Eu
tenho um animal curioso: metade gatinho, metade cordeiro. É parte da
herança de meu pai. Em meu poder, ele se desenvolveu completamente.
Antes, era mais cordeiro do que gato. Agora é meio a meio. Ele tem
do gato a cabeça e as garras; do cordeiro, o tamanho e a forma. E,
de ambos, os olhos, mas agitados e selvagens, assim como os pelos,
macios e rentes ao corpo. Os seus movimentos são saltitantes e
sorrateiros. Ao sol, no peitoril da janela, enovela-se e ronrona. No
campo, corre como um louco e ninguém o alcança. Ele foge dos gatos
e procura atacar os cordeiros. Nas noites de luar, apraz-lhe passear
sobre as canaletas dos telhados. Não sabe miar e abomina os ratos.
Ele passa longas horas espreitando o galinheiro, mas jamais
aproveitou uma oportunidade para matar...
O
conto foi escrito, em 1917, pelo escritor morávio, de expressão
alemã, Franz Kafka. Nele, o brilhante contista retrata a angustiante
condição de quem padece do hibridismo, mescla que leva à absurda
situação em que qualquer tentativa de identidade é impossível e,
ao final — veremos — imensamente destrutiva. Mas, não nos
antecipemos. Juntos, voltaremos ao conto de Kafka mais tarde.
Soube por meio de meu amigo José Manuel Barbosa, de uma entrevista ao sociolinguista espanhol Henrique Monteagudo — que é
profesor
de Filoloxía Galega na Universidade de Santiago de Compostela e Secretário da Real Academia Galega —
publicada no sítio Quilombo Noroeste. Leia
aqui. Cá, falo algosobre
o que, como brasileiro e lusófono, penso acerca do que disse o
súdito de sua Majestade.
Não
hei de resumir a entrevista concedida pelo escudeiro de El-Rei. O
leitor pode lê-la na íntegra no sítio acima indicado. Digo,
apenas, que o senhor espanhol parece muito pouco fiel à sua língua
de nascença (sim, o senhor Monteagudo nasceu não em Madri ou em
Sória, mas na Galiza!), quando, tomando por castiços, emprega
termos canhestros como a
respecto
ou por
suposto,
utiliza uma conjugação verbal de causar arrepios (aínda
que parece
estar),
troca — e sem trocadilhos, leitor! — “trocar” por “cambiar”
(as
cousas cambien),
e ainda se digna a debuxar (o filólogo conhece com certeza o verbo
desenhar,
mas, como bom feudatário espanhol, prefere o galicismo tão comum e caro
ao seu suserano franco-castelão) os caminhos nos quais o galego deve
seguir doravante...
A
um valete assim tão fiel, a um funcionário tão sensível, seria possível
imaginar o galego como uma língua internacional? Já lhe não basta
e sacia um galego que, para a alegria de Castela, não é carne e nem
é peixe? Nem
gato, nem
cordeiro, mas, ao mesmo tempo — e tragicamente — gato e
cordeiro?
A quem interessa o insulamento da Galiza? A quem interessa um galego
castrapo? A quem interessa a normativa castelã, que tanto estorva e
empeça a comunicação escrita da Galiza com as demais nações
lusófonas?
O
real acadêmico assegura que, falando galego em suas palestras a
ouvintes brasileiros, a
intercomprensión mutua é moi doada e esixe pouco esforzo.
Concordo com ele. E vou além. Digo, por experiência própria, e bem
fecunda, que o mesmo acontece quando um brasileiro palestra na Galiza
(de Oeste a Leste da Galiza, e vice-versa, em verdade). Mas ele
alega que a
comprensión espontánea do discurso en galego tamén me ten
acontecido ante públicos hispanófonos.
E por que não? Por que seria diferente, se a fala vem de um filólogo
que se esmera em escrever galego na ortografia espanhola; substitui,
e sem necessidade, os termos castiços por vocábulos e expressões
profundamente castelãos; viola — e rudemente — do galego
elementares vozes de conjugação verbal?
A
reação do sociolinguista espanhol ao reintegracionismo era-me bem
esperada. Nada a dizer. Não vou malhar em ferro frio. Neste
sentido, devolvo — e bem devolvido, já que não sou espanhol, mas
brasileiro — a ele, coa mesma moeda, o sexo
dos anxos.
Quanto
a nós, brasileiros, estamos bem (e muito
bem,
obrigado!) na companhia de Alexandre Herculano, Camilo Castelo
Branco, Castilho, Fernando Pessoa, António Vieira, Florbela Espanca,
Gil Vicente, José Eduardo Agualusa, Bocage, Antero de Quental,
Miguel Torga, Mia Couto, Eça de Queiroz, Sophia de Mello Breyner
Andresen, Herberto Hélder, Almada Negreiros, Almeida Garret,
Sá-Carneiro, Camões...
