domingo, 6 de outubro de 2013

Algumas notas sobre a substituição linguística




Por Marcos Celeiro

O problema linguístico que na Galiza produz a pressão do castelhano é o processo de substituição (avô; abuelo). Um processo nefasto. Ora bem, não só existe essa substituição direta, há outra indireta mais perigosa por ser menos visível, portanto menos reversível, o processo de hibridação linguística:
1 - Processo espontâneo de hibridação no léxico:
Hibridação por adaptação do castelhano:
carretera ; carreteira (estrada)
rodaja ; rodaxa (rodela, fatia)
conllevar ; conlevar (implicar)
alejar ; alonxar (afastar)
Substituição de significado total:
largo (dimensão transversal) ; longo (dimensão longitudinal) [o largo original agora é ancho]
roxo (roxado no fogo) ; vermelho (outra cor)
aportar (chegar a porto) ; aportar (contribuir, achegar)
contestar (opor-se) ; responder (uma pergunta)
Substituição de significado parcial (degrau da palavra galega):
cheiro (odor) ; cheiro (fedor) ≠ olor
escada (escadaria) ; escada (escada de mão) ≠ escaleira
cobertor (colcha) ; cobertor (colcha velha) ≠ manta
vassoira (de varrer) ; vassoira (de giestas) ≠ escoba
2 - Processo programado (premeditado pela RAG-ILG) de hibridação no léxico:
Neologismos adquiridos diretamente em castelhano:
té (cas.) ; té (gal.), e não chá
pavo (cas.) ; pavo (gal.) e não peru
disco duro (cas.) ; disco duro (gal.) e não disco rígido
ordenador (cas.) ; ordenador (gal.) e não computador
Neologismos galeguizados desde o castelhano:
grapa ; grampa, e não agrafo
bujía ; buxía, e não vela de ignição
comillas ; comiñas, e não aspas
jabalina ; xavalina, e não dardo
Neologismos incorporando um significado castelhano desnecessário:
cumbre ; cúmio (cimeira)
huelga ; folga (greve)
cuenca hidrográfica ; cunca hidrográfica (bacia hidrográfica)
bodega do navio ; bodega/adega do navio (porão)

[Atualmente há pessoas no isolacionismo cientes deste problema e que defendem com fervor os antes «perigosos lusismos», mas depois de 30 anos consolidando esse léxico castelhanizado...]


3 - Processo de hibridação fonética:
Perda da prosódia.
A prosódia é o ritmo e musicalidade com a que articulamos a fala. A característica de abrirmos ou fecharmos de forma exagerada as vogais da sílaba tónica e fecharmos o resto está a mudar para uma prosódia castelhana onde a sílaba tónica só é mais forte e não há variações de abertura.
«O pequeno e a pequena tinham medo», cada vez se diz menos «u piKÊnu i a piKÊna TInhâ~ MÊdu (ou MÉdu)» e se diz com o ritmo castelhano, e sem fechar as sílabas átonas.
Perda da nasalidade.
Além das particularidades dialetais do galego oriental (ditongos nasais e vogais nasais finais), em todas as variantes da Galiza os M e N a final de sílaba são um N nasal, e essa nasalidade «tingue» a vogal que a precede se for fechada. Por exemplo, o A de «ambiente» é diferente em galego e em castelhano. A incorreta abertura da vogal ou a pronuncia desses N nasais como M ou N, «mata» este tipo de nasalidade.
É um excelente exemplo a diferença fonética em galego de «Em Ares» / «Henares» que em castelhano não existe.
Perda da abertura das vogais, ou confusão da mesma.
Cada vez é mais neutra a distinção ô/ó, ê/é, chegando a desaparecer completamente já em muitas pessoas a do â/á. Se pedimos aos galegos de digam «Europa», só uma minoria dirá «Európa» ou «Eurôpa», ficando a maioria com a pronúncia que constantemente ouvem em castelhano ou em na fala da tvg. Constante interferência destas pronúncias alheias com vocais neutras, e na tvg até incorretas, também produz que quando se querem pronunciar «à galega» as palavras, muitas vezes o falante já não sabe se abrir ou fechar.
Outro exemplo é que se está a perder a alternância da abertura na flexão verbal (cômo, cómes, cóme,..) e cada ve é mais frequente ouvir «Éu cómo móito».

