sábado, 13 de agosto de 2011

A origem do xamanismo: de "Les Trois Fréres" às origens do cristianismo. 1ª parte





"Aguarda o inesperado. Se não o aguardas não o reconhecerás quando chegue"
Heráclito

Por David Outeiro

Os ocidentais tendemos a ver os xamãs como personagens pertencentes a comunidades pre-históricas ou lonjanas, gente  misteriosa e estranha que leva a cabo transes incompreensíveis. Sobre os xamãs do nosso passado, quiçá pensemos que já não temos nada a ver com eles, que a achega desta misteriosa gente esmoreceu para sempre. Neste artigo tentarei demostrar que isto não é assim, que para além de existir indivíduos com características xamánicas até tempos recentes, estes tiveram uma incidência considerável na nossa mitologia. Para isso teremos que fazer uma longa viagem, submergir-nos no escuro dos tempos e olhar a gênese da nossa espécie. Será necessário submergir-nos nas profundidades das covas franco-cantábricas na procura dos primeiros sinais, continuar a prestar atenção às pinturas do neolítico e aos petróglifos, investigar na vida druídica e nas práticas priscilianistas. Seguindo este velho caminho perdido no tempo que nos conecta com o passado mais remoto, chegaremos às portas do nosso século á beira da terra da fim do mundo. Será necessário também submergir-nos na profundidade da nossa mente, do inconsciente, da psicanálise,a bioteologia a neurociência... e ver o que nos podem achegar para vislumbrar este mistério. Deste jeito poderemos conhecer qual é a origem da magia, dos deuses, o contato com as ánimas, do caminho que leva ao mundo da mourindade, da origem dos pastequeiros, meigas, mencinheiros....Para isso será necessário meter-nos na profundidade da mente humana, esse grande enigma do que fazemos parte.


O termo xamã provém da linguagem evenki, na Sibéria. Emprega-se para designar àquela pessoa que tem a missão de estabelecer o contato com o além, com o mundo dos espíritos e desse jeito manter a coesão da sua comunidade quando for necessário. Só se entende este fenómeno no contexto duma sociedade xamánica.



O xamã encarrega-se de sanar a sua gente por meio de práticas mágicas ou plantas, de "negociar" com os espíritos da caça, de consultar com os devanceiros, de predizer factos e inclusivamente de defender a comunidade da que forma parte de xamãs malignos. Para isto será necessário que o xamã empreenda uma viagem ao mundo espiritual, ou melhor dito a um deles, posto que é um mundo que costuma estar estratificado. Habitualmente tal estratificação apresenta-se em 3 níveis; o mundo inferior, o meio e o superior.

Para o seu fazer emprega múltiplos objetos mágico-rituais como tambores, pedras, penas de ave, etc. O seixo, é por exemplo um elemento xamánico por excelência, relacionado com o além, aparece colocado desde o interior das grutas paleolíticas, passando pelos monumentos megalíticos e até sendo usado por curandeiros galegos na atualidade. Em função da missão, o xamã deverá lidar com os seres dalgum lugar deste mundo espiritual; lutar com os espíritos malignos, obter conhecimento dos devanceiros, lidar com os espíritos ou deuses da caça, etc...


Tudo isto na nossa "mente racional" pode soar a ciência-fição mas para compreender este fenômeno teremos que compreender o que a nossa mente nos pode trazer: os estados alterados de consciência que veremos mais adiante.

Retrocedamos agora a um tempo indeterminado no passado, esse momento em que o homem se fez homem como é atualmente. Nesse momento, deu-se um salto sem precedentes que nos levou a uma maior capacidade cognoscitiva. Quiçá subitamente, esse novo homem se deu conta da sua própria mortalidade. Para ele o mundo era um lugar caótico e a sua vida dependia da estreita relação com a natureza e os seus fenómenos. O vínculo com os animais de caça era inegável mas também dependia dos ciclos solares e lunares para poder caçá-los

Era imprescindível conhecer o curso das estações para a sobrevivência assim como ter em conta os fenômenos meteorológicos. Deveu ser dramático. Aquele homem antigo olhou em torno de si, á imensidade do céu ateigado de estrelas, começou a fazer-se perguntas. Quê é o que sou eu?, Quê é a vida, e que sentido tem? e sobre tudo: Que é o que há para além da morte e quê rege tudo isso?. Então o homem também começaria a cavilar se poderia intervir no seu mundo, controlar os fenómenos climáticos, viajar ao mundo dos espíritos, lidar com os seres que controlam a caça. Começou-se a dar um fenômeno que chamarei de seleção espiritual, quer dizer, aqueles indivíduos que acreditassem poder controlar o seu cosmos, que após a morte poderia aguarda-los uma nova vida, tiveram maiores possibilidades de sobrevivência. Isto contribuiu a reduzir a sua ansiedade e os indivíduos que tinham este planeamento em relação ao seu mundo tinham mais probabilidades de sobreviver.

