Da mão de uns dirigentes políticos castrantes e castrados estamos a ver como se nos está a desnacionalizar, como estão sendo destruídas as nossas tradições, a nossa língua, o nosso sentir nacional, a nossa forma tradicional de sentir a economia, as nossas crenças místicas e religiosas que nada tem a ver com a bondade, a generosidade, a humanidade, o saber ligado à natureza.... A dia de hoje e em nome duma modernidade alienante que nos afasta da Terra estamos entrando num mundo que nunca foi o nosso porque é alheio e é forâneo, porque nos narcotiza e cega os nossos sentidos que nos permitem ver o nosso Além... Vemos igualmente como a nossa população diminui dia a dia, como as nossas crianças enchem as suas mentes de elementos que não lhe foram transmitidos pelos seus ancestrais...quando há crianças...porque uma dos elementos desse processo é a falta de crianças que recolham o facho da nossa estirpe étnica. Estamos sofrendo o mesmo processo que levaram a cabo muitos povos indígenas ameríndios com a chegada dos espanhóis: o desastre.

No entanto, na Galiza Sul, no Norte de Portugal, as nossas tradições, a nossa língua e o nosso sentir continua vivo e com o intuito de sobreviver a esta maré desidentificadora. É o Padre Fontes um desses guardiões que preserva o nosso ser tradicional e por isso lhe devemos todo o que podemos dever-lhe a um autêntico herói galaico.

A passada Sexta-feira 13 de Julho estivemos com ele na sua Quinta de Mourilhe: A Quinta da Nossa Senhora dos Remédios. Ali lhe fizemos esta entrevista na que falamos sobre tudo do seu gosto pela medicina popular que era a forma ancestral que os nossos antepassados tinham para evitar doenças em contraposição à contaminação química que temos por medicina a dia de hoje, do enriquecimento dos laboratórios e do lobismo que surge de jogar com a nossa saúde. Após a entrevista, essa noite pudemos vê-lo no cenário ao pé do Castelo de Montalegre esconjurando as bruxas e as maldades dessa linda comarca barrosã. A prosperidade dos seus habitantes vê-se nos seus olhos, a felicidade da gente pelas ruas é imensa porque essa contaminação energética gerada por este mundo de tolos fica limpa e anulada com a força deste nosso Padre Fontes e com a ajuda desses grandes atores que são os Errantes da Troula que mais do que atuar o que fizeram foi ritualizar com total veracidade e limpar Montalegre dos maus espíritos que nos governam vestidos de fato e gravata.
Aqui vos apresentamos a entrevista que fizemos esse dia na casa do nosso Bruxo-Mor mas que nós consideramos o nosso grande, o nosso Arquidruída, o Druida de todos os galaicos dignos. Não falamos de qualquer aldeia gaulesa defendida com qualquer poção mágica, não. Falamos de Montalegre, falamos do Barroso, falamos do Norte de Portugal, falamos da Gallaecia viva, falamos do Padre Fontes.   Que vos preste. Sexta-feira 13 de Julho de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Roteiro pelo Património. Objetivos.

Por Editores do DTS (Desperta do teu Sono)
Faltam poucos dias para levar a cabo o Roteiro pelo Património. O dia 4 de Agosto combinaremos na Praça do Mostéiro de São Rosendo para levarmos a cabo um convívio no que visitaremos vários monumentos histórico-artisticos das Comarcas de Cela Nova e a Querquérnia. Queremos cumprir objetivos de irmandade galego-portuguesa, de lazer e de conhecimento da nossa cultura e ancestralidade. Os nossos objetivos são:

