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sábado, 2 de novembro de 2024

O Magusto (e não "Samaín"): a autêntica tradição celto-galaica

 

A tradição Celta apresenta quatro festas que coincidem com o ponto central de cada estação, cujos nomes são: Samhain, Imbolc, Beltaine e Lughnasadh, mas esses nomes são gaelicos e não têm qualquer tradição galega, nem sequer são nomes de tradição britónica (galesa, córnica ou bretã) cujos nomes são outros e não por isso são menos celtas. O que têm tradição são as festas por si próprias cujos nomes galegos são:

Magusto (11 de novembro),

Entrudo ou Entroido (festa de fevereiro)

Maios ou Maias (festa de Maio)

Seitura ou Centeada (esta última corresponde com a festa do verão do 15 de agosto que se celebra em todas as paróquias galegas, portuguesas, asturianas e leonesas).

Nas diferentes tradições célticas britónicas os nomes são os seguintes:

(Festa de novembro) Calan Gaeaf (C), Kalan Gwav (Ker) y Kalan Goañv (B).

(Festa de fevereiro) Gŵyl Fair y Canhwyllau (C), Gong Puja (Ker), Emwalc'h (B).

(Festa de maio) Calan Haf/Cyntefin (C), Kallan-Mae/Obby Oss (Ker), Kala-Mae (B).

(Festa de agosto) Gŵyl Awst (C), Golowan (Ker), Gouel Eost (B).


(C=Cymru, Walles, Gales; Ker=Kernow, Cornwall, Cornualha e B=Breizh, Bretagne/Brittany, Bretanha)

A roda do ano céltico em britónico galês

A evidência da correspondência nos dias só há que comprová-lo observando um calendário de outubro de 1582, quando se fez a mudança do Calendário Juliano, para o Gregoriano. Assim do 4 de outubro, passou-se ao 15 de outubro. Com um pequeno exercício contável observaremos que o 1 de novembro juliano corresponde ao 11 de novembro gregoriano atual, com o qual relacionamos imediatamente a data tradicional da festa em questão, que na tradição galaica e portanto galego-portuguesa, recebe o nome de Magusto e variantes, na gaélica Samhain e variantes e na britónica Calan Gaeaf e variantes

Se pomos um nome irlandês (nem sequer gaélico escocês ou manx) é porque Irlanda é um país independente e tem um relato próprio, referência do mundo celta internacional. Se nós tivéssemos relato chamaríamos a estas festas com o nosso nome, não "Samaín", que é uma péssima cópia do original "Samhain"... (aliás a pronúncia é "xouim", não samaín). E, infelizmente , isto vai às escolas para criar galegos que nem vão saber no futuro que era o Magusto (vão pensar que os seus avós celebravam uma festa gastronómica com produtos de temporada), nem vão saber que o português era o nosso galego quando este desaparecer da Galiza. 

 




quinta-feira, 14 de abril de 2022

X Jornadas Galaico Portuguesas 2022 de Pitões das Júnias

 


     Sábado 7 de Maio
  • 1º Painel de manhã: (Apresenta Maria Dovigo)

  • 09:30 Apresentação

  • 10:00: O celtismo que vem: Alguns exemplos da Galécia do século XXI. Joam Paredes

  • 10:40: Quem é a velha? Trás as pegadas da Grande Deusa primigénia Lídia Marinho

  • 11:20 Permanências culturais celtas no nordeste do Brasil. Eduardo Henrique. On Line

  • 12:00: Debate

  • 13:30 Comida

    2º Painel de Tarde (Apresenta Maria Dovigo)

  • 16:00: Aplicação das novas tecnologias na divulgação histórica e patrimonial no século XXI. Carlos Paz e Anxo Miján (Centro Infográfico Avançado da Galiza)

  • 16:45: As viagens de Santo Amaro. Os Imramma. Xurxo Souto

  • 17:30: Descanso

    3º Painel Tarde de sábado (Apresenta Maria Dovigo)

  • 18:00: Projeto Lanobriga: Uma cidade galaica. Paco Boluda

  • 18:45: Debate

  • 19:15: Descanso

  • 19:45: Atuação de Mileth (Acústico)