Perda de alternâncias fonéticas ainda vivas na Galiza, mas não existentes em castelhano.
Como o B/V, S/Z, X/J, etc. que longe de ser recuperadas, prestigiadas, ou incorporadas na ortopeia, são negadas e «corrixidas». São fenómenos perigosos para os «argumentos filolóxicos», portanto em processo de extinção.
O caso mais espetacular é o extermínio do sesseio, maioritário quanto a dimensão territorial e quanto a dimensão demográfica.
Constante degradação fonética cara uma harmonização cara o castelhano.
A influência da fonética castelhana introduz modificações fonéticas que logo se tornam morfológicas, e longe de serem evitadas, são «legalizadas»
As amplamente conhecidas -çom ; -ciom, -som ; -siom , -tom ; -tiom, -xom ; -xiom, nunca foram vistas como castelhanismos polo isolacionismo. Sim viram e corrigiram os -ais ; -ales, e nos últimos tempos até introduziram alguma «excepzón» e timidamente agiram com os -ble, -icia, -encia, -ancia,... O caso dos «animales» recuperados para «animais» indica que estes processos SIM SÃO RECUPERÁVEIS quando há vontade desde a «filoloxia». Mas essa hoje permite e contribui para essa degradação.
Depois, evidentemente há degradações fonéticas espontâneas: igualdade ; igualdá, falado ; falao, parede ; paré,... influenciadas pelo castelhano. Nada tem a ver o correcto ; correto com o correcto > correzto.
Castelhanização fonética na sílaba tónica
limite ; límite
magia ; mágia
regime ; réxime
E já total nos neologismos ou cultismos recuperados pelas instituições linguísticas autonómicas: policía (polícia), democrácia (democracia), neón (néon), cerébro (cérebro), ...
[Os paleofalantes consolidados apenas perdem estas características, mas há que ter em conta que os meninos com a nossa língua como L1 materna, são escolarizados, e isso produz graves interferências, e não estou a falar do contacto com companheiros castelhanofalantes, senão do «bem que ensinam galego» essa imensa quantidade de inúteis que dizem ser professores.]

4 - Processo de hibridação morfo-sintática:
Na construção dos sintagmas:
«Vou comentar» ; «Vou a comentar»
«Comento isto ao Filipe» ; «Comento-lhe isto ao Filipe»
«Daqui não te escuto» ; «Desde aqui não te escuto»
«Escrevo para te convencer» ; «Escrevo para convencer-te»
Nos usos verbais:
«Se a Galiza fosse independente,...» ; «Se a Galiza fora independente,..»
«Nós para sermos normais,...» ; «Nós para ser normais,...»
«No caso de serem responsáveis,...» ; «Em caso de que sejam responsáveis,...»
«Bebeu todas as cervejas» ; «Bebeu-se todas as cervejas»
No significado das construções:
Por cierto ; Por certo («Aliás» ou «por verdadeiro»?)
Sin embargo ; Sem embargo («porém» ou «não embargado»?)
Más bien ; Mais bem («antes» ou «mais bondade»?)
Na estrutura das construções:
«És o Filipe? Sim, sou» ; «És o Filipe? Sim.»
«Dos meus irmãos sou o mais velho» ; «Dos meus irmãos sou o maior»
«Aos sábados vou de farra» ; «Os sábados vou de farra»
[Para mim isto é hibridação: léxico galego + estrutura castelhana. Não substituição linguística. Uma hibridação já tão enraizada nos falantes L1 (galego espontâneo) como o mítico «bueno».]
Muitas destas hibridações que anteriormente comentadas, no atual discurso dominante dos linguistas (linguicidas!) da oficialidade são consideradas «evolución natural». Existiria essa "evolução" sem a interferência do castelhano?
Se por arte de magia amanhã desaparecer o castelhano na Galiza e qualquer interferência dele, realmente está arranjada a questão linguística? Ficaria no galego «não substituido» uma língua sem nenhum problema? Um galego puro «não crioulizado»?
Isto é muito mais destrutivo que o uso que dizer abuelo, dios, bueno, pueblo, etc, que se tem demonstrado como é possível recuperar as formas corretas avô, deus, bom, povo, etc.


sábado, 28 de setembro de 2013

Obrigado!!




ULTRAPASSAMOS AS 100.000 VISITAS.

OBRIGADO!!!


Queremos agradecer a todos os amigos e seguidores do DTS a sua fidelidade e o seu interesse por esta nossa página. São já três anos nos que o nosso blogue está tentando fazer acordar do sono a todos aqueles que quiserem ser despertados. O nosso agradecimento é máximo, a nossa vontade de continuar está viva e a nossa alegria por termos a felicidade de ter feito com certa eficácia o nosso labor consciencializador e transmissor daqueles elementos relacionados com a nossa língua, com a nossa história história e com o nosso povo que são menos conhecidos, ignorados, ocultados, manipulados ou simplesmente censurados. Obrigado a todos! De agora em adiante começamos uma nova etapa. Vamos pelos 200.000!!!