-Levarmos a cabo uma jornada de convívio e irmandade galego-portuguesa.
-Darmos a conhecer o nosso património ao público interessado ao norte e ao sul da raia e a todos aqueles que queiram achegar-se ao evento.
-Respeitarmos e fazermos respeitar aquilo que nos une ao nosso passado histórico-artístico perante tanta destruição e deleixo por parte das autoridades que nos (des)governam.
-Comunicar ao público que o património galaico é o mais grande em quantidade de toda a península ibérica (só a quantidade de monumentos históricos da velha Gallaecia é maior do que todo o resto da península ibérica junta), assim como da alta qualidade do mesmo pelo qual merece respeito e proteção, assim como ensino, cuidado e cultivo.
-Reconhecermo-nos como o povo mais antigo da península, com uma personalidade definida e reafirmada através dos séculos, apesar dos obstáculos e separações.
-Levar a cabo uma jornada de convívio e lazer entre galegos e portugueses.
-Reconhecermo-nos, a gente de ambos lados da raia, nas tradições, na história, na arte, na nossa psicologia e na forma de percebermos o mundo.
-Apreendermos cousas novas no que diz respeito da nossa tradição histórico-artistica e linguística ocultada pelos paradigmas negacionistas do nosso povo chefiados pelos poderes políticos que nos (des)governam.
-Tomarmos contatos de amizade que nos abram novas portas de conhecimento e reconhecimento mútuo que nos levem à colaboração futura em eventos de esta índole tanto na Galiza como em Portugal.
-Dar a conhecer a velha Kalláikia a todos os que quiserem tomar consciência das nossas origens.
-Reivindicar uma voz conjunta galego-portuguesa na defesa dos nossos interesses comuns perante poderes políticos e económicos estatais que destruem a nossa forma tradicional de viver e sentir.
-Reivindicar um modelo social e económico sustentável de acordo com a nossa tradição vinculada à Terra e à Natureza sem rechaçar qualquer modelo urbano que seja harmónico com a mesma
-Reivindicarmos uma ancestralidade comum e um futuro conjunto.
-Reivindicarmos e nos reconhecermos como utentes duma língua comum originariamente galaica embora reconhecida no mundo com o nome de Português.
-Reivindicarmos uma nova oportunidade para apresentar à UNESCO a Candidatura do Património Imaterial Galego-Português
-Reivindicarmos a nossa condição de celtas que sempre formos.

Convívio da Portela

Convívio da Portela. Pitões 28 de Julho.



 

domingo, 15 de julho de 2012

Roteiro pelo Património



Pela Equipa de Redação do Desperta do teu Sono

O DTS (Desperta do teu sono) tem a bem organizar um roteiro histórico-artístico pela Comarca da Querquérnia (Baixa Lima) o dia 4 de Agosto de 2012. A informação a seguir:


Organiza: (DTS) Desperta do Teu Sono http://www.facebook.com/events/386641181394294/

Datas: Sábado 4 de Agosto de 2012

Comida: Cada um leva o que queira para si e para compartilhar se quer (Não leveis todxs empanada!). Não há ideia de comer em Restaurantes. A ideia é comer em algum lugar ao ar livre todos juntos, por isso é bom levar para além da comida, mantas ou toalhas para tender no chão e pousar as cousas de comer.

Roupa: Cômoda, para andar, adequada ao clima do dia. Se houver sol e calor a gente deve levar água e viseiras. Se fizer mal tempo seria adequado qualquer elemento impermeável ou de abrigo. Levai fato de banho pois bem seja em Aquis Querquernis (onde há poças de água quente) ou na Mata de Albergaria (onde há uma cascata com umas poças) poderemos nos banharmos se quisermos..

Percurso:

O Roteiro começa em Ourense para os que venham da CAG (Comunidade Autónoma Galega ou Galiza Norte), por isso quem vier de fora da cidade das Burgas pode combinar com a organização no Pavilhão dos Desportos dos Remédios às 9:00 horas (HCE, quer dizer, hora do Reino).
Para a combinação a gente que se apontar pode deixar mensagem no evento do facebook. Tomamos nota e aguardamos por ele/a nos lugares de encontro. http://www.facebook.com/events/386641181394294/

Ligação com a organização:
Tlfn: 0034-637-48-47.33

barbosa_gz@hotmail.com

0-Lugar de encontro com os amigos que venham de Portugal: Praça de São Rosendo de Cela Nova às 09:00 hora Portuguesa 10:00 Hora Central Europeia (horário de Madrid pelo que se rege a Galiza)

1-Cela Nova:
a) Castro Mau


b) São Miguel de Cela Nova (Por enquanto duvidoso)
2-Bande
a) Aquis Querquernis. (Acampamento de época romana e Centro de Interpretação)

b)-Santa Comba de Bande





3-Lóbios
a) Aquis Originis 

b) Miliários da Via Romana XVIII Braga-Astorga.