Mostra de que existiu este fenômeno evolutivo é um gene descoberto pelo genetista Dean Hamer denominado VMAT2  que mantém que há certas pessoas com maior sentido da espiritualidade do que outras, pondo em marcha processos mentais que desembocam numa experiência espiritual (transcendência, dissolução do ego e união com o tudo, euforia, bem-estar, sensação de contato com o sobrenatural). Estamos a falar de que podemos afirmar a existência de Deus no nosso cérebro, que a nossa estrutura cerebral conta com regiões e mecanismos que têm relação com o fenómeno religioso.

Estudos recentes mostram aliás, que aquelas pessoas espirituais e religiosas têm uma melhor saúde tanto física como mental derivada dos benefícios das crenças sobrenaturais e a transcendência, o que supõe a diminuição dos medos e a ansiedade. Foi neste quadro do fenômeno evolutivo quando surgem os chamãs, aquelas pessoas especializadas em lidar com o mundo sobrenatural; os favorecidos pela seleção natural e os encarregados fazer a coesão da tribo, de equilibrar o mundo físico e o mundo espiritual, ou além.

Cumpre salientar, que no longo caminho da evolução humana, o cérebro não foi selecionado para atender a realidade e reproduzi-la com precisão. Ao cérebro simplesmente lhe interessou a sobrevivência. Essa é a sua meta evolutiva, e para isso cria todo tipo de elucubrações e discriminações com o fim de criar uma determinada realidade. Estamos a falar de que não existe uma única realidade posto que todo o que percebemos como exterior não é mais do que uma criação mental. Tudo surge do interior do cérebro, as cores, as sensações, as formas, as dimensões, as percepções...e tudo isto quer dizer que a realidade racional que procuramos é incerta.

Mas perguntamos: Como é que viajam os xamãs a esses mundos do além?. Quais as ferramentas ou vias que empregam? Ou mesmo são os xamãs pessoas fraudulentas?. É agora quando chega a procura imprescindível para conhecer a base que empregam os xamãs para se mexerem em outros mundos: os estados alterados de consciência. Começando pela compreensão da mente devemos ter em conta a mente consciente e a inconsciente. A mente consciente processa 50 bits por segundo, é a mente que cremos que rege a nossa vida e que pelo tanto nos faz "conscientes". No que diz respeito à mente inconsciente, que opera sem que a tenhamos em conta, processa 11.000.000 milhões de bits. Quer dizer, a maioria das nossas vivências, das nossas percepções, da nossa memória e dos mecanismos que incidem na mente consciente estão na mente inconsciente.

Carl Jung achou neste tipo de mente algo surpreendente: os arquétipos do inconsciente colectivo. Após estudar fontes de distintas culturas e distintos tempos ao longo do mundo observou que certos arquétipos como a serpe, o dragão, a morte, os "diabos", os círculos e os triângulos, a ave como símbolo de libertação e transcendência, o mito do herói e as peregrinações surgem do inconsciente sem saber o porquê. É no inconsciente onde se acha o mundo com o que o xamã terá que lidar e onde terá portanto o encontro com os seres espirituais. Mas para aceder ao inconsciente o xamã terá que desencadear um estado alterado de consciência. Para desencadear este estado existem distintos métodos: praticas extáticas, determinadas danças, técnicas de respiração, jejum, dor, cansaço, ritmos musicais ou enteógenos. Em relação ao tamborileio, podemos dizer que existem estudos que demostram que os hertz cerebrais podem ser modificados empregando um determinado ritmo durante certo tempo.

