Rodrigo Ximenes de Rada, conhecido na historiografia galeguista por manipular os textos históricos em favor de Castela e contra a Galiza, no seu livro De rebus Hispaniae relata de forma novelada
a morte na batalha de Uclés,do filho
do Rei Afonso VI Sancho Alfonsez. Este relato é copiado com muito poucas
variantes pela Primera Crónica General de España de Afonso IX o
Sábio....Afonso X para a historiografia castelhanista.
(Afonso VI) Adefonsus, Rex tota Gallaecia
Apresentamos aqui a versão adaptada para o castelhano moderno deste livro do Rei chamado sábio:
“Y como fuera gravemente herido el caballo que montaba el
infante Sancho, dijo (éste) al conde: “Ayo, ayo, han herido el caballo que
monto”. Le contestó el conde: -“No te muevas, porque si no te herirán a
ti”. Y al punto se desplomó el caballo que había sido alcanzado y al
arrastrar consigo al hijo del rey, se apeó el conde y parapetó como pudo al
niño entre él y su escudo, mientras la muerte le apremiaba por todas partes.
Él, valiente como era, no sólo protegía al niño con el escudo, sino que repelía
los ataques que llovían de todos lados, pero, al serle cercenado un pie de un
tajo, no pudo aguantar más y cayó sobre el niño para morir él antes que el
niño... Una vez que los condes y nobles que habían salido con vida del combate
llegaron a Toledo y se presentaron ante el rey con los rostros abatidos, el
rey, sobrecogido por un dolor indescriptible, les habló así: “Dónde está mi
hijo, la alegría de mi vida, el consuelo de mi vejez, mi único heredero?”
Le respondió el conde Gómez: “No nos encomendasteis a nosotros el hijo por
el que preguntáis”. El rey le dijo: “Aunque lo encomendé a otro, también
os hice a vosotros responsables del combate y de su seguridad; y el que estaba
especialmente encargado de ésta luchó, fue herido y murió encima de él;
vosotros en cambio, que abandonasteis a mi hijo, ¿cómo os atrevéis a venir?
Guardamos, no entanto, alguma prova
documental indireta da língua dos Reis, como por exemplo a recolhida por Frei
Prudencio de Sandoval, historiador originário de Valhadolid do século XVI-XVII
que reproduz os soluços de Afonso VI perante a morte em 30 de Maio de 1108, na batalha de
Uclês do seu filho Sancho, herdeiro do trono. A língua na que chora o Rei não
pode ser outra diferente da que o Monarca tinha por sua: o galego-português e
não o castelhano...Não podemos dizer com total certeza qual a língua dos condes que falaram esse dia com ele nem como foi que transcorreu a conversa, mas...
Segundo nos conta
Sebastián Rico, Frei Prudêncio de Sandoval, bispo de Tui primeiro e de Pamplona depois, autor da Crónica General e España (1615). o Rei diz:
“...y
en la lengua que se usaba dijo con dolor y lágrimas que quebraban el corazón:
Ay meu filho! Ay meu filho! Alegria do meu coração et lume
dos meus olhos, solaz da minha velheçe! Ay espelho em que me soya veer, et com
que tomava muy grand prazer! Ay meu herdeyro mor! Cavaleyros, hu me lo
leixastes? Dade-me meu filho Condes!”
Versões posteriores da Crónica de Sandoval como a de Benito Cano de 1792 cujo link oferecemos abaixo destas letras, apresentam-nos esse mesmo texto talvez algo modificado e adaptado para leitores castelhanos do século XVIII:
As nossas perguntas, portanto, são: Que ganha Galiza e os galegos aceitando as versões castelhanas da História da Galiza e historiografia castelhanista? Porque a "Xunta de Galicia" aceita sem qualquer tipo de crítica um ensino da História da Galiza contada desde parámetros que nada têm a ver com uma visão auto-centrada do País e que em nada beneficia nem a verdade, nem os nossos interesses? Porque a historiografia de Portugal é tão castelhanista como a castelhana se o facto de ter um Estado independente faz com que uma versão "lusófona" poderia ser perfeitamente viável e ajudaria a pôr no seu lugar uma versão mais veraz e digna da História da Nossa Língua comum? Porque no Brasil não se estuda a História da Língua como corresponde e porque não liga na sua memória nacional com a Galiza? Porque no Brasil não é conhecida a Galiza como berço, origem e matriz da Nossa Língua conhecida no mundo com o nome de "portuguesa"?
Outra Bibliografia:
Rico,
Sebastián: Presencia da língua galega. Ediciós do Castro.