4-Descanso nas Poças da Mata da Albergaria.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre a Montanha Mágica de Carlos Solla


Por José Manuel Barbosa

Há muitos anos, lá pelos 70, li numa revista de divulgação a referência dum livro do cientista britânico Barry FellAmerica B.C. Times Books, New York 1976” que descobriu que a América puderam ter chegado naves e pessoas de procedência europeia, norte-africana  e do Próximo Oriente em épocas pré-romanas. Procurei o livro e pôde lê-lo. Nele dizia-se que Fenícios ou Cartagineses, Líbios, Egípcios e Celtas da Península Ibérica (Kalláikoi??) poderiam ter deixado as suas pegadas em contruções, gravações em pedra, santuários e mesmo nas línguas dos nativos. Se isto tivesse sido assim, o conceito da história mudaria radicalmente não só no que diz respeito de como se transmite o conhecimento do passado, mas também em relação ao vínculo transatlântico euro-americano (concretamente celto-americano que nos atinge) e ainda a visão do homem sobre o seu passado em geral.
Muitos anos para além, na época na que isto escrevemos, outra investigação científica levada por uma equipa do Supreme Council of Antiquities and the American Research Center in Egypt (ARCE) chefiada pelo egiptólogo de nacionalidade egípcia Zahi Hawass tivera a ousadia de estudar o ADN do faraó Tutancâmon que viveu no Egito de há 3.300 anos. Nele descobriram um vínculo genético comum com os atuais irlandeses e também com os “spanish” como diz uma notícia num jornal inglês que consultei. Mas tendo em conta que neste outro jornal digital que também consulto, o  “The European union times” (http://www.eutimes.net/2010/06/king-tuts-dna-is-western-european/), se relaciona no cabeçalho o Rei Tut com o Oeste europeu por possuir o Haplogrupo R1b ou R1b1, é evidente que quando se fala de “spanish” não nos estaremos a referir que ele terá vínculos com os valencianos ou os murcianos, sobretudo se é que o R1b tem a sua máxima concentração nas Ilhas Britânicas, na Armórica e na velha Kalláikia.
São estas as notícias que nos jornais espanhóis passam muito desapercebidas porque não é de interesse da gente que chefia este projeto nacional com o que parece que nada temos a ver os galaicos a não ser à hora de pagar impostos, fazer parte do exército e berrar “yo soy español” quando uma equipa desportiva ganha algo. Esta notícia sim deveria ser do interesse dos galegos e mesmo dos asturianos e cântabros porque algo vai com eles...connosco.
Por outra parte, conta-se que a “Liath Fàil” ou “Pedra do Destino” era a pedra sobre a qual se coroavam os reis irlandeses, escoceses e mais atualmente ingleses. Ela estava unida indefetivelmente ao poder de Deus que lhe dava legitimidade à monarquia que a possuir. O seu protagonismo na história bíblica de Jacobe, quem dormiu sobre ela e teve o seu famoso “sonho de Jacobe” é indiscutível, e conta a lenda que esteve nas mãos do povo de Israel durante a sua estadia em Egito até a fugida dos hebreus para a terra de promissão. Só foi quando os israelitas estavam a cruzar o Mar Vermelho que o general egício Haythekes conseguiu roubá-la e após diversas aventuras acabou na Galiza onde os reis brigantinos legitimavam o seu “Coronno” como o autêntico monarca. Com as invasões dos brigantinos (também conhecidos nas Ilhas com o nome de “Milésios”) na Ilha de Irlanda a Pedra chegou até lá e era em Tara onde os reis irlandeses recebiam o seu poder  no outeiro da Macha. De irlanda passou-se para a Escócia e dali a Inglaterra onde os reis ingleses se coroavam...
Curioso é o que diz a lenda. Nela diz-se que a Escócia não ia ser independente enquanto a pedra ficasse em mãos inglesas... É após quase três séculos que a pedra foi retornar a velha terra dos Pictos e dos Escotos, a velha Caledónia, quando estamos a falar novamente da independência dos nossos irmãos do Norte. Nada disto interessa a Espanha, mesmo sendo uma história que em parte se desenvolve no “seu” território. Lembremos que Galiza é “españolísima”. E é por isso pelo qual e com toda a probabilidade o livro do nosso amigo Carlos não vai interessar muito em Cuenca ou Valhadolid, mas pensastes o que é o que pode dizer-lhe a um galego inteligente e consciente que ele possa ter parentesco com o Tutancâmon? Ou que a história do nosso País esteja vinculada ao “Liath Fàil” onde se coroabam os reis brigantinos? Ou que tenha consciência de que os nossos antepassados galaicos puderam ter chegado em época pré-romana a Iowa ou a Massachusetts para construírem santuários?
A tudo isto, só dizer uma última cousa: a vida dá muitas voltas e o que hoje pode passar desapercebido e pode não ter interesse, amanhã é o centro das atenções de todo o mundo da cultura, da arte, da ciência...por isso não seria errado se vos fazeis com o livro do meu amigo Carlos Solla “O Monte do Seixo. O Santuário perdido dos celtas”. Comprai-o e procurai que é o que significa a história do “Pecheche, o boi dos três cornos”, ou informai-vos de quem era “Boucigha”; ou mesmo o que é o que se esconde em “Portalém”, quer dizer, “na porta do Além”. Fazei, e depois falamos. Quiçá possamos descobrir vínculos que vos resultem saborosos e vos façam pensar que lá pelo vosso ADN correm parentescos Reais-faraónicos e lendas perdidas no tempo mas nas que algum dos vossos antepassados foram protagonistas. Comprai, e se sonhais e se vos põe a pele de galinha é que algo haverá...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Entrevista à Professora Doutora Blanca Garcia Fernández-Albalat