Um forte abraço.


A equipa do DTS

domingo, 22 de setembro de 2013

Roteiro pela Braga Sueva

Pela Equipa do DTS:
  
Em Facebook
O sábado 12 de Outubro o DTS juntamente com o Ateneu de Ourense organizam uma viagem-roteiro a Braga Sueva com o fim de visitar lugares emblemáticas deste etapa histórica na que a cidade bracarense foi a Capital da Galiza. O programa e os lugares a visitar sao os seguintes:



Programa (Em hora Oficial Portuguesa. Mais uma hora no Reino)

10:00: Combinacao de toda a turma na Estacao de Caminhos de Ferro de Braga.
10:30: Visita a igreja sueva de Sao Frutuoso de Montélios
10:50: Visita ao Túmulo de Sao Martinho de Dume
11:15: Visita a fonte do Idolo ( +\- 2€)
11:45: Visita ao Museu Diogo de Sousa de Braga (+\- 3,50€)
13:00: Visita a Santa Marta das Corticas (Restos do Palácio Real Suevo)
13:30: Comida em Santa Marta das Corticas no palácio Real Suevo
15:45 Visita ao Castro de Briteiros ( +\- 3€)
17:30: Visita ao museu Morais Sarmento, Briteiros

Cada um leva a sua comida. Preparados para andar um bocadinho por isso levamos roupa e sapatilhas adequadas. Preparados para a chuva...

Organizacao:
barbosa_gz@hotmail.com
0034 637-48.47.33



domingo, 15 de setembro de 2013

Crónica do Roteiro pelas Origens de Ourense





Equipa do DTS:

O passado dia 6 de Agosto, o DTS organizou juntamente com o Ateneu de Ourense um roteiro pela cidade das Burgas com o nome de “Roteiro pelas Origens de Ourense”. O público respondeu muito bem à convocatória com uma assistência de aproximadamente umas setenta pessoas que muito atentas atenderam às informações fornecidas por nós.

A combinação inicial fez-se na atualmente (mal) chamada (e mal escrita) “Praza Maior” que nós denominaremos de hoje para sempre com o seu nome tradicional de “Praça do Campo” onde está situada a Câmara Municipal ou Casa do Concelho. A escadaria da Igreja de Santa Maria Madre foi o lugar mais acaído desde onde começamos a indicar o objetivo do roteiro, o caráter do mesmo e os lugares pelos que iríamos passear, sempre tendo em conta que esta atividade não era um roteiro pelo Ourense artístico, que bem poderia ser pela grande quantidade de elementos arquitetónicos de grande valor da cidade, mas um roteiro histórico onde falaríamos dos lugares onde nasceu a cidade de Ourense e desde onde se desenvolveu no transcurso dos séculos.

O primeiro local que visitamos foi o das Burgas, onde saim as famosas águas quentes da cidade ao pé da Via Romana que unia Braga com Lugo, as duas capitais da antiga Gallaecia ocidental. Visitamos a Praça do Campo (atualmente “Praza Maior”) onde há quem supõe um assentamento campamental romano cujo Pretório era o que atualmente é o Museu de Ourense, fechado ao público e quase sequestrado desde há mais de doze anos, local onde deverião estar um importante número de peças históricas e artísticas provenientes dos castros mais importantes da região ourensana.

Falamos do Ourense romano para continuarmos com o Ourense suevo, capital do Reino da Galiza na etapa final desse período germânico e desde onde se levou a cabo a segunda conversão ao catolicismo da Galiza da mão do Rei Carriarico, quem querendo salvar ao seu filho da lepra fez oferenda ao São Martinho de Tours para conseguir a sua curação. Uma vez conseguida esta o agradecimento manifestou-se com o levantamento duma Catedral na sua honra onde hoje está a Igreja de Santa Maria Madre convertendo Ourense numa Sé episcopal de grande importância dentro do Reino. A chegada dos razzias andalusis e viquingues destruíram a velha Catedral que não pôde ser reconstruída até que o Bispo Recímero a partir de 1085 tem capacidade para poder fazê-lo a uns metros de distância da antiga.

Como o assunto tratava das Origens de Ourense, nós ficamos aí, mas com o intuito de continuar com novos roteiros históricos nos que possamos conhecer o transcurso e as vicissitudes da nossa cidade através da história. Foi pedido e no seu dia faremos.