Não,
amigos, os brasileiros não precisamos de secessão
alguma. Nem de norma brasileira autônoma qualquer, o primeiro e
decisivo passo àquela ruptura indesejada. Amamos a nossa língua
como ela é, com todas as suas variedades, cores, sabores e
gradações. E ela é a língua portuguesa. Esteja ela onde
estiver, mesmo que — e talvez por melhor motivo — acima do
Minho, nós a amamos.
Ela,
e somente
ela, é a nossa Soberana.
Mas,
será que não concordo em nada com Monteagudo? Concordo sim! Já o
esbocei um pouquinho lá em cima. E, um bocadinho mais abaixo, devo
concordar plenamente com que o que disse o sociolinguista espanhol:
Polo
camiño que imos, o galego corre un serio risco de retroceso
catastrófico e irreversible.
Com
certeza! O camiño
que
ele apregoa, aqui no Brasil e alhures, não leva senão a uma triste
e autodestrutiva conclusão. Ele — este tenebroso sendeiro, este
caliginoso caminho
— não é nada menos que aquele que nos diz o desfecho do conto de
Franz Kafka:
...Acredito
seriamente nisto. Ele tem em si tanto a inquietude do gato quanto a
do cordeiro, embora estas sejam diferentes. Por isso, ele sente-se
tão incomodado na própria pele. Às vezes, ele salta à cadeira de
balanço, apoia as patas dianteiras em meu ombro, e toca-me o ouvido
com o focinho. É como se falasse comigo. De fato, ele vira a cabeça
para mim e me olha, observando o efeito que a sua comunicação
produziu em mim. Para comprazê-lo, ajo como se o compreendesse,
balançando a cabeça. Então, ele salta ao chão para brincar.
Talvez
a faca do açougueiro seja um alívio para esse animal, mas ele é
uma herança de família e, por isso, eu tenho que lhe negar o favor.
Por isso, ele deve esperar até que deixe de respirar por si próprio,
malgrado às vezes ele me olhe com os olhos da razão humana,
exigindo de mim uma atitude razoável.
A
história do ser humano é uma constante luta contra o desconhecimento na procura
do saber e da ciência, o que converte a ignorância no elemento negativo a
vencer mais importante de todos. O conhecimento e o saber dão poder, mas quem
tem conhecimento e está à contra do poder político converte-se num herege, num
apóstata e num subversivo. O autêntico poder sempre está na sombra e à vista
estão pessoas na maioria das vezes medíocres e pusilânimes que mais do que nada
estão para cobrir um vazio necessário e passar o tempo histórico que há que
exprimir ao vulgo, mas quando realmente a lucidez e o poder se aliam é quando a
história dá personagens que são autênticos pontos de referência para a
humanidade; no entanto, aqui do que vou falar é de todo o contrário; vou falar
da ignorância com poder, que é o mais comum e o que está mais presente no dia a
dia, como no caso do primeiro presidente do Panamá, Amador Guerrero quem
organizou um acto político de importância internacional o dia que o Canal de
Panamá se abriu ao trânsito marítimo.
O Senhor Guerrero convidou todas as
delegações das armadas europeias à apertura do Canal em 1914, mas comprovou
como alguns países não assistiam nem deixaram nada dito no que diz respeito da
sua assistência, como foi o caso da Confederação Helvética. Incomodado, o
Senhor Guerrero, e ofendido porque nenhum barco da Suíça tivera assistido a tão
importante inauguração, deu ordem aos seus ministros para prepararem com toda a
formalidade, uma declaração de guerra contra tão impertinente país. A final e
não sem pouco esforço, conseguiram fazer-lhe entender que a Suíça não tinha
frota, e muito menos militar.
Outro caso absurdo de ignorância com
poder foi o do primeiro delegado dos EEUU (não podia ser de qualquer outro país!)
no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, Warren Austin, quem
em 1948, quando se estabeleceu o novo Estado de Israel, a tensão política
chegou a tal ponto que acabou em uma guerra aberta entre os hebreus e os
palestinianos. O Senhor Austin pediu publicamente desde a ONU aos dous países
que arranjassem o conflito “como
bons cristãos”.
Lembro também o caso que aconteceu em
1890 na Abissínia. O Negus, quer dizer, o monarca do país, Menelik II, teve
conhecimento da invenção da cadeira eléctrica três anos antes por Harold Brown,
um empregado da empresa que era gerida polo famoso Thomas Alba Edison. O
macabro invento chegou ao conhecimento do Menelik que pensou que aquilo ia ser
um autêntico símbolo do seu poder naquele pobre país, mas não se deu conta, nem
sabia o bom do homem, que aquele instrumento de morte funcionava com
electricidade, cousa que na Abissínia dos finais do século XIX ainda nem se
sabia o que era. O Negus comprovou como aquela cadeira virava totalmente inútil
para aos seus fins quando teve a oportunidade de tê-la presente. Por fim e para
sair do assunto com certa elegância decidiu utilizá-la como trono.