Equipa do DTS
Câmara: José Goris 
Apresentaçao: José Manuel Barbosa

Os passados 6 e 7 de Maio tivemos o prazer e a honra de organizarmos umas Jornadas da Língua Galego-Portuguesas em Pitões das Júnias às que levamos três pessoas que consideramos importantes no que diz respeito do celtismo. Uma dela, Fátima Figueiredo falou sobre o relacionamento existente entre as Cantigas Medievais e a tradição celta, o segundo foi David Outeiro, colaborador deste nosso blogue no que falou sobre hagiografia e o vínculo entre as divindades celtas e os atuais santos cristãos e finalmente a Professora Blanca Garcia Fernández-Albalat com o trabalho que levava por título: "A Soberania indoeuropeia, celta e galaico-portuguesa: a perduração no folclore."
Professora Fernández-Albalat, uma das mais importantes celtólogas da Galiza de hoje (juntamente com o Professor André Pena Granha com quem gostaríamos contar em próximas edições) nasceu na Crunha e é Doutora em História, especialista em Arqueologia, Pré-história e Antropologia Cultural . A sua tese de licenciatura foi feita em 1983 na Universidade de Santiago de Compostela onde fez estudos e levava o título de: "El culto a las divinidades de las Aguas en la Gallaecia Antigua" momento em que começou as suas investigações do mundo religioso e sociedade celto-galaica e da área lusitana de época pré-romana.
O Título de Doctora en Historia foi conseguido pela tese: "Las divinidades de la guerra y su vinculación con las comunidades indígenas en el  área galaico-lusitana feito igualmente na Faculdade de Geografia e História da USC (Departamento de Historia I: Prehistoria, Arqueología, Historia Antigua y Paleografía) (España) em Abril de 1989 com uma qualificação Apto cum Laude por unanimidade.(máxima puntuación). Nesta susa tese de doutoramente esta baseada na investigação sobre o comportamente dos grupos de guerreiros do Oeste peninsular em época pré-romana e romana procurando as semelhanças e paralelismos com as comunidades irlandesas e celtas em particular. De igual maneira a relação com determinados deuses da guerra tipicamente celtas.
Em 2005 e 2006 validou o seu doutoramento em Pré-história e História da Antiguidade para exercer profissionalmente em Portugal pela Universidade do Minho, em Braga e a equiparação com grau de Doutora na especialidade de Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.