A Crunha, 1973, pp 8-9
Marcial Valladares: Elementos de Gramática gallega.
Galáxia. Fundación Penzol. Vigo. 1970. Pág 21.
A palavra
“Universidade” tem a ver com “Universalidade”, quer dizer, com a transmissão de
todos os conhecimentos universais, com todo o saber conhecido.
Segundo o
dicionário etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado,
“Universidade” vem de “universo” e isto significa “tudo, inteiro, geral,
universal...”
Consta esta
palavra de “Uni-“ de “Unus-a-um”, quer dizer, “unidade” mais “versum” que
significa “virado de cara a ...”. Portanto “Universitas” ou “Universidade”
viria significar “virado ou dirigido de cara a unidade” ou mais livremente
“conhecimento dirigido para ser integrado num todo, num conjunto universal
único”.
Infelizmente a ideia originária com a que se criaram as universidades na Idade
Média na Europa está esquecida. Provavelmente já desde o começo. A ideia de
transmissão dos conhecimentos universais fica só para determinados grupos que
pelas suas condições socioeconómicas têm a capacidade de aceder aos registos
informativos acumulados no transcurso da história e das culturas. Isto tem fins
diretivos e dirigentes adequados a uns interesses muito concretos e
particulares que nada têm a ver com a generosidade nem com o altruísmo mas com
o egoísmo que só beneficia um limitado grupo de famílias que governam o mundo
de forma aristocrática e endogámica. Estas não se importam pelo bem ou pelo mal
do resto das pessoas que povoam o planeta as quais só são vistas como operárias
que trabalham para manterem essa situação perpetuamente, desconhecedoras do
funcionamento último do mundo no que vivemos, quer dizer, funcionamento
dirigido a manter a situação de desigualdade e de privilégio das aristocracias
sobre os grupos humanos de base.
Esses grupos aristocráticos com tanto poder nas suas mãos são os que
determinam qual o conhecimento e a informação que podem chegar ao povo; jamais
eles hão de transmitir uma formação que crie dirigências que possam concorrer
com os seus interesses, nem que ponha em perigo a situação de privilégio das
suas famílias, nem chaves que dêem poder ou capacidade de decisão. O
obscurantismo por um lado e a apresentação da informação do que acontece no
mundo por outra, são fornecidas com fins narcotizantes e limitadas pelos média.
O objetivo é servir os interesses das
grandes famílias e manterem a situação benéfica para elas para além de
perpetuarem a ignorância no conjunto da humanidade.
Nos últimos
anos, a Universidade está a se especializar em transmitir matérias que servem
para a formação de mão de obra útil e barata ao sistema. O conhecimento que se
necessita para a planificação ampla e global dos destinos do planeta não está
nessas universidades viradas para a gente do comum que procura o seu alimento
em ocupações laborais que engancham com o “status quo”. Também, e do mesmo
jeito, as pessoas conscientes, os génios e/ou grandes sábios que surgem, não
nascem habitualmente por obediência a essa formação académica convencional
ministrada para as massas despersonalizadas, mas por conhecimentos subversivos
e quase clandestinos apanhados fora dos círculos universitários. No caso de
essas pessoas destacadas serem formadas pelos sistemas universitários, o
próprio sistema faz por integrá-los. E no caso de insistirem na sua oposição ao
estabelecido é quando são desqualificados, atacados ou simplesmente
desconsiderados chegando quer a uma situação de oposição ativa ou quer
diluindo-se entre a população comum e ficando no esquecimento.
Contrariamente,
são aqueles que nada têm a ver com a genialidade os que chefiam os projetos
políticos impulsionados pelo poder. Este favorece o imobilismo e a manutenção
da situação sem que nada mude. O interesse pelas mudanças e as quebras é nulo e
a comodidade é o grande valor transmitindo uma ideia negativa de tudo o que
signifique inovação...ainda que seja para bem de todos. A filosofia a estender
na população é a concorrência pelo prestígio, o poder, o dinheiro ou o cultivo
do ego com pequenas conquistas pessoais que servem para apresentar nos seus
pequenos círculos sociais.