  • 20:30: Ceia

    Domingo 8 de Maio

  • 10:30: Roteiro arqueológico por Bande. Guia: Elói dos Freiria


terça-feira, 23 de abril de 2019

Entrevista a Xavèrio Ballester


O Prof. Xaverio Ballester, catedrático de Filologia Latina da Universidade de Valência, estará connosco nas VIII Jornadas Galaico-Portuguesas de Pitões das Júnias (Montalegre), onde falará no sábado 11 de Maio.
Com ele, igual que com o Prof. Benozzo anteriormente, teremos a honra de contar com um dos principais investigadores do chamado Paradigma da Continuidade Paleolítica, uma autêntica revolução científica multidisciplinar que estabelece um novo modelo de interpretação e entendimento das origens das línguas e culturas europeias, com implicações diretas até dia de hoje.
Assim, agradecemos ao Prof. Ballester esta pequena entrevista que serve de avanço à sua palestra nas jornadas que, com certeza, será apaixonante.


- Que foi o primeiro que o levou a se interessar pelo estudo das origens das línguas e culturas ancestrais e como acabou por tratar com temas célticos
Não sei exatamente de onde é que vem o meu interesse pelo estudo da origem das línguas, ou da língua sem mais, mas reconheço que é o tema do que mais gosto e no que estou mais especializado.
As minhas primeiras lembranças infantis são ilustrações de livros e figurinhas sobre os nossos ancestrais: celtas e iberos. Depois interessei-me muito pela coisa indo-europeia, mas já de estudante resultou-me impossível aceitar a doutrina tradicional vinda do século dezanove.
O meu primeiro contacto a sério com o mundo céltico foi no curso 1991-2, em Teruel [Aragão] onde se fazia investigação, principalmente arqueológica, sobre o mundo celtibérico. Lembro que em uma semana revisei tudo o que se conhecia sobre a língua celtibérica; hoje isso já não seria possível por causa da eclosão de textos e autores disponíveis. Eu vinha de uma bolsa pós-doutoral em Munique, onde tirei proveito para fazer uns cursos de literatura polaca e de lituano. Neste último tive por único companheiro ao grande celtista Kim McCone, quem se ofereceu a dar um seminário sobre as línguas célticas e naturalmente fui convidado. Muito lamentei depois ter perdido aquela oportunidade, mas naquela altura o mundo céltico parecia-me uma coisa ainda mais afastada do que o mundo báltico ou eslávico. Em Teruel eu percebi o meu erro e do perto que tínhamos o céltico, já que a só uns poucos quilómetros começavam a sair textos celtibéricos. Não podia suspeitar que o céltico fosse algo assim tão próximo.


- O seu nome é um dos grandes nomes por trás do Paradigma da Continuidade Paleolítica (PCP) que defende, entre outras coisas, uma origem local, gradual e muito mais antiga do comummente aceitado para as línguas e culturas europeias. Apesar da crescente acumulação de evidências, como é que há tantíssima reticência ao PCP nos círculos académicos convencionais? É realmente um problema estritamente científico?

A minha resposta aqui será necessariamente muito subjetiva, mas sincera. Direi o que realmente acredito: porque os principais defensores do novo paradigma somos espanhóis, franceses, italianos, portugueses… Creio sinceramente que se a nova proposta tiver emergido em inglês nos Estados Unidos ou no Reino Unido a situação seria bem diferente.
Infelizmente os problemas científicos, quando menos nas ciências humanas, não são quase nunca
estritamente científicos. Há interesses das grandes corporações académicas e de poderosas editoriais. A disciplina da História da Ciência fornece inúmeros exemplos de teorias que foram mesmo ridicularizadas inicialmente porque se opunham à doutrina oficialmente estabelecida, e que posteriormente resultaram corretas. Mas como cientista devo ser otimista, acreditar que mais tarde ou mais cedo há triunfar a razão.
Isto é especialmente verdade para a ciência humanística (ou como quer que se lhe quiser chamar) onde a diferença da física, medicina, química ou tantas outras, não dispomos do método experimental. Nós só podemos tentar explicar muito mais e melhor. Uma boa teoria deve ser preditiva e produtiva e, em verdade, em trinta anos crescemos espetacularmente nesse sentido, sem mais ajuda do que a razão e a argumentação.