Vem-me à memória mais outro episódio
não menos engraçado, e é que nos anos anteriores à primeira guerra mundial, o
Sultão da Turquia Mehmet V deu ordem de capturar um grupo de mercadores
austrohúngaros que penetraram no país legalmente para favorecerem as revoluções
no Império Otomano comunicando com total liberdade e impunidade pelo país
mensagens em clave para subverter o ordem político estabelecido. Quando o
governo autrohúngaro por meio dos seus legados investigou o assunto, descobriu
que os pobres mercadores vendiam bicicletas cujas dínamos eram capazes de
realizarem um alto número de revoluções por minuto e as mensagens secretas não
eram mais do que fórmulas químicas de farmácia para curarem pequenas feridas da
pele.
Pois bem, tudo o que acabamos de
contar parece próprio de épocas obscuras nas que as culturas e as civilizações
estavam ainda com os cueiros postos, mas é que o que vos vou contar agora
aconteceu na Galiza “autoanémica” -como é que diria o nosso José Manuel Beiras-, do século XXI e
é a notícia saída no jornal “La
Región” de Ourense o passado dia 20 de Janeiro de 2006 na página 23.
Nesse pequeninho artigo situado na margem da folha diz-se-nos que uma
organização chamada FUNDEU (Fundación del Español Urgente) acentua o apelido
FEIJÓO no primeiro “O”
segundo a sua análise diária do uso da língua espanhola nos meios de
comunicação e faz uma advertência de que o segundo apelido do político dos
Peares do PP Alberte Nunes Feijó (Alberto Nuñez Feijóo) leva “tilde” -como se lhe chama em castelhano
ao acento gráfico-. As razões são fundamentalmente de uso por parte da sua
família pelo que anima a respeitar a grafia escolhida por eles.
A nossa opinião é que a palavra “Feijó” é uma palavra galego-portuguesa,
não castelhana, e que nós grafaríamos com um só “O” e com “J”
proveniente da forma greco-latina PHASEOLU que teria por significado o mesmo do
que Feijão de cujas formas é variante; seria o nome vulgar e extensivo que se
lhe dá a umas plantas da família das leguminosas, com espécies, variedades e
formas muito cultivadas e apreçadas na alimentação. Tem por sinónimo Fava e o
seu correspondente castelhano seria “Frijol”, termo muito utilizado em alguns lugares de América.
Não sei se essa fundação linguística
defensora do idioma espanhol tem qualquer publicação onde nos aconselhar a
utilização de formas tão espanholas como “Guáxinton” para a capital dos Estados Unidos; Yan Yaques Custó para o
conhecido oceanografo francês; Roberto Xúman e Güilian Xespir para o famoso
músico germano e para o literato inglês; Margarita Zaxer para a ex-primeira
ministra britânica (ou Margarita Colmenero!! Que também poderia ser) ou Fransuá
Miteján para o também ex-presidente francês. O que sim sabemos com segurança é
que o Senhor Feijó não protestou nem contestou à Fundeu, mas nós desde a nossa
modéstia, reivindicaríamos, desde o respeito à opção pró-castelhanista do chefe
do PP galego e presidente da “Xunta
de Galicia” a forma ALBERTO NÚÑEZ FRIJOL,
para sermos justos e exactos e ajudarmos à coerência ideológica de tão preclaro
e digno personagem.
O facto de reintegrar a língua dos galegos
manifestava-se como uma urgente necessidade entre a maioria dos clássicos
galeguistas por motivos de utilidade prática e dignidade, isto é arrancar a
nossa língua das garras depredadoras dos políticos de Madrid de vinculação
castelhanista; outras vezes é um desejo de unificação do nosso território
quebrado, passando-se do linguístico ao político e falando inclusivamente de
temas tão à moda hoje como a incorporação do Berzo e outros territórios ao
território originário.
"Eu entendo que os nazonalistas galegos temos que chegar axiña a maor unificación posible sin mágoa do enxebre, entre o noso idioma i o portugués. Así o portugués lerase en Galizia doadamente acabando coa vergoña de que se nos ofreza polo intermedio do castelán o seu xenio."
António
Vilar Ponte
Pensamento
e Sementeira
Op. Cit. Pag. 257
"...no hay palabra netamente portuguesa que no sea netamente gallega y viceversa y que cuando en el portugués suena a extraño, para nosotros resulta extranjerismo o exótismo colonial. Quea opso facto trazado el camino que conduce a la anhelada unificación de las dos ramas de idéntico idioma"
António
Vilar Ponte.