Obrigado a todos e a todas.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Catalunha-Valência e Galiza-Portugal....




Por José Manuel Barbosa

Vendo o video que apresentamos, ocorrem-se-nos algumas cousas que indicamos a seguir:


1-Defensores da ideia de galego e portugues serem duas línguas diferentes, há na Galiza. Essa gente está apoiada pelo partido que tem nas suas maos o poder político, mas também pelos que exercem a oposicao e ainda por muitos que se dizem nacionalistas... Em tempos eram muito agressivos... hoje sao muito mais calmos porque nestes últimos 30 anos os reintegracionistas levamos trabalhando muito com paciencia, fazendo-nos perceber apesar da falta de informacao, contra um ensino que deforma, contra a falta de democracia real existente no nosso ambito político... por isso somos mais aceites e por ser a maldade da praxe política linguística do poder muito evidente...


2-Associações "blaveras" como a que nos apresenta o vídeo também há ou parecidas. A diferença entre elas é que "Lo Rat Penat" defende o "valenciano" como língua diferente mas a "GB" defende simplesmente a morte do galego e a supremacia social, legal e política do castelhano.
3-O racismo antigalego também é real em territórios muito vinculados a nós como é a Astúrias. Quando por termos pertencido ao mesmo espaco histórico-político e geo-estratégico deverião e deveríamos sentir um vínculo maior. Nisso nós compararmo-nos-iamos aos catalães. Nós pessoalmente temos vivido situações de desrespeito, de maldade, de acosso e de racismo em Astúrias da mesma forma que muitos catalães sentem em Valência. Por outra parte o sentimento de racismo anti-português também se deixa sentir em determinados elementos da sociedade embora neste caso essa realidade tende a desaparecer. Quando eu era neno ou mesmo adolescente entre certa classe de pessoas a palavra "português" era insultuosa... Hoje essa palavra não se usa embora o galego se aproximar ao português seja um descrédito e um desmerecimento.
4-A fundamental diferença é que a Catalunha tem consciência e conhecimento de que Valência é parte cultural e historicamente política do seu pais.... cousa que Portugal não tem na mesma medida com respeito à Galiza. Catalunha luta por uma Valência próxima mas Portugal não luta por uma Galiza próxima ainda tendo um Estado independente que não exerce a sua independência. Outra cousa é o povo português grande prejudicado pela situação, igual do que o povo galego. O Estado português não merece o grande povo que tem... Outra diferença é que os média catalães apresentam ao povo catalão um conflito real que apresenta um problema existente em Valência com a língua comum a ambos povos duma visão sociolinguística que visa compreender a realidade, com amor, proximidade, perplexidade e com a vontade de que isso não deveria acontecer, mas o tratamento que Portugal (não) faz, não é pedagógica na mesma medida com o mesmo problema na Galiza. A causa pela qual Portugal não age na mesma medida pensamos que é por submissão e medo real de Lisboa a Madrid. Portugal tem a sua independência desde há mais de 800 anos e poderia agir livremente, não faz isso... mas a Catalunha que ainda não conquistou a sua independência age de forma mais livre, independente e mesmo digna do que o Estado Português. Insisto em que outra cousa diferente é certa inteletualidade portuguesa positiva com a Galiza ou o próprio povo português que quando toma contato com a realidade galega desseguida sente a solidariedade e a irmandade obrigada e necessária nestes casos... exceto alguns personagens com deficiências educativas ou inteletuais que também por sentimento de inferioridade gritam "Viva Madrid" ou apoiam infelizmente o iberismo como solução para o seu país.
5-No Reino há um tratamento racista contra os galegos. Para os nacionalistas espanhóis mais conservadores, (não incluo os "gallegos" evidentemente),  os galegos são parvos porque são humildes e trabalhadores mas também faltos de inteligência, defetuosos de raiz, ambíguos, faltos de sinceridade, tontos e submissos... Se os espanhóis são de pensamento político "progressista" ou de "esquerda" também para eles os galegos são parvos por apoiarem um governo tão evidentemente anti-galego e mesmo chegaríamos a partilhar o resto das "qualidades" caraterológicas que se nos atribui. No entanto não conheco semelhante tratamento contra os valencianos. Eles não são parvos para o indivíduo "cañí" de nenhum ponto de vista... apesar de terem o mesmo poder assentado no Pais Valenciano e nas mesmas condições políticas desde há quase o mesmo tempo do que na Galiza, apesar de o povo sofrer as mesmas doenças socio-psicológicas de auto-ódio, de falta de identificação com o seu ser histórico, geo-estratégico, linguístico, cultural e étnico, por não falar da realidade corruta e caciquil do seu poder político apoiado por um eleitorado de inteligência similar e com um mesmo grau irresponsabilidade.