Sobre os enteógenos (manifestar a divindade em ti) ou psicodélicos (manifestar a mente/alma) consistem em distintas sustâncias naturais de plantas ou fungos principalmente que derivam num estado alterado de conciência. Entre elas podemos citar ao pejote, aiauasca, amanita muscária, psylocibes, datura e um amplo etcétera. Estas plantas ou preparados permitem ao xamã aceder ao inconsciente num estado alterado de consciência e portanto aos mundos do além. Provocam visões, dissolução do ego, sensação de unidade com o cosmos, experiências extracorpóreas, fortes emoções ...Apesar desta descrição dum estado alterado de consciência, aqueles que o viveram coincidem em que só o que os experimentou  sabe o que significam já que é inconcebível que seja imaginado num estado ordinário de consciência.
Algumas experiências são tão marcantes como a experiência extracorpórea ou viagem astral que consiste em que o indivíduo que a experimente se vê fora do corpo podendo ver-se desde fora de si próprio e tendo a possibilidade de ver que voa a outros mundos. Uma experiência muito conhecida é a das experiências próximas á morte (ECM) na que se descreve a visão extracorpórea, o túnel, a luz e finalmente o encontro com os "seres espirituais".
As ECM interpretam-se desde a neurociência como o resultado do bloqueio dos receptores cerebrais do glutamato, afirma-se também que se deve a atividade das últimas sinapses e que em tais momentos o cérebro liberta uma grande quantidade de endorfinas que propicia a sensação de grande bem-estar. No entanto, ainda ficam muitos enigmas por resolver com respeito a esta temática. Agora que temos em conta a origem neurobiológica das experiências místicas favorecidas pela seleção natural e os estados alterados de consciência como meio de acesso ao inconsciente podemos continuar com o nosso objeto de estudo.

Imaginemos uma cena acontecida no paleolítico superior; alguém se introduz nas entranhas da terra, dirige-se à profundidade duma cova na que não vive ninguém. Com uma pequena lâmpada de graxa vai profundando na escuridão, no silencio mais absoluto até chegar a um determinado espaço no que refletidas as suas visões...é um xamã. A cova representa o vórtice, esse túnel que se acha no nosso sistema neurológico e que manifesta o inconsciente num estado alterado de consciência. Após ter a visão do túnel chega-se a última fase do estado alterado de consciência no que começam as visões de seres e na que o xamã as vezes se transforma para controlar a caça. Às vezes, a privação sensorial que produzem as covas pode desencadear estes estados. É quando ao aceder ao mundo do além o xamã pode transformar-se num ser teriantrópico (características humanas e animais) e realizar algum rito mágico que influa nas peças de caça. 


O chamado bruxo ou feiticeiro de Les Trois Freres pode ser um exemplo desta transformação, do homem que intenta controlar os rebanhos de caça mediante técnicas mágicas. Alguns têm características aviformes, representando quiçá o voo do xamã ao mundo espiritual.  
Num longo período do paleolítico superior pintaram-se as más variadas cenas nas que aparecem diversas espécies animais que parecem flutuar, as vezes com pontos ao seu redor ou mãos impregnadas sobre elas. Os pontos bem puderam ser os fosfenos que se manifestam na fase 1º dum transe extático (estado alterado de consciência). Os animais aparecem aparentemente desligados do mundo sobrenatural ou flutuando, tal e como se manifestam num estado alterado de consciência. As mãos puderam ser uma representação da posse do animal por parte do xama. O cérebro desta gente era o mesmo que o nosso pelo que não é de estranhar que a pesar do tempo transcorrido pudessem desencadear visões semelhantes.

Milénios depois, já no neolítico, o homem começaria a construir monumentos megalíticos. Nalgumas ocasiões, estes monumentos semelham a representação artificial duma cova, um esqueuomorfo, reflexo novamente do vórtice que o xamã se passa numa das fases dos estados alterados de consciência dos que me pergunto se experimentariam no interior dalguns monumentos megalíticos. No interior das antas, aparecem em ocasiões certas pinturas como espirais, representações em ziguezagues, linhas etc que novamente nos lembram as visões que certas fases dum transe extático manifestam. 



Estas representações não carecem de sentido nem são meras representações das visões. O xamã dar-lhe-ia um sentido as suas visões em função do seu contexto. Um xamã Tucano em ziguezague denomina as representações como o pensamento do pai-sol.

Por volta da idade do bronze (ultimamente aponta-se a um período bastante mais amplo), os petróglifos galegos de estilo esquemático atlântico ou estilo atlântico poderiam representar novamente as experiências chamánicas. Espirais, círculos, estranhos antropomorfos e de novo animais, cérvidas em muitos casos. Os círculos e as espirais são comumente visíveis ao longo das distintas fases dum estado alterado de consciência. No entanto, em relação zoomorfos, provavelmente estejamos em muitas ocasiões perante representações mágicas, como nas que no paleolítico superior tentavam representar a influencia do xamã sobre as peças de caça. 