- O Prof. Benozzo, seguindo também a linha do PCP, afirma que a Gallaecia, o noroeste peninsular, é a origem primeira do todo o celta. De onde é que vem então o prejuízo em relação à celticidade da Galiza?

O meu bom amigo Francesco, extraordinária personalidade no científico e no artístico, é único. Ora bem, eu agora não seria tão preciso.
Não há dúvida de que geneticamente a Península Ibérica constitui um dos principais refúgios de população humana na fase mais dura da época glacial. Daqui saiu uma grande quantidade de gente que, graças à pegada genética, sabemos que repovoou grande parte da Europa.
A posição atual do PCP, e por isso é um
paradigma flexível e não uma teoria rígida e dogmática nos seus detalhes, é que aquelas pessoas depois serão essencialmente os celtas, isto é, os falantes históricos de línguas célticas. Mas se foi a zona galaica exatamente ou mais bem a cantábrica ou toda a região setentrional é algo que, acho, não estamos ainda em condições de precisar. O que sim defendemos com múltiplos e variados argumentos é que, se a nossa proposta for certa, ainda que as falas célticas foram aqui absorvidas pelo latim, a Galiza não teria uma celticidade emprestada, mas genuína, milenar, e obviamente ainda presente em muitos outros aspetos da tradição e da cultura.


- Seria necessário ou teria sentido a criação de uma cátedra de estudos célticos na Galiza?

Cátedra universitária? Em princípio parece uma boa ideia mas… O primeiro é colocarmos em ordem a instituição. Se para uns poucos lugares do mais modesto trabalho encontras com um monte de gente em concurso público desde há anos e, em troca, o acesso a funcionário universitário faz-se sem competência e por um sistema onde se valoram cotas, cargos e outros méritos que pouco ou nada têm a ver com o científico… Na universidade uma cátedra de “Estudos Célticos” não garante que vaia haver estudos célticos.
Por exemplo, em Valência criara-se uma muito restritiva cátedra de “Línguas Pré-Romanas da Península Ibérica”, cátedra
ad hominem para certo e influente sujeito, muito mais conhecido pelos seus pedantes versos que pelas suas investigações, e depois jamais lecionou nem a primeira aula na matéria. Só em 1998, após a minha incorporação a essa mesma universidade, pudemos ministrar um par de cursos. Depois de eu ganhar a cátedra de Filologia Latina em 1994 por concurso público, a universidade atendeu a reclamação do candidato local e, seguido de um longo litígio, voltou a oferecer a mesma cátedra, mas esta vez com o mais restritivo perfil de “Latim dos Cristãos”, pois o candidato que o impugnara era sacerdote. Ganhei novamente mas, como nunca existira tal matéria, levo 20 anos sem poder dar essas aulas.
Assim, temo muito que qualquer um com os contactos ajeitados pudera obter facilmente uma cátedra de “Estudos Célticos” para depois usar o seu tempo noutros assuntos. Na atual situação acho que criar tal cátedra comportaria um grande risco.


- Na sua iminente visita a Pitões vai-nos falar de mitologia… Sem desvelar muito, que podemos aguardar da sua palestra?

As duas ideias principais que desejo transmitir é que acreditamos saber agora com certeza que muitos dos nossos mitos remontam ao Paleolítico Superior e que, precisamente a Gallaecia, entendida como o quadrante noroeste da antiga Hispânia, conservou notáveis arcaísmos por toda uma série de razões.
Uma grande contribuição linguística do chorado mestre Mario Alinei foi mostrar o valor dos dialetos, do rural, humilde e periférico, pois pelo seu carácter conservador podiam preservar componentes paleolíticos por exemplos nas suas motivações semânticas. Até Alinei acreditava que nestes casos podia-se chegar até época medieval.
Já intuímos que a
mitologia, entendida genericamente como um conjunto de crenças, contos, superstições, etc, podia remontar igualmente a época paleolítica. Contudo, não podíamos suspeitar (isto é preditividade) que haveria uma evidência tão clara e maciça (isto é produtividade) e que indiretamente isto tudo constituiria um apoio ao PCP. Quer dizer, os mitos se atualizam e, além disso, misturam-se mais do que as línguas e as línguas mais do que as raças. Assim, se o continuum mitológico, apesar da sua maior contaminação, pode se remontar ao Paleolítico, como não iam poder fazê-lo os continua linguísticos?