6-Se o assunto é tão similar é que está cozido na mesma cozinha...Onde está essa cozinha? Em Compostela? Na cidade de Valência? Achamos que não. Achamos que está em Madrid... e a gente que sofre este tipo de experimentos psico-sociológicos que visam destruir uma realidade nacional como a galega ou a valenciana são gente mentalmente debil que nem tem consciência, nem quer saber, nem leva o esforço de pensar..



domingo, 1 de setembro de 2013

O auto-ódio, a ignorância e o não saber por onde andamos



Por José Manuel Barbosa


Tinha eu uma aluna em Moinhos, filha dum emigrante galego em Madrid. O pai (nem a mãe) desta nena não ve(m) a necessidade de lhe transmitir(em) à sua filha um valor tão importante para o equilíbrio psicológico da rapariga como é o sentimento de pertença a um grupo humano determinado como é o povo galego, porque o sentimento de arreigo não dá comer...ou pelo menos isso é no que acredita(m). Se a isto acrescentamos que nem nas escolas da Galiza isto se ensina, pois estas estão para deformar, não para formar nem para informar....temos o quadro feito.

  • Donde é o teu pai, minha nena? -Perguntei para ter conhecimento saído das minhas necessidades laborais-.
  • O meu pai trabalha em Madrid -Disse-me ela-.
  • Sim, mas é de Madrid ou está em Madrid? -Insisti-.
  • O meu pai não é de Madrid, mas trabalha em Madrid -tentou evadir-
  • Onde nasceu? -teimei-
  • Nasceu na Franç


Eu estava a ver que aquela conversa não me dava a informação requerida, pelo que fiz a pergunta doutro jeito...
  • Como é que se chama o teu pai?
Ela deu-me o nome do seu pai com dous nomes de família galeguíssimos sem qualquer dúvida e respondi:
  • Esse nome que me das não é um nome francês...
A nena tentando evitar informar-me da realidade de o seu pai não ser francês mas duma freguesia determinada do Concelho de Moinhos na Baixa Lima respondeu:
  • Mas ele é francês porque nasceu na Franca...
Finalmente deixei de inquirir e procurei a informação por outra via...

O objeto desta pequena estória, infelizmente real, é salientar a falta de autoestima evidente e tangível na nossa população. Se a isso acrescentamos manifestações públicas nos média do Reino como a de Rosa Díez no seu dia ou o do ex-Presidente castelhano-catalão da Generalitata de Catalunha, José Montilla; se observarmos como estão estendidos os grupos e grupúsculos que defendem a eliminação da nossa língua do nosso Pais; se vemos como um Conselheiro de Cultura dum governo galego solta com total tranquilidade mas também com total impunidade que “a cultura galega limita e é um obstáculo para o desenvolvimento da Galiza”... posso mesmo chegar a perceber que haja alguém tão inocente como uma rapariga de dez anos que diga o acima exposto e mesmo chego a perceber que haja quem mantenha a inclusão no dicionário da RAE do verbete “galego” como sinónimo de “parvo, tonto”...

Se a isto acrescentamos que a nena de hoje há de ser uma mulher de amanhã, teremos a equação que nos permita perceber a razão da existência de entidades associativas como a GB ou pessoal como os seus dirigentes.
Essa é a imagem que o Reino dá de nós e somos nós quem via escolar acertamos a introjetá-la e a acreditar mesmo que isso é assim inquestionavelmente.

Os responsáveis da RAE não vão mudar até que os façamos mudar por obriga e a minha aluna vai mudar se der com um professor que lhe fizer ver que as cousas não são assim. O pior é que não é fácil nem permitido transmitir a uma aluna a informação necessária com total liberdade, cousa que de o tentarmos teria um custo psicológico e laboral importante, pois o ambiente no ensino primário no que esta aluna estava no momento dessa entrevista, está muito enrarecido por haver pessoal mal formado, desinformado (também mal intencionado) e mesmo pessoal que acredita nisso mesmo, fazendo com que a transmissão pedagógica que recebe a nena seja aquilo que ela está a reproduzir comigo.

