A provincialização é uma velha ferida que a Galiza mantém viva desde o 30 de Novembro de 1833, dia em que o velho Reino da Galiza na altura com 1422 anos de História sobre as suas costas deixou de existir. O provincialismo, primeiro movimento galeguista do século XIX, tentou adaptar a legalidade vigente ao quadro político surgido da chegada ao trono da Rainha Isabel II de Bourbon (1), propondo o reconhecimento da Galiza como um território uni-provincial, longe da artificial e artificiosa divisão em quatro absurdas províncias a partir das quais o nome do País ficou banido da nomenclatura administrativa.
Essas quatro províncias, durante estes últimos 183 anos serviram para manter uma classe dirigente anti-galega, localista, servil a Madrid, agressiva contra os interesses do País e subsumida na corrução, tolerada pelo alto poder político do Estado como pagamento aos serviços emprestados. É o historicamente denominado de "Caciquismo" que o galeguismo político leva criticado desde os inícios.
Nas notícias destes dias e perante a possibilidade e probabilidade de uma mudança política que incluiria uma modificação da legalidade constitucional e com ela uma posta em questão e talvez supressão das Deputações provinciais, organismos de governo das províncias espanholas, pensamos que recolher a velha reivindicação da província única galega como uma possibilidade assuntível pelo galeguismo institucional deste momento, com visos de poder levar-se a cabo se este galeguismo tomar consciência real da sua capacidade para atingir o objetivo.
Certo que temos muitas dúvidas deste "galeguismo" que nos tem defraudado tanto e que demonstra dia após dia a sua debilidade, tanto ideológica quanto prática e estratégica... mas por propor que não fique.
O possível novo Governo espanhol teria como provável presidente ao Secretário Geral do Partido Socialista que nas negociações destes últimos meses tem pactuado com o grupo político de "Ciudadanos" com quem têm elaborado um documento programático comum com pontos a levar a cabo durante a legislatura no caso de se materializar o apoio do Congresso. O partido político de "Podemos" dentro do qual esta o grupo galego de nome em castelhano "En Marea" (2) é o (sub)grupo galego dentro do parlamento que diz defender interesses galegos, por isso parece-nos oportuno fornecermos informação e propostas que poderiam ir adiante se houver vontade, consciência e o suficiente poder como para influir no do seu grupo parlamentar.
"Supresión de las Diputaciones Provinciales de régimen común y creación
de Consejos Provinciales de Alcaldes para la atención al funcionamiento
y la prestación de servicios de los municipios de menos de 20.000
habitantes de la provincia respectiva.
O galeguismo que tem representação parlamentar com qualquer
capacidade de decisão, quer pela banda do BNG, quer pela banda de "En
Marea" ainda poderiam fazer valer a ideia do velho
galeguismo de conformar Galiza, enquanto estiver dentro da Espanha, como
uma província única. Se isso fosse assim, as deputações provinciais tal
como se conhecem hoje ficariam na História e dariam cabo a uma etapa
obscura da organização territorial do nosso País. As competências desses
"Consejos Proviciales de Alcaldes" saídos deste reforma, finalmente seriam para o Governo
Galego da Junta da Galiza. Posteriormente a própria Junta poderia
implementar uma divisão territorial interior fazendo cumprir o artigo
40.1 (reconhecimento da Comarca como entidade local com Entidade
Jurídica própria) e 40.3 (reconhecimento da Freguesia ou Paróquia Rural
com entidade jurídica própria) derrogando a legalidade atual que as
proíbe contradizendo o Estatuto da Galiza.
Valorizem
se é que merece a pena tomá-lo em conta agora que há vontade de
modificar a legalidade vigente por parte dos partidos que vão conformar o novo
governo espanhol. Chamo com isso aos responsáveis para que valorizem uma mudança pelo estilo, de importância vital para o País, para evitar o despovoamento da Galiza e para revitalizar o corpo demográfico, geográfico e mesmo económico dum País em perpétua falência desde já há tempo demais.... Ou será
que as medidas de (re)construção nacional vão ficar adiadas até que sejamos uma curiosidade historiográfica do futuro?