É fácil que um sistema assim inoculado desde as universidades gere
personagens cómodas inteletualmente, superficiais e pouco profundas, mais
interessadas no ócio egoísta do que no progresso da humanidade à qual não lhe
vem objetivo nem finalidade última. São pessoas que pela sua falta de
profundidade não são sensíveis com os problemas mundiais, nem se preocupam o
mais mínimo por dar-lhes uma saída positiva. A formação fornecida por essas
Universidades perpetua o sistema sem que lhe dê conhecimento ao cidadão do
comum de como foi que outros sistemas passados acabaram, nem como surgiram
outros novos. Esta ignorância inoculada desde o ensino primário e continuada
até a formação superior, ajuda aos diferentes povos a cair repetitivamente nos
mesmos erros históricos que derivam em conflitos onde o sofrimento e a penúria
são normais. Assim é que quando a situação é insustentável surgem as mudanças
paradigmáticas, justo porque as necessidades levam a isso. Nunca porque as
pessoas dirijam sabiamente essa mudança com adaptações segundo as necessidades
do momento e com previsão de futuro. Habitualmente aqueles que sofrem a
precariedade só lutam para conseguirem um posto dentro da sociedade
estabelecida, não para mudarem sistemas caducos mas por entrarem no já
existente e participarem dele com todos os privilégios possíveis. Assim foram
formados.
As dirigências que governam os países determinam as políticas educativas.
Estas ficam claramente viradas para a formação de pessoal vinculado ao
pensamento oficial. Canaliza-se o descontento com alternativas que também não
saem do sistema e que tiram a força de qualquer movimento de contestação real
que queira verdadeiramente mudar as cousas. As alternativas reconhecidas pelo
próprio sistema nunca vão modificar a filosofia de base do cidadão, baseada numa
forma materialista de levar a vida que leva marcado a história do planeta desde
a Revolução Industrial e o surgimento do capitalismo. Qualquer ação
universitária de formação e investigação é destinada para beneficiar a
ideologia em vigor, para manter o sistema internacional e para controlar a
sociedade desde arriba de jeito que fique nas mãos egoístas de quem precisa de
operários dependentes formados para essa forma de escravatura evoluída.
Em alguns países, os sistemas de ensino superior incluem os chamados
“colleges”, centros técnicos aos que acedem aqueles alunos aos quais a
Universidade rechaçou “indiretamente” (1) ou aqueles que vem saídas mais
práticas para a sua formação e futuro laboral. Originariamente seriam de
categoria Pós-Secundária mas não estariam incluídas numa formação superior de
prestígio...ou assim era como inicialmente se originaram, mas os valores e as
capacidades de muitos alunos dos “colleges” chegou a superar amplamente aos
formados nas Universidades convencionais porque estas últimas não desenvolveram
a inovação nem a criatividade. O exemplo está no criador do blackberry, formado
num sistema de ensino tipo “college” ainda que formalmente e legalmente figure
como Universidade de Waterloo (2)
Há mais exemplos de tudo o que estamos a comentar, como por exemplo a
ação dos alunos de Introdução à Economia da Universidade de Harvard que no
passado mês de outubro de 2011 tomaram a decisão de se retirarem massivamente
da cátedra da sua matéria como protesto pelo conteúdo e o enfoque desde o qual
esta se ministrava. Eles criticaram “...a falta de conteúdo inteletual e a
corrução moral e económica de grande parte do mundo académico, cúmplices por ação ou omissão na atual crise
económica”.
O protesto teve como objetivo direto o conhecido economista Gregory
Mankiw, ex-assessor do ex-presidente George W. Bush e autor de um dos manuais
de macroeconomia mais utilizados nas escolas de Economia dentro e fora dos EUA:
"Principles of Economics". Numa carta dirigida ao seu professor optam
por abandonarem as aulas em apoio ao movimento “Occupy Wall Street”
Vem se vê que o mundo está revolto, que novos ventos se aproximam. Os
valores e paradigmas que até agora eram válidos estão começando a ver-se
obsoletos e ultrapassados. O sistema universitário formador dos dirigentes e
dos operários não está sendo eficaz nem de utilidade porque forma com
conhecimentos, matérias, práticas, valores, éticas e estéticas contrários ao
bem do planeta e da humanidade. Há metodologias novas que até agora não eram
consideradas mas por outra parte há matérias, conhecimentos, técnicas e
inclusivamente métodos ancestrais que estão sendo recuperados. Está-se pondo em
dúvida o chamado “método científico” tal qual se nos transmite e grandes massas
da população mundial estão optando por metodologias igualmente científicas mas
de mais longo alcance e de maior eficácia ainda que muito vilipendiadas pelo paradigma
tradicional porque põe em questão as mesmas raízes do poder aristocrático
atual.