A aluna manifesta o que lhe ensinam na casa e na escola mas se na casa não se dá mais e na escola se reforça, o assunto torna-se difícil de solucionar. E se algum professorado é bom e conhecedor da fórmula para fazer dessa nena uma pessoa equilibrada psicológica e pessoalmente, com a autoestima necessária para ir pela vida valorizando o seu ser, outro professorado com o que ela conta resulta nefasto, transmissor de todos estes vícios quase medievais e ideologicamente próximo a um poder que legisla desde Madrid ou desde Santiago de Compostela para que o ensino funcione assim. Curiosamente este último tipo de professores sempre têm bastante poder nos centros de ensino, enquanto os primeiros quase nunca estão em postos de decissão e quase sempre acabam tendo problemas. Um que sabe disso algo...

Quem lhes ensinou o facto de que ser galego ou galega é pertencer a um povo cuja história em nada tem a invejar a outros povos poderosos e hegemônicos historicamente? Quem lhe disse que somos pertencentes a uma família de povos atlântica e céltica? Quem lhes contou que a Galiza foi a Califórnia de Roma? O primeiro Reino medieval da Europa? O primeiro Reino independente de Roma ainda existindo esta...Quer dizer, o povo que inaugurou a Idade Média! O que marcou o começo dessa idade histórica... A Galiza marcou a história medieval de Península Ibérica, o primeiro em celebrar umas Cortes parlamentares antecessoras do parlamentarismo democrático europeu, tal como o conhecemos hoje... Segundo a Professora da Universidade de Cambridge Evelyn Stefanos Propter no seu livro Curia and Cortes in León and Castile 1072-1295”. Foram em 1077 em Tui as primeiras Cortes da Europa, mas se nos referirmos ao que se transmite no ensino oficial do Reino, de ter sido Leao em 1088 também seria válida a afirmação, porque Leao naquela altura era a capital do Gallaeciense Regnum...
Foi a Galiza, o segundo Reino europeu medieval que levou a cabo uma revolução burguesa, as Revoluções Irmandinhas (1431-33 e 1467-69), muito antes do que a Revolução francesa (1789), antes do que a americana (1776), antes do que a inglesa (1642) e antes do que a holandesa (1568) e posterior as guerras Hussitas em Boêmia (1419); foi a Galiza considerada um dos tres imperios medievais, nomeadamente Bizancio, Sacro Império Romano Germanico e a Galiza; foi a Galiza uma das mais importantes potencias económicas da Idade Média; o primeiro território da Europa livre dos exércitos napoleónicos pelos seus próprios esforcos e sofrimentos, levando a Grande Armée em fugida livre por todo o norte da península até São Marcial da mão so General Freire de Andrade. Os exércitos galegos organizados pelos governo galego (Junta do Reino da Galiza sediada em Lobeira, Baixa Lima) independente de facto durante os anos da ocupação, tiveram de ser freados na perseguição aos franceses porque já chegaram a Gascunha...; Galiza tem a terceira língua da humanidade junto com o ingles e o espanhol e com licenca do mandarim (que nao é exatamente a língua de todos os chineses nem é falada por todos os Han)...
Bernaldo Gonçalves do Vale (Cachamoinha)

Tenha em conta o caro leitor que os povos dominantes sempre destilam racismos, isto tão feio e cruel mas há que dizer que o planeta está chefiado entre outros por povos atlanticos, celtas e germanicos que desprezam e odeiam os mediterraneos pior considerados na Europa, mas eis a contradição e o paradoxo, pois a Espanha mediterrânea despreza e manifesta esse racismo com os povos atlanticos e célticos da península Hespérica (nego-me a denominá-la Ibérica).

Por toda essa história que os galegos temos atrás de Nós deveríamos sentir a autoestima suficiente para nos amarmos como somos e como fomos, com capacidade de podermos ser no futuro algo similar...mas nada disto se ensina nas escolas nem se transmite as nossas criancas. Por isso a minha aluna sente auto-ódio e não quer ser galega.
Podemos procurar as causas desta situação para podermos “curar” o problema. Como é evidente a nossa gentinha do comum tem muitas cousas das que se preocupar e que fazer no seu dia-a-dia para chegar a tão filosóficas conclusões. Esse é o trabalho dos nossos dirigentes políticos que são os que nos guiam e quem nos chefiam. Vamos atrás dos chefes da manada seguindo os nossos comportamentos ancestrais e biológicos mas se os chefes são uma greia de inúteis no melhor dos casos ou uma banda de delinquentes no pior, será melhor que pensemos muito bem o que estamos a fazer escolhendo-os como guias para conseguirmos um futuro promissor.



domingo, 25 de agosto de 2013

Nova Realidade – Novos Paradigmas...