Pensamento
e Sementeira
Op.Cit
152
“Pela gravitación inevitábel dum pasado
grorioso, por desbordantes semellanzas que non son casi que sempre ao
estudialas identitás, pola contextura interna que non acerta a diferenciarse
sinón pola acentuación do matiz, e, porque anque no nos entendamos nas verbas,
comprenderíamonos sempre escoitando o próprio peito n’haberá quem teña a
potestade d’impedir que por cima de
todas as fronteiras s’abracen a língoa galega e a língua portuguesa”
Manuel Portela Valladares
En
col da Língua Galega
Revista
Nós 1-Marzo-1923
“Os galegos non aspiramos a confundir
politicamente a Nosa Terra co Portugal rexido dende Lisboa (...). Pero dentro
de Portugal quedounos a mitade da nosa Terra, do nosso espírito, da nosa
língoa, da nosa cultura, da nosa vida, do nosso ser nacional”.
Afonso
Daniel R. Castelão.
Sempre
en Galiza
Pag
343
“A potencia era galega; a impotencia provén
da desintegración galaico-portuguesa”
A.Daniel
R. Castelão
Sempre en Galiza
Pág.
336
“ Calquer día afundese a inxenieiria
política e os portugueses e galegos volvemos a falar e cantar no mesmo idioma;
pero tamén se podem restaurar fronteiras que foron demoidas...”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág.
335
“...pero ainda é doado creer que, pol-as
mudanzas do mundo, se restaure a unidade galega, se non na sua integridade da
província romana ou no reino suevo, pol-o menos na do periódo cultural eu na
esfera da crítica literária se vem a chamar “galaico-portuguésa”.
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág.
227
“O território galego sigue dividido
politicamente pol-a fronteira que separa a Portugal da Hespaña...”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág
225
“As tres nacionalidades –Cataluña, Euzkadi e
Galiza- están tronzadas por fronteiras políticas, que dificultan a restauración
da sua unidade, e soio por un feito iolento sobre de Franza e Portugal, ou por
mudanzas de lindeiro (...) lograrian xuntarse os anacos dislocados das tres
nacionalidades”
Castelão
Sempre en Galiza
Pag.223
“A terra galega é, ao mesmo tempo unha
entidade étnica pero de dificultosa reconstrucción política, porque a fronteira
portuguesa róubanos a esperanza de anovar en breve a comunidade nacional dos
tempos suevos e visigóticos –com todo é doado esperar que o Bierzo e demais
comarcas limítrofes de Ourense e Lugo se incorporen ao seo da sua nación
natural; e o tempo –gran curandeiro dos erros hestóricos- posibilite a reconstrucción
total da nosa unidade. Non se pode creer que o río Miño, vello pai de Galiza
–representado na franxa azul da nosa bandeira- siga sendo un lindeiro
perdurable de dous Estados”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pag.
44-45
OUTROS
EXEMPLOS DE REINTEGRACIONISMO
A defesa do reintegracionismo tem como
sustento, para além do seu argumentário filosófico-linguístico, outro que tem a
ver com os exemplos anteriores. Na época dos clássicos botava-se mão do exemplo
neerlandês, quer dizer, do reintegracionismo entre o flamengo e o holandês do
qual também botou mão o nosso lembrado e saudoso Professor Ricardo Carvalho
Calero. A dia de hoje na Europa podemos constatar mais exemplos, como é o caso
do moldavo-romeno, do norueguês-dinamarquês, do albanês-cosovar, etc...
Eis
o que diziam no século XX os galeguistas:
“...y su
unificación (do galego e do português) es tan fácil, sinó más que la realizada
por flamencos y holandeses en el idioma común, que sólo se diferenciaba en la
ortografia y en algunos giros prosódicos”
António
Vilar Ponte
Pensamento
e Sementeira
Pag.
346
“Os flamengos usaban unha ortografia
diferente da d’os holandeses, as suas
línguas se4ran entre si tan semellantes como o galego e o portugués. Un día
chegou en que os partidarios do idioma flamenco tiveron que abandonar a sua
ortografia e admitir a holandesa para fazer mais eficaz a sua fala.
(...)
Cato mais tempo pase mais difícil será facelo pois a ortografia irase
arraigando coa gran riqueza de produción literaria galega”.
Johan
Vicente Viqueira
Pol-a Reforma ortográfica
A
Nosa Terra. Nº 43. Pág. 1
O ISOLACIONISMO NAQUELA ALTURA
O chamado isolacionismo também existia nos
começos do galeguismo nacionalista; não é novo hoje. No que se diferenciam os
de aquela época dos de hoje, para além da ortografia que eles empregam e ainda
empregam hoje, é na filosofia de fundo. Aqueles isolacionistas dos anos vinte e
trinta, conseqüentes com o seu galeguismo, não eram seguidistas das normas do
castelhano. Eles escreviam com uma ortografia fonética que poderia ser válida
para a nossa língua se esta fosse uma ilha no mundo das línguas, como é o
basco, por exemplo, mas hoje escrevem com a ortografia que Viqueira denomina de
“Vulgar”.