O materialismo que formou milhões de dirigentes e operários durante mais
de duzentos anos, gerador de sistemas políticos ultrapassados e obsoletos como
o fascismo, o comunismo e o capitalismo está vendo-se substituído por um
acordar global e coletivo da humanidade que tem como valores fundamentais a
sustentabilidade, o ambientalismo, a ancestralidade em muitos casos e a própria
humanidade como sujeito e objeto do progresso, tanto físico, como moral, ético
ou espiritual. O cartesianismo morreu definitivamente tal como nos foi
transmitido e os seus seguidores não têm saída filosófica nenhuma para um mundo
como o que se nos aproxima. Só o acordar das consciências é a chave para o
futuro do ser humano. Neste contexto e atendendo ao tema relacionado com a
universidade, queremos dizer que defendemos a morte das universidades tal como
no-las deram a conhecer e aplaudimos a ideia da “pluriversidade” entendida como
um sistema de matérias e valores formativos e pedagógicos que atendem a imensa
pluralidade de saberes, de conhecimentos, de metodologias destinados à formação
dos indivíduos longe de poderes dominantes e aristocráticos, dirigidos a fazer
da pessoa um todo plural e adaptativo, com conhecimentos modernos e ancestrais,
naturais e artificiais, éticos, estéticos, materiais e espirituais. Esse
sistema de valores necessita uma nova forma de percepção e de expressão. Não tanto
desde uma praxe racionalmente pura quanto desde uma combinação de racionalidade e intuição, de prática lógica mas também analógica.
(1)Oficialmente
nenhuma Universidade vai reconhecer qualquer rechaço de qualquer aluno, mas
essa rejeição é indireta e subtil, bem por razões económicas (quem não tem
dinheiro não entra), bem por outras razões que só aparentemente não atentam
contra a suposta igualdade legal sobre a que se couraça o sistema.
(2) Há que clarificar que Mihail Lazaridis criador e empreendedor que
inventou o blacberry estudou na Universidade de Waterloo (Canadá). Esta nasceu
como “college” em 1955 e foi transformada em universidade em 1959 mas continuou
a funcionar como “college” mesmo quando ele recebeu a sua formação. Só por
razões administrativas e legais aparece como Universidade de Waterloo a
identificação deste centro de estudo mas o sistema de ensino, os objetivos e o
conjunto de elementos formativos são próprios dos “college”.
O facto de reintegrar a língua dos galegos
manifestava-se como uma urgente necessidade entre a maioria dos clássicos
galeguistas por motivos de utilidade prática e dignidade, isto é arrancar a
nossa língua das garras depredadoras dos políticos de Madrid de vinculação
castelhanista; outras vezes é um desejo de unificação do nosso território
quebrado, passando-se do linguístico ao político e falando inclusivamente de
temas tão à moda hoje como a incorporação do Berzo e outros territórios ao
território originário.
"Eu entendo que os nazonalistas galegos temos que chegar axiña a maor unificación posible sin mágoa do enxebre, entre o noso idioma i o portugués. Así o portugués lerase en Galizia doadamente acabando coa vergoña de que se nos ofreza polo intermedio do castelán o seu xenio."
António
Vilar Ponte
Pensamento
e Sementeira
Op. Cit. Pag. 257
"...no hay palabra netamente portuguesa que no sea netamente gallega y viceversa y que cuando en el portugués suena a extraño, para nosotros resulta extranjerismo o exótismo colonial. Quea opso facto trazado el camino que conduce a la anhelada unificación de las dos ramas de idéntico idioma"
António
Vilar Ponte.
Pensamento
e Sementeira
Op.Cit
152
“Pela gravitación inevitábel dum pasado
grorioso, por desbordantes semellanzas que non son casi que sempre ao
estudialas identitás, pola contextura interna que non acerta a diferenciarse
sinón pola acentuación do matiz, e, porque anque no nos entendamos nas verbas,
comprenderíamonos sempre escoitando o próprio peito n’haberá quem teña a
potestade d’impedir que por cima de
todas as fronteiras s’abracen a língoa galega e a língua portuguesa”
Manuel Portela Valladares
En
col da Língua Galega
Revista
Nós 1-Marzo-1923
“Os galegos non aspiramos a confundir
politicamente a Nosa Terra co Portugal rexido dende Lisboa (...). Pero dentro
de Portugal quedounos a mitade da nosa Terra, do nosso espírito, da nosa
língoa, da nosa cultura, da nosa vida, do nosso ser nacional”.
Afonso
Daniel R. Castelão.