Por Artur Alonso Novelhe

«Intrinsecamente, todos os seres vivos são completos e perfeitos, dotados de virtude e sabedoria, apenas pensamentos ilusórios impedem que percebam isso». (Buda)

A essência da vida é mudança. E nós vivemos escravos de sensações, ilusões, medos, aversões... E ânsias de possuir um pó que o vento arrasta ainda mesmo fechando nossos punhos, ainda mesmo habitando essa casa sem janelas (que continuamente tentamos construir sonhado criar a nosso redor uma imaginaria fortaleza). Esse pó tem diferentes formas segundo os apegos de cada ser: uma ideia politica materializada em forma de verdade suprema, uma ideia religiosa veiculada através da única salvação possível, uma ideia fixada de imunidade bondosa... Assim como a falsa crença do apego ao mito familiar, a tribo, a raça, ou ideal superior duma nação impossível, como essência daquilo que achamos ser certamente nossa origem. Outros vivem suas cadeias mais apegadas ao mundo material: dinheiro, riqueza, poder terrenal.... Ambos esperançados – na visão idealizada – acabam por ensonar que podem impedir, em certo modo, à mudança: que o vento arraste o pó que eles dentro de seus olhos acumularam.

Despois estão os que querem salvar o mundo – e a miúde nem sequer são capazes de salvar-se a eles próprios – fato que uma vez experimentado não se pode realizar, traz consigo o surgimento da frustração e o apego ao capricho “do quero e não consigo”, iniciador dor corporal criada por nosso menino insatisfeito. Pois o pó, gostemos ou não, será barrido pelo vento.

Temos um grave problema de percepção, que afeta todo o sistema: desde a concepção do pensamento às conseguintes ações logo a realizar, e que ao final criam nossa realidade palpável. Como bem analisou Fritjof Capra no seu livro “O ponto de Mudança”, o racionalismo cartesiano e o mecanicismo de Newton (que significaram uma enorme dávida na sua época) assim como visão, deles derivada, entorno do corpo humano, a natureza e o cosmos como uma maquina precisa: um grande mecanismo – um relógio imenso, onde cada peça podia ser estudada por separado e onde cada problema podia, de algum jeito, obter solução isoladamente; estão a dia de hoje em questão e mesmo já, na pratica, ultrapassados. A própria tecnologia já os tem contornado, caminhado devagar rumo a um novo paradigma. No entanto esta visão foi fulcral para estabelecer as bases e alicerces sobre os quais girou toda a Idade Moderna, como bem afirma Danah Zohar, no seu magnifico livro “O Ser Quântico”: “As imutáveis leis da História descritas por Marx, a luta desesperada pela sobrevivência de Darwin e as tempestuosas forças da sombria psique de Freud devem, em alguma medida, sua inspiração à teoria física de Newton”.

Mostremo-nos calmos. Reconheçamos a simples vista a mudança. Lembremos o rio de Heráclito, aquele no qual não podemos banhar-nos duas vezes e pretender que o rio e nós segamos sendo mesmos.
Reconheçamos a interdependência entre todos os seres e elementos que podemos observar na mais próxima natureza. Precisamos abrir não só a nossa mente senão também as nossas praticas e com elas sossegar nosso coração flamejante. Fujamos dos extremos, como afirmava Buda: O sofrimento físico traz perturbação à mente. O conforto físico apego as paixões.

Iniciar o caminho do meio longe das perturbações e dos desejos que geram paixões é um principio. Com esse atuar paulatino poderemos melhor enxergar os novos paradigmas, através dos quais, sem nós saber, a humanidade está evoluindo em procura de acomodar-se as iminentes provações derivadas das novas e continuas mudanças.
Novo Paradigma
Desde uma visão mais aberta, tendente a não deitar mais pré-conceitos sobre o significado mesmo da vida, poderíamos almejar a ideia nova e revolucionaria – e não entanto já contemplada quase desde quase as primeiras culturas humanas - de o espirito ter presencia no seio da matéria. A física quântica pode ajudar a tomar consciência de essa “nova realidade”. Perguntas como: O que a realidade, como se forma? Há alguma inteligência superior que subjaze a essa realidade? Podem ter melhor acomodo graças às ultimas investigações no campo da física subatômica.