* * *
1- Isabel de Bourbon foi na
realidade, a primeira rainha Isabel da Espanha, Isabel I, portanto, pois Isabel de Trastâmara, conhecida como a Rainha Católica a incorretamente reconhecida como Isabel
I da Espanha não era da Espanha, mas de Castela, de Leão, de Granada, de Toledo, de Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jaém, dos Algarves, de Algezira,
de Gibraltar, das Ilhas de Canárias, Senhora de Biscaia, de Molina. Aliás era Rainha consorte de Aragão, de Sicília, de Valência, de Malhorcas, de Sardenha, de Córsega, Condessa de Barcelona, Duquesa de Atenas e de Neopátria, Condessa
do Rossilhão é de Cerdanha, Marquesa de Oristà e de Gociano...é e portanto não podia ser Isabel I da Espanha)
2- O nome de "En Marea" está em castelhano mas não temos muito mais a dizer do "Bloque" que também tem o seu nome em castelhano. Na nossa língua seria "Bloco"... U-lo galeguismo linguístico? Já sabemos: não é prioritário nem importante. "Como em Irlanda, como em irlanda...."
O dia anterior a escrever
estas linhas, vi o debate sobre o estado da Nação celebrado estes
dias passados no parlamento do Hórreo. Como quase sempre nas últimas
décadas é tudo muito aborrecido excetuando as intervenções do
José Manuel Beiras que são as que lhe dão sabor ao debate. De tudo
o que ele falou quereria salientar um ponto que me deu para pensar e
consequentemente originou este artigo que estais começando a ler.
O professor Beiras é
pessoa com uma importante lucidez mental e com o seu brilho
particular deu a conhecer a sua vontade generosa ao manifestar que
ele tinha escolhido o bando dos perdedores (Vídeo aqui). Evidentemente isso não
pode sair duma pessoa débil. Quem é capaz de se pôr da parte dos
perdedores tem de ser pessoa de carater poderoso, generoso e estar
bem disposto a recebê-las dos média, sempre prontos a vilipendiar
todo aquilo que vá contra o stablishment originado desde os 80
quando se criou a Galiza autonómica -auto-anémica que diria ele
próprio-. Outros personagens políticos preferiram a segurança do
poder porque necessitam ocultar as suas carências e misérias
humanas, tanto inteletuais, quanto políticas ou morais, debaixo da asa
protetora da grandíssima besta das sete cabeças que é o que
representa esse poderoso construto estatal despótico qual leviatã devorador de tudo aquilo que se lhe puser por diante, onde levamos submersos muito
mais tempo do que seria desejável por qualquer pessoa conhecedora e
amante do Nosso País.
Mapa da Corrupção do PP
A hipocrisia, a
bastardia, os complexos, a corrução e a malícia ficam ao descoberto
sempre nas figuras de quem nos têm governado os últimos quase trinta anos
-embora nestes últimos tempos com mais baixeza do que nunca-, com personagens de nova
geração que nunca acreditaram em si próprios, nem no povo galego,
mas ocultando essa mediocridade, acrescentada no facto de se refugiarem nas siglas
falsamente populares dum poder sem princípios nobres. Por essa pratica desleal dos políticos que nos regem hoje e pelo abuso ao que estamos submetidos por parte dessa grei de políticos descastados, o professor Beiras identificou-nos aos
galegos com os perdedores.... mas isso chegou-me ao fundo.
Perdedores, talvez, porque não estamos numa situação de libertação mas tudo o contrário...
Para o galeguismo
oficial os obstáculos a vencer são dous: o sistema e o
nacionalismo espanhol. A resposta desse galeguismo oficial ou
institucional é a oposição visceral contra estes dous elementos
como se fossem um só. Lógico, se esse galeguismo se tem definido
como “nacionalismo de esquerdas”, mas duvido da sua lógica se de
efetividade e de eficácia estamos a falar.