Grande trabalhadora no âmbigo científico com trabalhos de investigação como os seguintes:
 
 1. "Sociedad y categorías sociales en la Galicia Antigua" O nacimento dunha nación: Sociedade e Categorías sociais na historia de Galiza, editado por el diario A Nosa Terra, en la colección A nosa Historia, nº. 6, Enero 1995, pp.: 10-18
        
2. "Las divinidades indígenas de la Hispania Prerromana. En pos de una metodología", Trabalhos de Antropología e Etnología da Sociedade Portuguesa de Antropología e Etnología, Porto 1985 , Vol. 25, fasc. 2-4, pp. 275-283.
 
3. "La diosa Erbina, la soberanía guerrera femenina y los límites entre los igaeditanos y los vetones",  Revista Conimbriga, XXXII-XXXIII (1993-1994), pp 383-401.

 E os livros publicados:

1. Guerra y Religión en la Gallaecia y Lusitania Antiguas, Ediciós do Castro, Sada, A Coruña 1990.

2. Las rutas sagradas de Galicia: perduración de la religión celta de la Galicia Antigua en el Folclore actual. Diputación Provincial de A Coruña. 1999.

3. Religión celta y religión Galaica  Tomo I. Aspectos teóricos, Diputación Provincial de La Coruña (en prensa).

3b. Religión celta y religión Galaica. Tomo II: Epigrafía votiva de Gallaecia. (textos y aparato gráfico), Diputación Provincial de La Coruña (en prensa)

4. Espacio sagrado y simbolismo celta. Del Leabhar Gabhála a Galicia. Editorial Brigantia, Betanzos, A Coruña (en prensa).

Trabalhou igualmente em alguns livros coletivos como são:

1. "Las llamadas divinidades de las aguas" en J.C.BERMEJO BARRERA : Mitología y Mitos de la Hispania Prerromana 2, Madrid 1985 pp. 141-192  (=Cap. V ).

2. "El hecho religioso en la Galicia Céltica", en O feito relixioso na historia de Galicia, Santiago 1993. Asociación Galega de Historiadores, pp. 27-58.

3. "Ritos funerarios en la Galicia Céltica" en A Cidade e o Mundo: romanización e cambio social. Publicación de los cursos de Verano de la Universidad de Vigo (Xinzo de Limia, Julio 1995). Concello de Xinzo de Limia 1996. pp. 69-79.

4. "Religión y sociedad en el mundo castreño gallego", en A Cultura Castrexa a debate, Actas de los cursos de Verano de la Universidad de Vigo (Tuy, Julio 1995). Coord. de José Manuel Hidalgo Cuñarro; Instituto de Estudos Tudenses 1996.pp. 141-156.

5. "La religión de los castrexos", en Las religiones en la Historia de la Galicia, Semata: Publicación de Ciencias Humanas y Sociales de la Universidad de Santiago de Compostela; 1996. Vol. 6-7 pp. 33-91.

6.  “A Coruña Celta” : tres fascículos de  la Historia de La Coruña editada por el diario “La Opinión”- (en prensa).

7.  “El patrimonio como responsabilidad” en A Cultura Light, actas da mesa redonda celebrada na Faculdade de Letras do Porto. Abril 2005.  

8. “La Soberanía Indoeuropea. Perduraciones en el folclore del Noroeste Peninsular”, en Crenças, Religiâo e Poder. Dos individuos as sociabilidades, Porto Ed. Afrontamento, 2008, pp. 327-345.

Participou em vários congressos onde apresentou os seguintes trabalhos:

1.    "Introducción al estudio de la problemática metodológica suscitada por el análisis histórico-religioso de la llamadas divinidades de las aguas", Publicación del Seminario Luso-galaico de Estudos de Arqueología, Historia e Etnología Comemorativos da Vila de Caminha,  Octubre 1984 (Portugal), número especial de la Revista Lucerna, 2ª,serie, Vol II, Porto 1987, p. 245-262.

2. "El culto a las Aguas en la Prehistoria. La pervivencia de un tópico metodológico" I Encontro de Escritores Luso-galaicos, Monçâo - Melgaço, (Portugal) 25/27 Enero 1985.