Ainda assim, os petróglifos galegos podem ter distintos significados mas penso que os xamãs tiveram um papel essencial em muitos casos na sua realização. Como podemos ver, no transcurso da historia, os xamãs e os estados alterados de consciência foram um contínuo. A pesar disto, com o transcorrer do tempo e ao se desenvolverem as sociedades mais complexas, o xamanismo seria parcialmente transformado e institucionalizado dando lugar ao sacerdócio. Nas sociedades célticas dito fenómeno é o druidismo; aqueles indivíduos que tinham um saber religioso, filosófico e incidência política mas que também conheciam as plantas enteógenas e experimentavam transes extáticos. Seja exemplo disto a localização em jazigos centroeuropeos de Canabis nas tumbas célticas. Cumpre nomear as pedras formosas, saunas que segundo alguns autores puderam ser empregadas para desencadear transes extáticos. O emprego de saunas é também comum nos ritos da Igreja Nativa Americana que emprega o pejote no seu culto sincrético atual.

Lembremos também, dentro do mundo céltico, as representações do caldeiro de Gundestrup. No caldeiro aparece o deus Cernnunos, um deus hasteado e da natureza, rodeado de animais numa cena que salvando as distancias faz-nos lembrar ao "bruxo" de Les Trois Fréres. 


De novo aparece um teriantrópico, um deus neste caso, que pode simbolizar a tentativa por parte do homem de controlar os animais. Neste caso está rodeado dum interessante contido simbólico. Outro exemplo é o diadema de Moñes, onde se representa uma cena relacionada com o além, onde estranhos seres portam caldeiros da regeneração. A cena desenvolve-se num âmbito aquático, outro dos lugares que podem visitar os xamãs num estado de transe extático, neste caso é necessário apontar a estreita relação que estabelecem os celtas entre o além e o mar. É interessante apontar, tal e como fizeram muitos autores, a importância que puderam ter os estados alterados de consciência na criação de arte de estilo céltico. 



É interessante apontar também que o xamã, por aceder ao inconsciente é uma pessoa que carga com certo "sofrimento" em favor da sua comunidade. O feito de entrar em transe extático ou xamanizar não sempre é uma experiência agradável. Este prezo que há que pagar por aceder ao conhecimento do além está representado no transcurso da historia e no planeta em múltiplas culturas. Todos aqueles que acederam a essa outra dimensão da mente humana, do inconsciente, sabem que ditas experiências nunca se esquecem. Quiçá seja por isso que Odín apareça na mitologia nórdica carente do olho direito mas conserva o esquerdo relacionado com a visão do além.

A respeito do lado esquerdo, aparece sempre vinculado a visão do além. Tal é o caso de aqueles que acompanhados de alguém que está vendo a Santa Companha só a poderão ver se o "vedoiro" lhe pisar o pé esquerdo. Alguns povos  celtas tinham por costume pintarem o lado esquerdo da cara durante o samhain para evitar visões aterradoras. 


Uma crença celta que cumpre apontar é a de que os guerreiros que "ressuscitavam" e voltavam do além ficariam mudos, quiçá precisamente por ter acedido a essa outra realidade. Quiçá seja por isto também, que no dia de santos ou samhain, quem ultrapassasse Portalém (no Monte do Seixo na Comarca de Terra de Montes) e fizera uma consulta as ánimas, ficaria com a voz rouca no caso de revelar os segredos do além. 


Era habitual que os povos Célticos representassem os crânios dos guerreiros vencidos sem boca, como sinal de que não voltariam e por pertencerem ao mundo do além. Nalgumas ocasiões têm-se achado crânios pertencentes a esta época de inimigos que se enterraram sen mandíbula, pelo mesmo facto anteriormente apontado.

Em relação aos deuses, nalgumas ocasiões representam-se com duas cabeças que olham opostamente, como sinal de influência no mundo dos vivos e no dos mortos.              
Por outra parte no mundo greco-latino empregavam-se as covas como meio de curação por parte dos pholarchos que permaneciam imóveis durante períodos prolongados á espera da chegada dos deuses. A chegada percebia-se como um zumbido relacionado com a serpe, símbolo iniciático e arquétipo do inconsciente colectivo mas esta curação, supunha a adquisição do conhecimento. Novamente entra em cena o estado alterado de consciência. Seria também neste âmbito cultural onde se realizariam os Mistérios de Eleusis. 
Inumeros estudos apontam ao emprego da cravagem do centeio a qual contém a dietilamida do ácido lisérgico(LSD). Com a chegada do cristianismo continuariam empregando-se enteógenos como sacramento, sendo substituídos pela hóstia e o vinho atuais na missa. Cumpre destacar que os priscilianistas foram acusados na sua época do emprego de psicotrópicos durante os ritos que realizavam nas arvoredas. Se é que Prisciliano bebeu de fontes druídicas, pode que os enteógenos empregados supusessem uma continuidade com respeito ao período anterior. A pesar da proibição por parte da igreja do emprego de enteógenos, assim como a perseguição do seu uso ritual, as práticas perpetuaram-se até hoje. Também o paganismo foi perseguido, como é obvio. Foi por isto quiçá, que o sacerdócio pagão ou druídico foi substituído pelo sacerdócio eclesiástico, mas isso não impediria que certas pessoas continuassem a praticar em certo sentido o xamanismo na Galiza. Como veremos no seguinte capítulo este fenômeno chegou até os nossos dias. Certas pessoas continuaram "xamanizando" em certo sentido até hoje e mesmo a visão xamánica deixou uma funda pegada nas crenças galegas...
 