Os mesmos autores isolacionistas se decatam
que a ortografia empregada hoje nos documentos oficiais é a do castelhano. Isso
leva-nos a podermos definir esse isolacionismo de inconseqüente ou mesmo
seguidista do castelhano perante o qual se submete. O pior do assunto é que
nesta altura histórica não quer nem seocultar para quem tem olhos na cara,
obscurecendo-se com um argumentário capaz de convencer à gente menos preparada
do ponto de vista linguístico contando mesmo com o poder de estar presente no
ensino e nos média.
“Por desgracia a
ortografia portuguesa non é nada recomendabre. Como se be, a ortografia portuguesa
esta moi lonxe de merecere os onores da adoucêóm polos gallegos”
Aurelio Ribalta
A Nossa Terra nº 93
Pág 2
“Dixen en no número 93 de
ANT qe a ortografia portuguesa non e centifica nin sistemática e qe por ende, non bal a pena d´imitala.
Esta proposición miña leba
impricita esta outra: fai falla crerare unha ortografia gallega. A esto tendia
eu; a qe se fagan estudios serios para creala, pra que sallamos dunha bez da
rebolta morea de pedantes qe nos afoga”.
Aurelio Ribalta
A Nosa Terra Nº
96
Pag 3
“E perciso pensar en un-a
ortografia galega. Estamos nun periódo de rreboluzión, enke kada un eskirbe a
sua maneira e iso nin pode segir, si se llá dar forza o noso idioma ¿Ken se
mete adeprender un-a lingua ke pola sua anarkia ortografika bolbe parbo o ke a
eskirbe?
Ortografia fonétika.
Xosé Palazios
A Nosa terra nº 100 Pág 2
Contrariamente a isto, os que poderíamos chamar
reintegracionistas (e estou empregando uma terminologia atualizada) que são
maior número, argumentam em favor da unificação galego-portuguesa que isolar-se
é morrer e é não viver no mundo.
“Teño unha razon
fundamental contra a ortografia fonética: Admitindoa apartaria-mo-nos do mundo
lingüístico inteiro. !E isolar-se é morrer! Sobre todo isolariamo-nos do
portugues. O galego non sendo unha língua irmá do portugués senon un portugués,
unha forma do portugues (como o andaluz do castelán), ten-se que escribir pois
como portugués. Vivir no seu seo é vivir no mundo; !é vivir sendo nos
mesmos!Escribindo c´a nosa ortografia etimológica (admitida po-la nosa
Academia) escribimos cuase como en portugués.
Po-a reforma ortográfica
Johan Vicente Viqueira
A Nosa Terra Nº 102 Pag 2
Veja-se que a Real Academia Galega admitia a Ortografia
etimilogica, cousa que nom fai hoje; veja-se assin mesmo que Viqueira utiliza o
traço em palavras como “isolariamo-nos” “isolar-se”, etc.
“A ortografia etimológica
debe se-la nosa. Nos é preciso estudala. ¿Como?. Aprendendo a escribir en
portugués”.
Da renascenza linguística
J. V. Viqueira
A Nosa Terra Nº 77 Pag 5
“Prencipalmente no que se
refire a ortografia foetica, con ista ortografia ninguan estranxeiro poderá
traducire as cousas galegas”.
Iglesia Roma.
A Nosa Terra Nº
94
Pag 3
“A ortografia galega de
hoxe é a ortografia castelán aplicada por corrución á nosa língua. Teria, pois
de se modificare”.
Florencio Vaamonde.
A
Nosa Terra Nº 94 Pag 3
“E derradeiramente temos
forzosamente que reformar a ortografia. Unha delas é a fonética: ésta ten o
inconveñente de que en Galicia hay moitas fonéticas, algunhas ainda
descoñecidas, e que nos ailla do resto do mundo, sobre todo, do portugués, pois
nen este nen ningunha outra lingua escribese hoje foneticamente. Deixando a un
lado ésta, temos ainda duas ortografias: a vulgar, usada por Rosalia de Castro,
Curros, Carvajal e hoje usualmente, e a academica ou etimológica, admitida
sabiamente pol-a Academia Galega, emprega por Pondal e en gêral, pol-os
eruditos.
Nosos problemas
educativos.
J.V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 62
pag 4
DIFICULTADE DO GALEGO CORRECTO
Os isolacionistas dizem contra a versão reintegrada da nossa
língua que é dificultosa, pois muito diferente da utilizada pelos média, pelo
ensino e pelos documentos oficiais.
A isto atualmente responde-lhe-íamos dizendo...