- Então, especificamente, como pode contribuir a antiga Gallaecia a esta nova argumentação e endossar as posições do PCP?

Muitíssimo. Na Gallaecia, temos um amplo observatório de antiquíssimos mitos e crenças, uma reserva extraordinária, com a particularidade de esta tradição estar perfeitamente viva para grande parte da população. É um valor 10 no quantitativo e outro 10 no qualitativo.
Resulta que, por causa das suas vicissitudes históricas e da sua localização no “cabo do mundo” do grande continente euro-asiático, a Gallaecia preservou em boas condições estádios mais primitivos de muitos mitos primordiais, como esse mesmo que acabo de nomear de “fim do mundo”, e muitos outros.
Disto tudo aguardo poder falar em mais detalhe com os amigos de Pitões.

sábado, 13 de abril de 2019

Programa das VIII Jornadas Galaico Portuguesas 2019


  Programa definitivo
  • Sábado 11 de Maio
    1º Painel de manhã: (Apresenta Maria Dovigo)
  • 10:00 Apresentação
  • 10:30: Helga Ribeiro: Das raízes ao reerguer da Tradição Lusitana. Viagem pela Céltica até ao CDL- 1”
  • 11:00: Luisa Borges: Das raízes ao reerguer da Tradição Lusitana. Viagem pela Céltica até ao CDL- 2”
  • 11:30 Debate
  • 12:00: Celebração da Festividade das Maias pelas ruas de Pitões
  • 13:30 Comida
    2º Painel de Tarde (Apresenta Maria Dovigo)
  • 16:00: Xavèrio Ballester: El Paradigma de la Continuität Paleolítica i la Mitologia Galaica”
  • 16:45: Rafael Quintia: Objectos curativos e uso dos amuletos na cultura popular galaico-portuguesa (título provisório)
  • 17:30 Debate
    3º Painel Tarde de sábado (Apresenta Maria Dovigo)
  • 18:30: Apresentação do livro de poemas e fotografia "Gritos na Penumbra" de Rui Barbosa.
  • 19:30 Musica: 2naFronteira
  • 20:30 Churrascada

    Domingo 12 de Maio
  • 10:30: Roteiro arqueológico por Vilar de Perdizes
    • Estatua do deus Larouco
    • Ara céltica
    • Pedra escrita

sábado, 23 de junho de 2018

O olhar revelador de promontórios remotos







Francesco Benozzo
Limiar para as II Actas das Jornadas Galego-Portuguesas (2015-2017)
Tradução desde o inglês: Joam Paredes


Na sua palestra plenária, dada quando recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1995, o poeta irlandês Séamus Heaney falou da existência de lugares pequenos que podem ser frequentemente considerados como janelas insubstituíveis abertas ao nosso passado e ao nosso futuro. Há de facto poucas aldeias e partes miúdas do território que por umha parte preservem intimamente algo que pertence às raízes perdidas das culturas, que seica andam desaparecidas, e que por outra nos deam a possibilidade de encontrarmos imagens e visons autênticas e inesperadas de nós mesmos, das nossas vidas tal e como poderiam ter sido e como ainda poderiam ser. Reconheço esta mesma característica e senti precisamente esta consciência as duas vezes que fiquei em Pitões das Júnias para as Jornadas Galego-Portuguesas.

Esta aldeia é um umbral único entre diferentes mundos e diferentes percepçons da realidade, umha espécie de fronteira flutuante entre as origens celtas pré-históricas da Europa e o zumbido post-neolítico, moderno (e post-moderno) das cidades contemporâneas. Aqui um pode decatar-se de que a Galiza e Norte de Portugal representam ainda a dia de hoje umha paisagem cultural unitária, apesar do Tratado de Alcanizes que em 1297 deu a Portugal o status de reino independente. Além disso, Pitões pode ser tomado como umha hipóstase viva da unidade da cultura atlântica como um todo, das Ilhas Shetland e possivelmente as Féroe até os vales do Tejo e Sado. Esta coesom cultural, natural e antropológica, e os possíveis vieiros e regatos que conduzem até a sua evidência, emerge muito bem dos artigos meritoriamente recolhidos neste diverso e precioso volume.