Desde os anos 60, o
galeguismo tem sido um nacionalismo de barricada, de resistência,
nunca um movimento com vocaçao de poder. Isso tem feito com que os
partidos políticos com certo sucesso nestes últimos trinta anos -a
maior parte deles integrados no BNG durante os anos 80, 90 e durante
algo mais de uma década do século XXI-, tenham sido mal tratados e
mal considerados desde todos os médios de comunicação,
discriminados, manipulados e até abusados legalmente porque esses
dous inimigos -sistema e nacionalismo espanhol-, aliados entre si têm
colaborado estreitamente fazendo impossível botar abaixo tal
construto. A sociedade galega tem ido de cara à desnacionalização
nestas últimas três décadas muito mais rapidamente do que nos anos
de Franco e de forma mais eficaz do que nos chamados Séculos
Obscuros. A aliança anti-galega -sistema e nacionalismo espanhol-
têm-se apresentado como invulnerável e invencível com um PP no
poder como o PRI em México, intratável e burlador, corruto e
totalmente desleal. Aliás, o PSOE, partido nada vinculado com os
interesses do País (contrariamente ao seu homólogo catalão o PSC)
age como colaborador do PP e obstaculizador do nacionalismo, com
pouca ânsia de governar quando lhe corresponder e favorecendo o fora
de jogo dos seus inevitáveis aliados de governo
nacionalistas. O BNG em minoria e desempoderado foi sempre objeto de
maltrato político e legal, evidenciando uma falta de eficácia
importante a respeito da necessária construção nacional tão
necessitada pelo Nosso País. Só duas ligeiras esperanças foram as
que nos fizeram abrir os olhos estas últimas décadas: a última foi
quando o Bloco chegou a ser segunda força política, pronto a
governar e a primeira quando aquela histórica Coligação Galega chegou
prometendo nacionalismo e governabilidade homologando-se assim aos
sempre eficazes PNV basco e CiU catalão.
Ambas as esperanças
morreram. A última por má gestão do Bloco e a segunda por uma
muito boa gestão caciquil do PP comprando a vontade e a adesão dos
daquelas nomeados “coagas” mais facilmente subornáveis. A gente
digna da C.G. ficou no partido, mas fora do parlamento e sem qualquer
hipótese de recuperarem os assentos do Hórreo.
Entretanto a Catalunha e
o País Basco caminhavam de cara a sua construção nacional com a
força suficiente como para pôr em apuros Madrid até o ponto de
chegarmos ao momento no que estamos hoje, falando de
independências e de criação de novos Estados livres na Europa fora do poder
madrileno. Mas a isso chegou-se porque o nacionalismo catalão não
se confrontou com o sistema ou pelo menos porque não mesclou a luta
anti-sistema com a luta de construção nacional. A prioridade foi a
reivindicação do direito a decidir em favor da construção
nacional e não o confronto com um sistema, quer dizer, optaram pela
luta política contra o inimigo mais assumptível: o poder
madrileno. Confrontar dous poderosos inimigos ao mesmo tempo não ajudou nunca nada.
As circunstâncias criadas por trinta anos de cousas bem feitas ajudam
na reivindicação da autodeterminação. Por outra parte se o povo catalão
conseguir a sua soberania estaria em condições de atender ao
outro problema, o sistémico, organizando-se conjuntamente com outros povos livres para botar-lhe à mão
ao pescoço a uma situação mundial que se manifesta “anti-pessoas”. Botar
abaixo um sistema dentro do próprio país desde a condição de nação sem Estado não é viável nem possível, ainda que se atenda essa necessidade... A falta de soberania impossibilita mudar as estruturas interiores porque sempre há um poder acima, o do Estado Central, que corta toda iniciativa. Sim é viável, em troca, modificar as próprias estruturas quando o País é soberano e mesmo pode colaborar com outros países
soberanos desde os movimentos sociais para trocar um
capitalismo neo-feudal por uma forma mais humana de nos organizarmos.
Na Galiza ainda não se
tem visualizado claramente que há dous inimigos e aliás duas frentes com diferentes prioridades. O mais imediato problema que
obstaculiza o nosso desenvolvimento é o poder madrileno e é por isso
que não podemos permitir-nos que o Estado se alie com o sistema... ou
dito de outro jeito: o galeguismo deve abrir as portas de imediato a
uma opção política que não seja anti-sistema com o objetivo mais
imediato de inutilizar a agressão menos difícil de neutralizar. O
leque partidário deve estar completo. A esquerda nacionalista já
existe e mesmo com um certo sucesso comparado com outras forças nacionalistas de esquerda de outras nações
sem Estado. Falta no parlamento galego a versão
denominada de centro-direita. As contradições do regime
nacionalitário espanhol são bastante menos difíceis de pôr em
evidência do que pensamos se os esforços se fizerem tanto desde a banda esquerda como desde a banda direita.
Numa situação
partidária coxa na que todo o esforço dos galeguistas se exprime
desde um posicionamento estritamente de esquerda não faz
possível a saída da situação na que estamos e desde a que
recebemos golpes por todos os lados. Não estamos defendidos com este
nacionalismo que ataca sempre pela mesma banda, a banda que está
melhor defendida pelo oponente. No entanto, com todas as opções presentes, o jogo
partidário é mais ágil, mais fácil, as maiorias absolutas do PP
mais difíceis, o progresso da sociedade galega mais viável, a
desgaleguização da sociedade por parte das forças políticas não-galeguistas mais difícil e a democracia mais real. De continuarem as cousas tal qual
são hoje é fácil que deixem de ser uns imperialistas fracassados
mais tarde ou mais cedo. Isso sabia-o muito bem Manuel Fraga que
muito inteligentemente foi contra a Coligação Galega no seu dia.