1º) Outros povos utilizam a norma própia da sua língua sem
decalques nem submissões embora tenha existido um idioma mais poderoso como
língua A durante muitos séculos. (Catalunha, Euzkadi, Irlanda, etc)
2º) A utilização da norma castelhanista em galego é síntoma do
submissão línguistica e de aceitação duma diglóssia que marca uma tendência
substitutiva.
3º) Nenhuma norma é difícil se esta se aprender
convenientemente. Não são mais inteligentes os nenos irlandeses, bascos ou
catalães do que osgalegos por
apreenderem líinguas e normas diferentes do inglês ou do castelhano.
Poremos o exemplo do ocitano. A maior parte da gente nesse
país, não estuda ocitano mas francês. Ali têm o francês como língua de poder e
o idioma pátrio está na categoria já de “patois”. Se uma pessoa do povo quer
escrever a palavra que em occitano significa “Cão” não escreveria como
corresponde à sua língua, mas com à francesa, isto é: “Tchou” que lhe há de
parecer mais viável, do que “Chu” que seria o correcto. Em qualquer caso essa
palavra pronunciar-se-ia (t∫ W).
Isto já se discutia entre os clássicos galeguistas.
“Mais esta ortografia é dificil ja
que o galego non se ensina na escola”.
Pol-a reforma ortográfica
Johan V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 102 pag 2
“Certo, non podemos d´un
golpe introducir unha ortografia â que non estamos habituados. Pol-o momento
debemos aceptar a ortografia erudita, etimológica, o que será un gran paso.
Mais conseguido esto,
precisamos continuar a nosa obra e camiñar pra a total unificación da
ortografia galega e potuguesa. Asin introduciremos a NH pol-a Ñ, a LH pol-a LL
e outras modificacions que o leitor poda adiviñar fácilmente. Fara-se isto
primeiramente n`as publicacións eruditas, científicas, depois, n´os populares”.
Pol-a reforma
ortografia
Johan V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 43
Pag 1
A MODO DE CONCLUSSOM
Há que salientar que todos os autores que escrevem as citas
expostas neste trabalho não são lingüístas, mas afirmam umas cousas às que se
chega não o sendo precisamente. Chega com ter os ouvidos salutáveis. Os lingüístas
por outra parte também chegaram à mesma conclussão mas dando a argumentação
válida que o tema precisa e confirmando a intuição de todos os nossos grandes
personagens.
O facto de os nossos galeguistas utilizarem a versão
castelhanizada explica-se por estarem eles alfabetizados na língua oficial do
Estado por uma parte, por não terem conhecimentos científicos de língua e por
um salientável interesse pedagógico ao
saberem que se utilizarem a norma válida não poderiam ser facilmente acessíveis
ao povo que os lê. De qualquer forma, vê-se também que os mais cultos e
eruditos como é o caso de Viqueira, chegam a
aproximar-se mais do que outros ao desejado por eles próprios, muito adiantados para aquela época,
empregando G, J, e X de forma etimológica e até escreve com Ç.
“Nom pode supôr canto
ll`agradezco a sua atención, agás do meu persoal sentimento de gratitude,
tamém, pol-o qu´eu admiro a sua produçom poética...”
Borrador da carta
de Viqueira a Teixeira de Pascoães agradecendo-lhe o envio de livros por meio
de Cebreiro.
Depois da morte de Viqueira publica-se o seguinte texto...
“Johan Viqueira, Noso
Grande Morto”
“Paresce como si a Galiza
tivera a mala fada de perder seus filhos melhores. No pequeno cimiterio
de Ouces, nas doces e tenras marinhas de Betanzos, repousa ja para
sempre endejamais o gran poeta Johan Viqueira, cando a sua vida escomenzaba a
florire. (...)
Revista Ronsel. Pag
14
Do Nº 2 do Mês de
Junho de
1924
Está muito presente entre o comum adia de hoje e também
naquela altura de que o elemento que marca a diferença básica entre galego e
português é a ortografia. Segundo nos tem comunicado muitas vezes o nosso
prezado lexicógrafo galego Isaac Alonso Estraviz, o 95% das formas léxicas
galegas são comuns e ainda outras não registadas até agora em qualquer
dicionário português são formas dialectais ou formas populares existentes em
Portugal. Algumas são por exemplo a segunda forma do artigo, comparativo com
”mais ca”, S final nos perfeitos de indicativo, formas em CA envez de QUA, etc...
o que não é motivo para considerar como diferentes línguas falas ao Norte e ao
Sul do Minho.
Há autores que falam de língua galega e de língua portuguesa e
poderia parecer desde o ponto de vista atual que ao falarmos assim poderíamos
considerá-las línguas diferentes; o que acontece é que nos anos do surgimento
do galeguismo, as ciências da linguagem não tinham muito claro o conceito de
língua e por outro, a pouca ou nula preparação lingüística dos nossos
galeguistas que empregam a sua terminologia de forma inexata muitas vezes.