3. "Un ara votiva a Durius? Valor religioso de los ríos en la Antigüedad", 1er. Congreso Internacional sobre o río Douro. Vila Nova de Gaia (Portugal), Abril-Mayo 1986. Publicado en un nº especial de la Revista "GAIA" (Cámara Municipal de Vila Nova de Gaia, (Portugal) 1995.

4.  "La diosa Nabia. Nueva interpretación", I Congreso Peninsular de Historia Antigua. Santiago de Compostela, Julio 1986- (editado por G. Pereira Menaut en Santiago de Compostela 1988) Vol II pp. 249-263.

5. "La religión Prerromana de la Beira Baixa. Una cuestión de método", I Jornadas de Historia Regional do Distrito de Castelo Branco, Castelo Branco Noviembre 1987. (en prensa).

6. "La soberanía femenina céltica y sus huellas de culto en el Oeste peninsular", en  Os Celtas da Europa Atlántica, Actas do I Congreso sobre la Cultura Celta . Ferrol Agosto 1997 - Ferrol 1999. pp. 171-197.

7. "Mitología celta y Folclore Galaico", Os celtas da Europa Atlántica. Actas do 2º Congreso Internacional sobre a Cultura Celta, Ferrol Noviembre 1998. (en prensa).
8.  Coordinadora de “La Historia de A Coruña”, a editar por el periódico “La Opinión”. 

9 “A orixe dos espazos sagros e as particularidades no mundo celta.” Congresso Internacional sobre a Cultura Celta. Narom. Abril 2011.


Participou em Simposia como ponente:

1. "Introducción a la problemática metodológica suscitada por el análisis histórico-religioso de las divinidades de las llamadas divinidades acuáticas", ponencia leída en el VII Centenario da Foral de Caminha. Caminha (Portugal) 24 Julho 1994.

2. "El Culto a las aguas en la Prehistoria", ponencia leída en el I Encontro de Escritores Luso-galaicos. Monçâo-Melgaço, Portugal, Enero 1985.

3. "Un ara votiva a Durius. Valor religioso de los ríos en la antigüedad", comunicación presentada al I Congreso Internacional sobre o río Douro. Vila Nova de Gaia, Portugal, Abril/Mayo 1986.

4. "La diosa Nabia. Nueva interpretación", comunicación presentada al I Congreso Peninsular de Historia Antigua. Santiago de Compostela, Junio 1986.

5. "La religión Prerromana en el noroeste peninsular" en La Galicia Prerromana, Curso de Verano de la UIMP en la Coruña, dirigido por la misma. 23 Julio 1987.

6. "La religión prerromana de la Beira Baixa, una cuestión de método", comunicación presentada en las I Jornadas de Historia Regional de Castelo Branco. Castelo Branco, Portugal, 13-15 Noviembre 1987.

7. "Los druidas y la magia celta", ponencia presentada en el II Simposium Internacional de Antropología, Mitos y Tradiciones: En busca del origen del hombre. Organizado por Procultur. Asociación de Promoción cultural, Madrid 28-29 Noviembre 1987.

8. "Breve notícia de uma nova divindade indígena nas terras das Beiras. O limite entre os Igaeditanos e os vetones", comunicación presentada en el I Coloquio Arqueológico de Viseu. Viseu, Portugal. Abril/Mayo 1988.

 9.  "Los rituales de la muerte en época castreña" ponencia presentada en el Seminario: Ritos e imaginario da morte em Portugal (Idade Media), Organizado por la Faculdade de Ciências Sociais e humanas da  Universidade Nova de Lisboa, 29-20 Junio 1992.

10. "El hecho religioso en la Gallaecia celta", ponencia presentada en la II Semana Galega de Historia: "O Feito relixioso na Historia de Galicia". Organizado por la Asociación Galega de Historiadores. 19 Abril 1993.

11. "O elemento celta na Protohistoria galaica", ponencia presentada en el curso A Cultura castrexa a debate, organizado por la Facultad de Humanidades de Orense. 13 y 14 Abril 1994.

12. "Ritos funerarios en la Galicia celta", ponencia presentada en A cidade e o mundo: Romanización e cambio social. Curso de Verano de la Universidad de Vigo-Concello de Xinzo de Limia. Xinzo de Limia 3-7 Julio 1995.