Sempre
en Galiza
Pag
343
“A potencia era galega; a impotencia provén
da desintegración galaico-portuguesa”
A.Daniel
R. Castelão
Sempre en Galiza
Pág.
336
“ Calquer día afundese a inxenieiria
política e os portugueses e galegos volvemos a falar e cantar no mesmo idioma;
pero tamén se podem restaurar fronteiras que foron demoidas...”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág.
335
“...pero ainda é doado creer que, pol-as
mudanzas do mundo, se restaure a unidade galega, se non na sua integridade da
província romana ou no reino suevo, pol-o menos na do periódo cultural eu na
esfera da crítica literária se vem a chamar “galaico-portuguésa”.
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág.
227
“O território galego sigue dividido
politicamente pol-a fronteira que separa a Portugal da Hespaña...”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág
225
“As tres nacionalidades –Cataluña, Euzkadi e
Galiza- están tronzadas por fronteiras políticas, que dificultan a restauración
da sua unidade, e soio por un feito iolento sobre de Franza e Portugal, ou por
mudanzas de lindeiro (...) lograrian xuntarse os anacos dislocados das tres
nacionalidades”
Castelão
Sempre en Galiza
Pag.223
“A terra galega é, ao mesmo tempo unha
entidade étnica pero de dificultosa reconstrucción política, porque a fronteira
portuguesa róubanos a esperanza de anovar en breve a comunidade nacional dos
tempos suevos e visigóticos –com todo é doado esperar que o Bierzo e demais
comarcas limítrofes de Ourense e Lugo se incorporen ao seo da sua nación
natural; e o tempo –gran curandeiro dos erros hestóricos- posibilite a reconstrucción
total da nosa unidade. Non se pode creer que o río Miño, vello pai de Galiza
–representado na franxa azul da nosa bandeira- siga sendo un lindeiro
perdurable de dous Estados”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pag.
44-45
OUTROS
EXEMPLOS DE REINTEGRACIONISMO
A defesa do reintegracionismo tem como
sustento, para além do seu argumentário filosófico-linguístico, outro que tem a
ver com os exemplos anteriores. Na época dos clássicos botava-se mão do exemplo
neerlandês, quer dizer, do reintegracionismo entre o flamengo e o holandês do
qual também botou mão o nosso lembrado e saudoso Professor Ricardo Carvalho
Calero. A dia de hoje na Europa podemos constatar mais exemplos, como é o caso
do moldavo-romeno, do norueguês-dinamarquês, do albanês-cosovar, etc...
Eis
o que diziam no século XX os galeguistas:
“...y su
unificación (do galego e do português) es tan fácil, sinó más que la realizada
por flamencos y holandeses en el idioma común, que sólo se diferenciaba en la
ortografia y en algunos giros prosódicos”
António
Vilar Ponte
Pensamento
e Sementeira
Pag.
346
“Os flamengos usaban unha ortografia
diferente da d’os holandeses, as suas
línguas se4ran entre si tan semellantes como o galego e o portugués. Un día
chegou en que os partidarios do idioma flamenco tiveron que abandonar a sua
ortografia e admitir a holandesa para fazer mais eficaz a sua fala.
(...)
Cato mais tempo pase mais difícil será facelo pois a ortografia irase
arraigando coa gran riqueza de produción literaria galega”.
Johan
Vicente Viqueira
Pol-a Reforma ortográfica
A
Nosa Terra. Nº 43. Pág. 1
O ISOLACIONISMO NAQUELA ALTURA
O chamado isolacionismo também existia nos
começos do galeguismo nacionalista; não é novo hoje. No que se diferenciam os
de aquela época dos de hoje, para além da ortografia que eles empregam e ainda
empregam hoje, é na filosofia de fundo. Aqueles isolacionistas dos anos vinte e
trinta, conseqüentes com o seu galeguismo, não eram seguidistas das normas do
castelhano. Eles escreviam com uma ortografia fonética que poderia ser válida
para a nossa língua se esta fosse uma ilha no mundo das línguas, como é o
basco, por exemplo, mas hoje escrevem com a ortografia que Viqueira denomina de
“Vulgar”.
Os mesmos autores isolacionistas se decatam
que a ortografia empregada hoje nos documentos oficiais é a do castelhano. Isso
leva-nos a podermos definir esse isolacionismo de inconseqüente ou mesmo
seguidista do castelhano perante o qual se submete. O pior do assunto é que
nesta altura histórica não quer nem seocultar para quem tem olhos na cara,
obscurecendo-se com um argumentário capaz de convencer à gente menos preparada
do ponto de vista linguístico contando mesmo com o poder de estar presente no
ensino e nos média.