Vemos portanto que quando houve a necessidade de aplicar um
mínimo trabalho científico surgiu o reintegracionismo na praxe. Quer dizer,
acabou-se por levar à realidade escrita uma teoria que vinha de muito atrás. O
que não é lógico e talvez também não seja ético é que gente que se
auto-proclamam como científicos da língua façam uma norma como a ensinada hoje
nos centros de estudo, a usada nos média e a utilizada nos centros
administrativos. Só o explicaríamos por vinculações políticas espúreas e por
necessidade de defender os seus postos de trabalho em origem. A dia de hoje, a
inercia dos acontecimento e o peso de quase trinta anos de insistência faz mais
amplo este leque e mesmo acreditamos na bondade de muitas pessoas que têm fe noque lhes ensinam, as suas
ocupações não se encaminham para assuntos linguísticos e não têm porque
entrarem nos assuntos muito ocultos e nada publicitados dos assuntos da língua.
Os anti-galegos (já não anti-galeguistas) quereriam que não
existisse uma língua que os galegos pudessem ter como fruto do seu génio e se
por qualquer circunstáncia tivessem tolerá-lo, prefeririam descafeiná-lo quanto
mais melhor. O resultado é o que temos temos. Algo que se pode vender aos
galegos como un producto light que não põe em perigo a hegemonia do castelhano
e impõe-nos a nós a máxima da divisão.
Há quase
quinhentos anos, Michelangelo Buonarroti completou com estéticos desenhos os
teitos da Capela Sixtina, para que todo o mundo pudesse contemplar a beleza e a
arte duma época que prometia ser interessante na história da humanidade. A
partir daquela data, milhares....talvez milhões de pessoas puderam desfrutar
com absoluto arroubo, tal magnificência e tal formosura saída da mente e da mão
dum simples ser humano.
Tanta gente,
tantos anos, tantas variações climáticas, tantas respirações dentro da capela,
fizeram com que o cromatismo original e a beleza primigénia dos frescos que
tanto escandalizaram os cristãos da época se fosse apagando pouco a pouco como
se for uma aparição fantasmagórica depois da qual deveríamos esfregar os nossos
olhos para comprovarmos se a visão foi real ou não.
Com muito bom
critério, há somente uns anos, o Bispo de Roma, decidiu recorrer a um grupo de
expertos restauradores de obras de arte para recuperarem a cor originária das
pinturas à vez de limparem as impurezas de quase cinco séculos de descuido.
Esta decisão provocou o posicionamento em favor ou em contra da recuperação dos
frescos da capela. Por um lado estavam os que defendiam a ideia de deixarem
como estava a Capela, com a consequente perda de nitidez e colorido de tão
grande obra, que talvez acabaria num futuro, mais próximo do que longínquo, com
a perda definitiva da criação do génio da Toscana. O argumento mais poderoso
que se expunha era que a tal obra não se lhe podia tocar porque seria uma
profanação do labor do mestre italiano. Seria melhor deixar que levemente e sem
sentirmo-lo se fosse apagando até se perder para sempre e que ficasse como uma
simples recordação duma época de harmonia estilística.
Por outra parte,
estava o outro grupo de pessoas que defendiam a possibilidade da perpetuação e
recuperação das pinturas por meio dum labor profissional, exato, experto,
técnico e sensível. Estes julgavam que tal monumento bem valia um banho de
carinho reparador e revigorizador qual se duma injeção de vitamina vital se
tratasse, para que pelo menos a Capela pudesse resistir outros quinhentos anos
de esplendor e que outros tantos milhões de seres humanos amantes da arte e da
beleza pudessem sentir vivo o seu espírito na contemplação dos escorços
buonarrotianos.
Também há mais
de mil anos, o povo galego fez, a partir da língua que os romanos trouxeram à
Galiza mesclado com as falas populares dum povo celta que aqui habitava desde
épocas ancestrais, um romanço formoso que servia não só para transmitir
pensamentos ou sentimentos mas como instrumento criador duma cultura, duma
forma de ser capaz de alimentar a alma de todos os seus utentes e igualmente
manter uma identidade sólida como o granito. Posteriormente e quinhentos anos
atrás, uns Reis cujos interesses eram os dum poder sediado no planalto
castelhano levaram a cabo a “doma do Reino de Galiza”, ou a tentativa de
castração nunca conseguida até agora, provocando nesta Capela Sixtina da nossa
identidade uma contaminação e uma esclerotizaçãoque faria perder o seu colorido originário que se ia apagando
lentamente, desviando-se durante vários séculos do seu caminho natural, seguido
em troca, de forma perfeita e com muito sucesso no Reino de Portugal.