Umha das principais qualidades dos artigos aqui reunidos é representada polo fato de que, como em todos os melhores exemplos de investigaçons notáveis, o método rigoroso está aqui misturado com umha abordagem conscientemente nom neutral, emocional e dalgumha forma política. Como resultado, este livro é ao mesmo tempo um tesouro de dados científicos e um baú de visons imprevisíveis e de imagens poderosas. Umha pesquisa séria, verossímil e nom seriada provavelmente precisa de ser simultaneamente meticulosa e poética; deve ser capaz, em última análise, de criar e expandir a imaginaçom. Nesse sentido, estas actas constituem um exemplo excelente e possivelmente incomparável do que chamo Etno-filologia: um experimento notável de cartografia cultural capaz de superar supostos e falsas certezas que normalmente som aceitadas sem mais.





[ENGLISH]
Foreword for the II Proceedings of the Galician-Portuguese Symposium (2015-2017)

Francesco Benozzo
The revealing gaze from remote promontories

In his plenary lecture given when he received the Nobel Prize in Literature in 1995, Irish poet Séamus Heaney spoke about the existence of small places which can be often considered as irreplaceable windows opened to our past and to our future. There are in fact few villages and minor parts of the territory which, on the one hand, deeply preserve something belonging to the lost roots of cultures which seem now to be disappeared and, on the other hand, give us the possibility to find out true and unexpected images and visions of ourselves, of our lives as they could have been and could still be. I recognized this exact feature and felt this precise awareness the two times that I stayed in Pitões das Júnias for the Jornadas Galego-Portuguesas.

This village is a unique threshold between different worlds and between different perceptions of reality, a sort of fluctuating frontier between the Prehistoric Celtic origins of Europe and the post-Neolithic, modern (and post-modern) buzzing of contemporary societies. Here one can realize that Galicia and Northern Portugal represent still nowadays a unitary cultural landscape, despite the Treaty of Alcanices which in 1297 gave to Portugal the status of independent kingdom. Moreover, Pitões can be assumed as a living hypostasis of the unity of the Atlantic culture as a whole, from the Shetland and possibly the Faroe Islands to the valleys of Tagus and Sado. This cultural, natural and anthropological cohesion, and the possible paths and streams which bring to its evidence, very well emerges in the papers praiseworthily collected in this precious miscellaneous volume.

One of the foremost qualities of the articles here gathered together is represented by the fact that, as in all the best examples of remarkable investigations, the rigorous method is blended with a consciously non-neutral, emotional and somehow political approach. As a result, this book is at the same time a treasure trove of scientific data and a chest of unpredicted visions and of powerful images. A serious, believable and non-serial research probably needs to be simultaneously meticulous and poetic. It must be able, ultimately, to create and expand imagination. In this sense, these proceedings constitute an excellent, and possibly unmatched, example of what I call Ethnophilology: an outstanding experiment of cultural cartography able to overcome acquisitions and false certainties which are usually taken for granted.

sábado, 5 de maio de 2018

VII Jornadas galego-portuguesas de Pitões das Júnias



Sábado 26 de Maio
1º Painel de manhã: (Apresenta Maria Dovigo)
  • 10:00 Apresentação
  • 10:30 Marcial Tenreiro: Mouras, Melusinas, Deusas: Algumas supervivências do mito no folclore
  • 11:15 Luisa Borges (Tradição Druídica Lusitana): Para uma arqueologia poética da Finisterra galaico-portuguesa.
  • 12:00 Debate
  • 13:30 Comida
2º Painel de Tarde (Apresenta Maria Dovigo)
  • 16:00: Manuel Dias Regueiro. Identidade genética atlântica e doenças tipicas dos celtas
  • 16:45: Exposição Fotos do José Goris:Gallaecia: um passado mágico”
  • 17:30 Debate
3º Painel Tarde de sábado (Apresenta Maria Dovigo)
  • 19:30 Apresentação das Atas das IV, V e VI Jornadas
  • 20:00 Música celta: Grupo Ama Fai Falta de Chaves
  • 20:30 Churrascada
Domingo 27 de Maio
  • 10:30: Visita às Mamoas do Planalto da Mourela
  • 13:00: Comida