“Por desgracia a
ortografia portuguesa non é nada recomendabre. Como se be, a ortografia portuguesa
esta moi lonxe de merecere os onores da adoucêóm polos gallegos”
Aurelio Ribalta
A Nossa Terra nº 93
Pág 2
“Dixen en no número 93 de
ANT qe a ortografia portuguesa non e centifica nin sistemática e qe por ende, non bal a pena d´imitala.
Esta proposición miña leba
impricita esta outra: fai falla crerare unha ortografia gallega. A esto tendia
eu; a qe se fagan estudios serios para creala, pra que sallamos dunha bez da
rebolta morea de pedantes qe nos afoga”.
Aurelio Ribalta
A Nosa Terra Nº
96
Pag 3
“E perciso pensar en un-a
ortografia galega. Estamos nun periódo de rreboluzión, enke kada un eskirbe a
sua maneira e iso nin pode segir, si se llá dar forza o noso idioma ¿Ken se
mete adeprender un-a lingua ke pola sua anarkia ortografika bolbe parbo o ke a
eskirbe?
Ortografia fonétika.
Xosé Palazios
A Nosa terra nº 100 Pág 2
Contrariamente a isto, os que poderíamos chamar
reintegracionistas (e estou empregando uma terminologia atualizada) que são
maior número, argumentam em favor da unificação galego-portuguesa que isolar-se
é morrer e é não viver no mundo.
“Teño unha razon
fundamental contra a ortografia fonética: Admitindoa apartaria-mo-nos do mundo
lingüístico inteiro. !E isolar-se é morrer! Sobre todo isolariamo-nos do
portugues. O galego non sendo unha língua irmá do portugués senon un portugués,
unha forma do portugues (como o andaluz do castelán), ten-se que escribir pois
como portugués. Vivir no seu seo é vivir no mundo; !é vivir sendo nos
mesmos!Escribindo c´a nosa ortografia etimológica (admitida po-la nosa
Academia) escribimos cuase como en portugués.
Po-a reforma ortográfica
Johan Vicente Viqueira
A Nosa Terra Nº 102 Pag 2
Veja-se que a Real Academia Galega admitia a Ortografia
etimilogica, cousa que nom fai hoje; veja-se assin mesmo que Viqueira utiliza o
traço em palavras como “isolariamo-nos” “isolar-se”, etc.
“A ortografia etimológica
debe se-la nosa. Nos é preciso estudala. ¿Como?. Aprendendo a escribir en
portugués”.
Da renascenza linguística
J. V. Viqueira
A Nosa Terra Nº 77 Pag 5
“Prencipalmente no que se
refire a ortografia foetica, con ista ortografia ninguan estranxeiro poderá
traducire as cousas galegas”.
Iglesia Roma.
A Nosa Terra Nº
94
Pag 3
“A ortografia galega de
hoxe é a ortografia castelán aplicada por corrución á nosa língua. Teria, pois
de se modificare”.
Florencio Vaamonde.
A
Nosa Terra Nº 94 Pag 3
“E derradeiramente temos
forzosamente que reformar a ortografia. Unha delas é a fonética: ésta ten o
inconveñente de que en Galicia hay moitas fonéticas, algunhas ainda
descoñecidas, e que nos ailla do resto do mundo, sobre todo, do portugués, pois
nen este nen ningunha outra lingua escribese hoje foneticamente. Deixando a un
lado ésta, temos ainda duas ortografias: a vulgar, usada por Rosalia de Castro,
Curros, Carvajal e hoje usualmente, e a academica ou etimológica, admitida
sabiamente pol-a Academia Galega, emprega por Pondal e en gêral, pol-os
eruditos.
Nosos problemas
educativos.
J.V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 62
pag 4
DIFICULTADE DO GALEGO CORRECTO
Os isolacionistas dizem contra a versão reintegrada da nossa
língua que é dificultosa, pois muito diferente da utilizada pelos média, pelo
ensino e pelos documentos oficiais.
A isto atualmente responde-lhe-íamos dizendo...
1º) Outros povos utilizam a norma própia da sua língua sem
decalques nem submissões embora tenha existido um idioma mais poderoso como
língua A durante muitos séculos. (Catalunha, Euzkadi, Irlanda, etc)
2º) A utilização da norma castelhanista em galego é síntoma do
submissão línguistica e de aceitação duma diglóssia que marca uma tendência
substitutiva.