Se da o caso que a nível subatômico o ser pode ser descrito como partículas solidas ou como ondas. É a denominada dualidade “onda-partícula”, sendo o mais sobressaliente deste realidade que nenhuma das duas percepções “partícula” ou “onda” tem real precisão analisada isoladamente, e que tanto um aspecto como o outro devem ser considerados a hora de analisar a natureza do ser. Esta complementariedade de onda e partícula intrinsecamente nos achega a um principio etéreo da matéria...
O Sutra do Coração nos diz:...”vazio não é mais do que forma; assim forma é vazio, vazio é forma”, coincidido plenamente com a visão quântica.

Mais são a condizer, com outras tradições espirituais, muitas das múltiplas visões que a nova física introduz na nossa percepção limitada da realidade através de uma minuciosa e cuidadosa metodologia cientifica. Estas propostas cientificas estão plenamente acomodas com aquelas que a traves do método introspectivo de procura da verdade tem encontrado, ao longo de séculos, a mística.

O mestre vietnamita Thich Nhat Hanh nos adverte nos seus preceitos da Interexistência: “Não pense que o conhecimento que agora detém é a verdade imutável e absoluta. Evite a tacanhez de espírito e ficar preso aos pontos de vista atuais... A verdade encontra-se na vida e não no mero conhecimento conceptual.” Renovação, ar fresco ou a asfixia condicionada atual, na qual o único poder emana da matéria – guiada pela única energia construtora (agora destrutora) do capital financeiro – criado no ventre da perpetua cadeia da divida: escravidão.

Por outro lado a mudança face ao paradigma quântico nos permite continuamente assumir como próprias e da nossa responsabilidade as situações que acontecem ao longo da nossa existência, pois elas formam parte das nossas escolhas, dado nossa consciência ser a criadora da nossa circundante realidade. Como bem diz o físico quântico indiano Amit Goswami: 
 
... A consciência é que é o fundamento de tudo o que vemos e percebemos e, portanto, nós podemos decidir as nossas próprias escolhas... Escolha e responsabilidade são as palavras chave desta nova ciência”

Dai essa responsabilidade ganha nos liberta profundamente das ataduras percebidas naquele velho paradigma para o que unicamente eram importantes as circunstancias externas. O homem em ele era alvo e, não ator, dos aconteceres. Mudando, pois do mundo das obviedades para o mundo das probabilidades, dado que na mecânica quântica ao invés da mecânica clássica a posição inicial e o movimento não podem ser determinados matematicamente: pois o estado inicial duma partícula subatômica não pode ser estabelecido com precisão. Isto revela que a incerteza forma parte também da maravilha de viver. Esta incerteza criadora de preocupação provocadora de medo no antigo paradigma (onde nós éramos dependentes das circunstancias) se torna em incentivadora, dentro dum novo paradigma onde nós somos os criadores das nossas circunstancias, navegando através dum cenário determinado por múltiplas probabilidades tornadas em possibilidades reais, criadas pela consciência, tanto individual como coletiva.

Essa consciência que vive no momento presente, desapegada do fumo do passado e das especulações do futuro, forma parte da inteligência universal que rege todo o cosmos, desde as nossos mínimos átomos e células, ate o mais complexo sistema solar. Para poder acessar ao poder de essa inteligência e permitir que sua energia flua por todo nosso corpo é preciso libertar-se das algemas e correntes que nos atam ao fumo do passado, a projeção que este insere sobre o futuro e a sensação de nosso momento estar sempre fora de lugar.

Com este novo marco referencial, continuamente nascido no agora, podemos encarar o sofrimento, tal como afirma o mestre Eckhart Tolle, no seu revelador livro “O Poder do Agora”:

O sofrimento que sentimos neste exato momento é sempre alguma forma de não aceitação, uma forma de resistência inconsciente ao que é. No nível do pensamento, a resistência é uma forma de julgamento. No nível emocional, ela é uma forma de negatividade. O sofrimento varia de intensidade de acordo com o nosso grau de resistência ao momento atual, e isso, por sua vez, depende da intensidade com que nos identificamos com as nossas mentes. A mente procura sempre negar e escapar do Agora. A mente não consegue funcionar e permanecer no controle sem que esteja associada ao tempo, tanto passado quanto futuro, e assim ela vê o atemporal Agora como algo ameaçador. Na verdade, o tempo e a mente são inseparáveis. Imagine a Terra sem a vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Será que ainda haveria passado e futuro? Será que as perguntas “que horas são?” ou “que dia é hoje?” teriam algum sentido para um carvalho ou uma águia? Acho que eles ficariam intrigados e responderiam: “Claro que é agora. A hora é agora. O que mais existe?

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma,
fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te”
(Jalal al-Din Rumi)


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