     ALOJAMENTOS e COMIDAS: 
    https://www.facebook.com/casadopreto/
    http://www.casadopreto.com/

quinta-feira, 17 de março de 2016

Programa das V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas de Pitões





Dia 2 de Abril sábado: (Hora portuguesa)
    1º Painel: Modera: Maria Dovigo

  • 10:00: Apresentação em Pitões das V Jornadas das Letras galego-portuguesas.
  • 10:30: 1º Palestra: Marcial Tenreiro: A lança na água e a espada na pedra. Rito e Território entre germanos e celtas
  • 11:15: 2ª Palestra: Marcos Celeiro: A Simbologia da cruz céltica e a sua evolução.
  • 12:00: Debate
  • 14:00: Comida
     2º Painel: Modera: Maria Dovigo
     
  • 16:30: 3ª Palestra: Francesco Benozzo (Trad. Joam Paredes): Uma paisagem Atlântica pré-histórica. Etno-génese e etno-filologia paleio-mesolítica das tradições galego-portuguesas.
  • 17:15: Debate
  • 18:30: Actuação de 2naFronteira e convidados.
  • 20:00: Ceia-Churrascada popular.
  • 22:00: Programa Erasmus: “Adventure of Reading”, Folião e Gaiteiros de Pitões
Dia 3 de Abril Domingo (Hora portuguesa)
    3º Painel: Modera: Lúcia Jorge (Presidente da Junta de Freguesia)

  • 10:00: 4ª Palestra: Graciano Barros: Ourivesaria e arte céltica no S. XXI no NW peninsular.
  • 10:45: 5ª Palestra: José Domingues. A raiz celta dos Ordálios medievais.
  • 11:15: Debate
  • 12:00: Conclusões (Maria Dovigo e Lúcia Jorge)
  • 13:30: Encerramento das Jornadas
  • 14:00: Comida
  • 16:00 Visita ao Eco-Museu
  • 16:45 Visita ao Mosteiro de Pitões.
  • 17:30 Visita à Cascata

domingo, 13 de março de 2016

Entrevista a Francesco Benozzo que vai estar connosco nas V Jornadas.