3º) Nenhuma norma é difícil se esta se aprender
convenientemente. Não são mais inteligentes os nenos irlandeses, bascos ou
catalães do que osgalegos por
apreenderem líinguas e normas diferentes do inglês ou do castelhano.
Poremos o exemplo do ocitano. A maior parte da gente nesse
país, não estuda ocitano mas francês. Ali têm o francês como língua de poder e
o idioma pátrio está na categoria já de “patois”. Se uma pessoa do povo quer
escrever a palavra que em occitano significa “Cão” não escreveria como
corresponde à sua língua, mas com à francesa, isto é: “Tchou” que lhe há de
parecer mais viável, do que “Chu” que seria o correcto. Em qualquer caso essa
palavra pronunciar-se-ia (t∫ W).
Isto já se discutia entre os clássicos galeguistas.
“Mais esta ortografia é dificil ja
que o galego non se ensina na escola”.
Pol-a reforma ortográfica
Johan V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 102 pag 2
“Certo, non podemos d´un
golpe introducir unha ortografia â que non estamos habituados. Pol-o momento
debemos aceptar a ortografia erudita, etimológica, o que será un gran paso.
Mais conseguido esto,
precisamos continuar a nosa obra e camiñar pra a total unificación da
ortografia galega e potuguesa. Asin introduciremos a NH pol-a Ñ, a LH pol-a LL
e outras modificacions que o leitor poda adiviñar fácilmente. Fara-se isto
primeiramente n`as publicacións eruditas, científicas, depois, n´os populares”.
Pol-a reforma
ortografia
Johan V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 43
Pag 1
A MODO DE CONCLUSSOM
Há que salientar que todos os autores que escrevem as citas
expostas neste trabalho não são lingüístas, mas afirmam umas cousas às que se
chega não o sendo precisamente. Chega com ter os ouvidos salutáveis. Os lingüístas
por outra parte também chegaram à mesma conclussão mas dando a argumentação
válida que o tema precisa e confirmando a intuição de todos os nossos grandes
personagens.
O facto de os nossos galeguistas utilizarem a versão
castelhanizada explica-se por estarem eles alfabetizados na língua oficial do
Estado por uma parte, por não terem conhecimentos científicos de língua e por
um salientável interesse pedagógico ao
saberem que se utilizarem a norma válida não poderiam ser facilmente acessíveis
ao povo que os lê. De qualquer forma, vê-se também que os mais cultos e
eruditos como é o caso de Viqueira, chegam a
aproximar-se mais do que outros ao desejado por eles próprios, muito adiantados para aquela época,
empregando G, J, e X de forma etimológica e até escreve com Ç.
“Nom pode supôr canto
ll`agradezco a sua atención, agás do meu persoal sentimento de gratitude,
tamém, pol-o qu´eu admiro a sua produçom poética...”
Borrador da carta
de Viqueira a Teixeira de Pascoães agradecendo-lhe o envio de livros por meio
de Cebreiro.
Depois da morte de Viqueira publica-se o seguinte texto...
“Johan Viqueira, Noso
Grande Morto”
“Paresce como si a Galiza
tivera a mala fada de perder seus filhos melhores. No pequeno cimiterio
de Ouces, nas doces e tenras marinhas de Betanzos, repousa ja para
sempre endejamais o gran poeta Johan Viqueira, cando a sua vida escomenzaba a
florire. (...)
Revista Ronsel. Pag
14
Do Nº 2 do Mês de
Junho de
1924
Está muito presente entre o comum adia de hoje e também
naquela altura de que o elemento que marca a diferença básica entre galego e
português é a ortografia. Segundo nos tem comunicado muitas vezes o nosso
prezado lexicógrafo galego Isaac Alonso Estraviz, o 95% das formas léxicas
galegas são comuns e ainda outras não registadas até agora em qualquer
dicionário português são formas dialectais ou formas populares existentes em
Portugal. Algumas são por exemplo a segunda forma do artigo, comparativo com
”mais ca”, S final nos perfeitos de indicativo, formas em CA envez de QUA, etc...
o que não é motivo para considerar como diferentes línguas falas ao Norte e ao
Sul do Minho.
Há autores que falam de língua galega e de língua portuguesa e
poderia parecer desde o ponto de vista atual que ao falarmos assim poderíamos
considerá-las línguas diferentes; o que acontece é que nos anos do surgimento
do galeguismo, as ciências da linguagem não tinham muito claro o conceito de
língua e por outro, a pouca ou nula preparação lingüística dos nossos
galeguistas que empregam a sua terminologia de forma inexata muitas vezes.