Como aconteceu
nos frescos da bela Capela Sixtina, o nosso idioma na Galiza foi perdendo
viveza por falta de cultivo, foi deturpando-se subtilmente como se duma rosa
cortada da roseira mãe se tratasse, vendo-se privada do alimento que lhe
fornecia a chispa vital.
Hoje, na época em que a humanidade começa um nova e longa etapa de tomada de consciência de si própria, época em que a liberdade é um bem supremo ao lado do conhecimento científico, abrindo-se passagem por todo o orbe, momento em que a mente humana começa um importante período de expansão, época no que as palavras "humanidade", "irmandade" e "consciência" se estendem por todo o planeta, também na Nossa Terra é momento de tomada de posicionamentos: Por uma parte os que querem deixar as cousas tal qual estão, sem modificar o mais mínimo, aceitando a contaminação e a deturpação provocada por séculos de maltrato dirigido por uns interesses que nada têm autótones. Este posicionamento de aceitação da língua dos galegos sem mudanças, faz que caiamos no perigo da perda e da desaparição da língua, perdendo com isso todo o benefício que traz consigo ao pertencermos a uma civilização da qual somos Matriz, renunciando à apertura de caminhos para a prosperidade e a reafirmação da identidade.
Pelo contrário,
os que julgamos que a nossa língua, ao igual do que a Capela Sixtina, deve
recuperar o seu colorido originário, o seu brilho, o seu esplendor e a sua
beleza, não compreendemos como se pode ser tão negativo e tão desleal com o
nosso pensamento desde posicionamentos institucionais, impedindo a chegada
do nosso discurso, impedindo a transmissão do conhecimento científico, da livre
circulação de ideias, do direito à discrepância...no mais puro estilo da Europa
medieval e teimando por levar à fogueira as bruxas que defendem não só uma
forma de perceber o que nós chamamos português da Galiza mas também as bruxas
que mesmo defendem o direito a que um povo como o nosso possa educar os seus
filhos numa língua que abre as portas de quase 300 milhões de seres humanos por
todo o mundo.
O nosso idioma
merece um repasse restaurador com mão amorosa para que possa sobreviver e
poder-se livrar dos grandes sáurios que levam o guiador da nossa Pátria para
que fiquem na obscura gaveta dos pesadelos.
Aqueles que
desde estamentos oficiais –e não só- apoiam que a língua continue como está,
apoiam um projeto dirigido desde Madrid que só procura a nossa eliminação como
povo. A Galiza não é querida por Madrid, não é amada, nem é aceitada. Faz parte
dum Estado que a possui como um marido maltratador ou como a pressa dum vampiro que quer sugar o seu sangue,
que quer se aproveitar dela sem dar nada de volta. Existe uma falta de respeito
constante e continuado na não aceitação da Galiza que chega ao ponto de
contagiar a muitos galegos com certa debilidade inteletual, criando neles uma síndroma que faz deles uns seres
desnaturalizados e enfermos que se odeiam a si próprios e os sinais
identitários que nos individualizam. Acreditamos que o nosso País não seria aceitado por Madrid ainda
se tornando castelhano... e inclusivamente haveria galegos que continuariam a
não querer ser galegos mas uma sorte de "madrilegos" mutantes. Chegamos a pensar
que ainda estando dentro da Espanha não se quer a prosperidade
de Galiza embora isso suponha prosperidade para Espanha. Madrid e com ele os
“madrilegos”, não estão interessados nem em fazer mais próspera e mais habitável
a sua Espanha porque não querem ver próspera e auto-identificada a Galiza que
poderia fornecer elementos de progresso e de crescimento -entre eles o da
língua- ao próprio Estado...O que quer Madrid e os “madrilegos” é uma Galiza submissa
ainda que com isso Espanha se tornar mais pobre.
Se a Espanha fosse positiva connosco, mesmo
poderíamos pensar numa Espanha plurinacional, como plurinacional é a
Suíça, por exemplo. Mas acreditar nisso é como acreditar na bondade do
diabo. Os galegos conscientes devemos contar com estratégias
inteligentes para impedir que se nos apague como povo. A língua neste
processo é um elemento identitário fundamental. A língua é a nossa
Capela Sixtina e não só do ponto de vista estético, mas igualmente do
ponto de vista geo-estratégico e económico. Ela dá-nos força e
empodera-nos. Da-nos raiz e arraigo com o qual não estaríamos nunca nem entangaranhados nem raquiticos mentais. Sem língua somos simplesmente uns ninguéns embora com
língua podemos inclusivamente dar-lhe a volta ao sistema de forças da
península. Se não nos querem, queiramo-nos nós e demostremos o que eles
perdem por não nos aceitarem como somos. A auto-estima é contagiosa se
com galegos tratamos e por se fosse pouco ela provoca respeito nos que
não são galegos e sentimentos contraditórios nos "madrilegos". É uma
energia poderosa que nos abre portas e nos posiciona ali onde nunca
devimos deixar de estar.