Bibliografia:
"Los chamanismos a revisión" e "El hongo y la génesis de las culturas" de Josep M Fericgla
"Los chamanes" Piers Vitebsky
"El mundo de los druidas" Miranda J. Green
"Dios está en el cerebro" Matthew Alper
"El gen de dios"  Dean Hamer
"Los chamanes de la prehistoria" Jean Clottes e Lewis-Williams
"Dentro de la mente neolítica" David Pearce e Lewis-williams
"La mente en la caverna" David Lewis-Williams
"Arquetipos e inconsciente colectivo" Carl Jung
"Deuses,mitos e ritos do Monte do Seixo;unha interpretación en clave céltica" Rafa Quintía
"Petroglifos y paisaje social en la historia reciente del NO de la P.Ibérica" Manuel santos Estévez
Documentários de interesse;
Shamanism;Other worlds http://www.youtube.com/watch?v=wE0sDm5ba-4
DMT;La molécula espiritual http://www.youtube.com/watch?v=mOxhIGFj_gk
Del peyote al LSD;una odisea psicodélica http://www.youtube.com/watch?v=H0KDzTTz9zc
Piscotrópicos-Manifestando la mente http://www.youtube.com/watch?v=G2UoX8_ma7Y
Reportagens;
Carl Jung (sobre o inconsciente) http://www.youtube.com/watch?v=CtCI7VrlNuc

4 comentários:

JAVIER AKERMAN disse...

Impresionante e documentado resume sobre o chamanismo, prezado amigo. Espero con ledicia a segunda parte do mesmo.
Unha aperta.

crougintoudadigo disse...

Feto com cabeza

Tris disse...

Tal como expresas en tu artículo, la idea del chamán o del hombre sagrado, sigue viva.
Late en el fondo de los arquetipos que nos unen, late en el fondo del corazón de aquellos más espirituales.

Me ha tocado ver aquí, en Galiza y otros lugares de Europa. Como chamanes auto proclamados llevan a la gente a vivir experiencias nuevas, sin una mayor profundización. Sólo una vivencia de fin de semana con prometedoras visiones producto de elementos alucinógenos. No es del todo malo, indica un sentido de búsqueda y la necesidad de encontrar. Pero suele pasar el efecto y el rebote energético es tan poderoso como la sensación de elevación. Esa vivencia, sin la mano guía de un maestro puede llevar a una confusión mayor.
Veo una necesidad de ser guiados, de buscar siempre una solución que viene de fuera, un remedio milagroso, algo que supone poco esfuerzo.

En América, suele ser distinto. Aquel que busca con tenacidad, termina encontrando a quien le instruye y luego de un proceso prudente, se le enseña y comunican los conocimientos (según el grado de entendimiento). Quienes buscan sanación o curación, cuando llegan a su chamán o sanador, lo primero que comprenden es que la viviencia de esa sanación depende tanto del sanador como del paciente. Es un trabajo en conjunto, una vivencia apoyada también por parte de la comunidad. Hay un sentimiento de unidad fuerte. Implica un cambio de vida, un cambio de patrones para eliminar la causa que ocasiona la enfermedad en el cuerpo físico.


Todas las tribus y antiguas naciones, están abriendo las puertas de su conocimiento, ya no sólo están guiando un iniciado para que les sustituya. Están entregando la información que poseen.

Durante 15 años estuvo realizándose en la Nación Lakota un rezo por América y desde el 2009 comenzó este a movilizarse por todo el continente, reuniendo a los chamanes de todas las culturas.
Para muchos la confirmación de la antigua profecía: ‘La unión del cóndor y el águila’

Tris disse...

http://www.youtube.com/watch?v=-m-qSVg4VR8

Ñaupany Puma



http://www.youtube.com/watch?v=VJblQz_6pws&feature=related

Encuentro Raices de la Tierra

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