13. "Religión y Sociedad en la Galicia Castreña", ponencia presentada en A Cultura Castrexa a debate, Curso de Verano de la Universidad de Vigo. Tuy, Julio 1995.

14. "O fenómeno religioso na Galicia Celta: A soberanía femenina". Comunicación presentada al  I Congreso Sobre a Cultura Celta de Galicia, Ferrol Agosto 1997.

15. “Mitología celta y folclore galaico”. Comunicación presentada a Os celtas da Europa Atlántica. II Congreso sobre a Cultura Celta.” Ferrol Noviembre 1988.

16 “Os Celtas en Galicia Tema de la Mesa Redonda celebrada en el Instituto de Estudios Gallegos Padre Sarmiento con motivo de la Semana de Ciencia y Tecnología y dentro del ciclo “Historia e lenda”.18 Noviembre 2003

17. “El patrimonio como responsabilidad” Mesa Redonda sobre la Cultura Light, Porto, Faculdade de Letras. 22 Abril 2005.

18. La Soberanía Indoeuropea. Perduraciones en el folclore del Noroeste peninsular. Mesa Redonda “Crencas, religiôes e poder. Dos Individuos as sociabilidades, Celebrada na Faculdade de Letras do Porto en Abril de  2006. (ver apartado de publicaciones)

19. “Arqueoloxía Simbólica da Paisaxe” Curso de Verano de la Universidad de Santiago de Compostela. Guitiriz Julio de 2010.

20. “La vestimenta de la heroización y de la guerra en la Cultura Castreña” DRESSID PROJECT (SGB WORKSHOP) Political power and appearance: Luxury and Dress in the Roman Empire ans its provinieses. 7 Noviembre 2010. Facultad de Geografia e História de Valencia.

  Participou igualmente em conferências com os temas seguintes:
  
1.     "Estructura geral das religies indoeuropeias", Faculdade de Letras do Porto, convidada por el Dr. Armando Coelho Ferreira da Silva, asistente de Protohistoria. Febrero 1985.
2.     "As religiôes célticas na Gallaecia", Festival Intercéltico de Porto, Organizado por el Instituto Francés de Porto, 22 Abril 1986.
3.     "Religiôes indoeuropeias: estrutura interna e aplicaçâo ao estudo das religiôes na Lusitania". Faculdade de Letras do Porto, convidada por el Dr. Armando Coelho Ferreira da Silva, asistente de Protohistoria. Julio 1986.
4.     "Poblamiento de Galicia e Hispania: Los indoeuropeos". Facultad de Humanidades de Orense, 12 Mayo 1993.
5.     La realidad céltica de Galicia, más allá  de la Arqueología", Revista Anual de la Asociación Cultural Hispano-Irlandesa. Madrid.
6.     "La religión céltica en Galicia", organizado por la Asociación de amigos del Museo-Museo Arqueológico de la Coruña. Auditorio Caixa Galicia 20 Mayo 1993.
7.     "El celtismo en Galicia : estado de la cuestión". Sociedad de Amigos de los Museos, La Coruña, 2 de Julio 1999.
8.     El poblamiento antiguo de La Coruña y el origen celta de su nombre”, Puertas Ártabras Sociedad de Amigos de los Museos, La Coruña. Diciembre de 2000.
9.     “A orixe do espazo sagro no mundo castrexo”. VIII Xornadas Castrexas organizadas por la Consellería de Turismo, Patrimonio Histórico-Artístico e Natural e Medio Rural. Concello de Cambre (A Coruña), Sábado 16 Octubre 2010.
Igualmente ministrou aulas como professora de Cursos de formação e seminários, organizadora de Congressos, Cursos de formação, Projetos de investigação, Direção de investigações, Colaboração com entidades científicas, etc...É Vice-Presidenta da Fundação Associação de Estudos Celtas de Galiza desde a sua constituição, Fundadora e Presidenta da Associação de Investigações Celtas de Galiza e faz parte do IGEC (Instituto Galego de Estudos Celtas) como diretora do Depto. de Cultura Céltica Contemporânea.
Foi igualmente Professora Universitária da USC e Professora da Universidade de Vigo


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