Vemos portanto que quando houve a necessidade de aplicar um
mínimo trabalho científico surgiu o reintegracionismo na praxe. Quer dizer,
acabou-se por levar à realidade escrita uma teoria que vinha de muito atrás. O
que não é lógico e talvez também não seja ético é que gente que se
auto-proclamam como científicos da língua façam uma norma como a ensinada hoje
nos centros de estudo, a usada nos média e a utilizada nos centros
administrativos. Só o explicaríamos por vinculações políticas espúreas e por
necessidade de defender os seus postos de trabalho em origem. A dia de hoje, a
inercia dos acontecimento e o peso de quase trinta anos de insistência faz mais
amplo este leque e mesmo acreditamos na bondade de muitas pessoas que têm fe noque lhes ensinam, as suas
ocupações não se encaminham para assuntos linguísticos e não têm porque
entrarem nos assuntos muito ocultos e nada publicitados dos assuntos da língua.
Os anti-galegos (já não anti-galeguistas) quereriam que não
existisse uma língua que os galegos pudessem ter como fruto do seu génio e se
por qualquer circunstáncia tivessem tolerá-lo, prefeririam descafeiná-lo quanto
mais melhor. O resultado é o que temos temos. Algo que se pode vender aos
galegos como un producto light que não põe em perigo a hegemonia do castelhano
e impõe-nos a nós a máxima da divisão.
Pretender
que na Galiza, tendo uma língua própria (o galego), mantenhamos sinalização em
castelhano é xenofobia e nacionalismo espanhol.
Explico:
Um espanhol que não empregue o galego pode comunicar-se
igualmente com a administração em castelhano. Não vou entrar em se isto per se
é justo, porque num Estado democrático a sério, eu deveria poder entregar
documentos oficiais em galego na Crunha, em
Madrid ou em Valência. Claro que o do plurilinguismo a Espanha não o leva nada
bem...
Um espanhol que não empregue o galego segue podendo
entender praticamente todo o galego escrito. Ou isto é certo ou o resto de
espanhóis padecem qualquer tara mental, argumento que é racista e portanto fica
descartado. Ou eu sou muito listo e entendo 90% de catalão ou asturiano sem os
ter estudado na vida, que também pode ser!
Se eu sou galego e falo galego com galegos, a nossa
língua comum é o galego. Portanto, o castelhano não é a língua comum de todos
os espanhóis, porque eu tenho nacionalidade espanhola desde o nascimento e não
utilizo o castelhano com galegos nunca. Não é a minha língua em comum com o
resto de galegos. Por que então o castelhano tem esse falso status de língua
comum? Há línguas melhores e línguas piores? Noutro caso, não se explica. A não
ser que voltemos à teoria da tara mental, que acordáramos que é um argumento
racista porque põe o resto de espanhóis como "marcados" genética ou
culturalmente ou qualquer cousa do tipo.
Portanto, se temos um hipotético Estado que garante
que um cidadão qualquer se poda comunicar com as instituições na sua língua
oficial de preferência, não entendo onde está o problema de termos diferentes
línguas de coesão social. A ver se vai ser que o nacionalista não sou eu...
Existem pessoas que se zangam por não perceber qualquer
cousa num sinal por não estar em castelhano? Curioso: não se zangam quando saem
do Reino da Espanha. Portanto, não existe um problema de incomodidade causado
pola incompreensão, mas um problema político: se a Galiza ou a Catalunha fossem
Estados independentes desde há séculos, toda essa gente que se molesta fecharia
a boca. Exatamente igual que fazem quando não entendem a sinalização da City de
Londres. No caso da Galiza, ainda o têm mais fácil: dizem «galleguiño, ¿qué
pone ahí?» e como todos os galegos aprendemos castelhano por imperativo
constitucional, podemos responder. Se a petição é educada, evidentemente.
Devemos portanto manter sinalização em castelhano
porque outros espanhóis sintam hostilidade pelas línguas diferentes dessa?
Devemos manter letreiros em castelhano porque, no Reino da Espanha, a xenofobia
se bebe com o café da manhã e se come com a fruta da sobremesa? Estou certo de
haver muitas pessoas que, sem falar galego, nunca se sentiram nem se sentiriam
molestar por ver que, em troca de "Centro Ciudad" põe "Centro
Cidade". Ou "Centre Ciutat" ou como se escreva na Catalunha.
Portanto, manter um uso social do castelhano num
país com língua própria, o galego, é legitimar a xenofobia dos espanhóis hostis
ao resto de línguas.