[Versão galego-português – English version below]
Entrevista com o Prof. Francesco Benozzo:
A Galiza e o Norte de Portugal são a origem da celticidade europeia”
O Professor Francesco Benozzo (Módena, Itália, 1969) é um dos grandes nomes por trás do Paradigma de Continuidade Paleolítica, afirmando que existe uma continuidade clara nas origens e desenvolvimento dos povos europeus, origens que podem ser colocadas ainda mais atrás no tempo do que normalmente é considerado. Esta mudança no compreensão da arqueologia, pré-história e linguística europeia é de enorme relevância para a Galiza e (Norte de) Portugal, pois situa este território no centro da génese da chamada Cultura Celta, entre outros aspectos.
Com dois doutoramentos em linguística e filologia pelas universidades da Bolonha (Itália) e Aberystwyth (País de Gales), na actualidade lecciona na nomeada universidade italiana. Contudo, Francesco Benozzo não está limitado pelo formalismo que normalmente acompanha a vida académica. Ele também é um reconhecido poeta e harpista, com um grande número de obra e música editada, o que fez com que o seu nome fora proposto como Prémio Nobel de Literatura.
Teremos a fortuna de recebê-lo este próximo Abril (dias 2 e 3) na quinta edição das Jornadas das Letras Galego-Portuguesas (Pitões das Júnias, Montalegre, na “raia” galego-portuguesa), onde debaterá sobre estes e outros temas, como vai indicado na entrevista a seguir.
- Qual foi a primeira coisa que chamou a sua atenção sobre a Galiza e Norte de Portugal? Foi algo puramente académico ou houve algum outro factor motivando que se centrara em nós?
Desde que era criança o meu instinto sugeria que o significado original das coisas reside nas áreas e localizações periféricas. Com isto não quero dizer “periférico” simplesmente num sentido geográfico mas, principalmente, num sentido poético. Esta é uma das razões pelas quais fui viver ao País de Gales (e não Inglaterra) durante uns anos, e também a razão pela qual deixei a minha cidade natal de Módena, no norte da Itália, e decidi viver nas montanhas. Também acredito que, como académicos, devemos estudar e concentrarmos-nos em tradições “periféricas”: tradições populares, dialectos, textos orais, culturas das pessoas marginais e assim por diante, porque o que agora é percebido como “marginal” e “periférico” foi , em muitos casos, o centro original do que na actualidade percebemos como centro.
A Galiza e o Norte de Portugal sempre foram parte desta minha “topografia poética” e da minha concepção poética, começando pelas suas lendas e tradições e grandes poetas como os trovadores medievais, até mesmo Rosalia de Castro ou Eduardo Pondal.
- Considera que o noroeste ibérico pode ser considerado a origem da “celticidade” na Península desde um ponte de vista linguístico?
Não só. Penso que pode ser considerado a origem da celticidade em toda a Europa.
- Qual é a sua opinião sobre a relação entre o mundo céltico e Tartesso, como postula o Prof. Koch?
John [Koch] tem produzido um trabalho extraordinário sobre isso na última década. Não vejo quaisquer razões linguísticas que puderam negar essa conexão postulada. O problema com a teoria de Koch é que auto-limita-se à Idade do Bronze Tardio, o qual contradiz a sua ideia de “Celtas do Oeste”. Em vez disso, se falarmos de etnogénese, devemos ir além das restrições das fontes escritas e termos a habilidade para conectarmos-las com outro tipo de fontes como assim as lendas, tradições, genética, etno-textos ou léxico dialectal. Em consequência, poderemos falar de “Celtas Paleolíticos” nesta área. Dentro deste quadro, Tartesso pode ser visto como uma das muitas relíquias escritas “recentes” de um fenómeno muito mais antigo.
- Por que acha que há este esforço renovado em algumas partes da Europa para desacreditar o termo "celta", ou mesmo até a existência de uma cultura celta?
Por três razões principais. Em primeiro lugar, sendo eu mesmo um anarquista, diria que há uma tendência inata por parte dos que estão no poder de excluírem a diversidade e, acima de tudo, “centralizarem” qualquer tipo de estratégia ligada ao seu poder. Assim, como sabemos, desde a sua proto-história os celtas sempre foram os “perdedores” em termos geopolíticos e foram excluídos logo de qualquer jogo de poder das elites europeias.
Em segundo lugar, podemos encontrar um desconforto geral com a celticidade se a compararmos às culturas oficiais padronizadas que, de certa forma, governam o mundo. Noutras palavras, admitir que a inquietante, multiforme, colorida, rural, estratificada e arcaica cultura celta possa ser parte de nós é, em muitos casos, difícil de aceitar para as pessoas criadas com a certeza e o mito conformista da estabilidade e um conhecimento superficial da história europeia.
Por último, e em relação às razões mencionadas acima, a cultura celta representa, em termos psicanalíticos, o subconsciente da Europa, o que provoca uma contínua tentativa para reprimi-lo e suprimi-lo.
- Como reconhecido investigador, mas também como poeta e músico, há algum tipo de conexão entre o seu trabalho académico e o seu trabalho artístico? Ou tenta manter ambos mundos separados?
Espero que estes três aspectos convivam, como acontece com diferentes elementos duma mesma paisagem. A minha expectativa é provavelmente parecer como um músico que estuda filologia, um poeta que toca harpa e um filólogo que compõe poemas.
- Depois de todas as suas viagens e investigações, como resumiria o “carácter céltico”? Por exemplo, quando visita a Galiza-Norte de Portugual, que sente em conexão com outros territórios célticos?
Primeiro de tudo, há um sentimento especial com o mar, que é diferente do que tenho observado noutras comunidades, tais como as das Ilhas Féroe ou do Mediterrâneo. Nas terras celtas este sentimento está ligado a uma atitude "lendária" e melancólica na percepção da paisagem marinha, e na capacidade de conectar lugares com histórias.
Há também uma clara, inata, não previsível, percepção musical do mundo. Além disso, existe a consciência do valor arcaico e civilizador de coisas que foram esquecidas noutros lugares, como partilhar umas bebidas, alimentos e histórias.
Nas V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas, o Prof. Benozzo participará com a palestra intitulada “Uma paisagem atlântica pré-histórica. Etnogénese e etno-filologia paleo-mesolítica das tradições galegas e portuguesas”.
O evento é aberto e de assistência livre e gratuita, e a intervenção do Prof. Benozzo será em inglês com tradução ao português.

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