Ele sabia que era desde esses posicionamentos políticos donde
poderia vir uma situação similar ou parecida à que está a
acontecer em Catalunha porque o sistema poderia aceitar uma Galiza
livre dentro do sistema mas não se permitiria nunca uma Galiza
governada por marxistas.
O nacionalismo dos
últimos trinta anos leva sido pouco prático,
quer porque o galeguismo de centro-direita não soube
manter-se, quer porque o de esquerdas não permitiu que nascesse nada
à sua direita com muito pouca visão “de Estado”. O BNG pôde
ter favorecido forças à sua direita e mesmo teria sido bom para ele
mas isso não o viram os seus dirigentes obcecados nos seus
posicionamentos estreitos. Um nacionalismo com mais dum 20% do voto
não solucionou nem vai solucionar nunca nada. Sim solucionaria, todavia, junto com uma representação dum 20 ou um 30% doutro partido como pôde ter sido C.G. Se essa
possibilidade fosse favorecida desde um BNG aberto e mais
imparcialmente galeguista, a desgaleguização linguística, social,
económica, cultural e política não teria sido possível e a
ordenação e governação do Reino teria sido outra, podendo ter
sido capazes entre todos duma transformação do espaço político estatal no que
nos mexemos na direção dum Estado Plurinacional como o é Suíça
ou Bélgica. Essa situação de controlo do poder central não teria favorecido maiorias
absolutas abusadoras e teria facilitado em troca, coligações em governos plurais onde todos pudéssemos
caber inviabilizando indesejáveis neo-franquismos como o atual. Se
essa visão histórica tivesse sido similar ou parecida à que
estamos a desenhar aqui dum ponto de vista teórico por ter sido viabilizada no seu dia por um nacionalismo com pensamento “de Estado”,
provavelmente hoje estaríamos num contexto político no que nada
teríamos de invejar de Catalunha e portanto não estaria o Professor
Beiras lembrando-nos a sua dolorosa e generosa escolha em favor dos perdedores. Perde-se porque as estratégias são as erradas.
O facto de reintegrar a língua dos galegos
manifestava-se como uma urgente necessidade entre a maioria dos clássicos
galeguistas por motivos de utilidade prática e dignidade, isto é arrancar a
nossa língua das garras depredadoras dos políticos de Madrid de vinculação
castelhanista; outras vezes é um desejo de unificação do nosso território
quebrado, passando-se do linguístico ao político e falando inclusivamente de
temas tão à moda hoje como a incorporação do Berzo e outros territórios ao
território originário.
"Eu entendo que os nazonalistas galegos temos que chegar axiña a maor unificación posible sin mágoa do enxebre, entre o noso idioma i o portugués. Así o portugués lerase en Galizia doadamente acabando coa vergoña de que se nos ofreza polo intermedio do castelán o seu xenio."
António
Vilar Ponte
Pensamento
e Sementeira
Op. Cit. Pag. 257
"...no hay palabra netamente portuguesa que no sea netamente gallega y viceversa y que cuando en el portugués suena a extraño, para nosotros resulta extranjerismo o exótismo colonial. Quea opso facto trazado el camino que conduce a la anhelada unificación de las dos ramas de idéntico idioma"
António
Vilar Ponte.
Pensamento
e Sementeira
Op.Cit
152
“Pela gravitación inevitábel dum pasado
grorioso, por desbordantes semellanzas que non son casi que sempre ao
estudialas identitás, pola contextura interna que non acerta a diferenciarse
sinón pola acentuación do matiz, e, porque anque no nos entendamos nas verbas,
comprenderíamonos sempre escoitando o próprio peito n’haberá quem teña a
potestade d’impedir que por cima de
todas as fronteiras s’abracen a língoa galega e a língua portuguesa”
Manuel Portela Valladares
En
col da Língua Galega
Revista
Nós 1-Marzo-1923
“Os galegos non aspiramos a confundir
politicamente a Nosa Terra co Portugal rexido dende Lisboa (...). Pero dentro
de Portugal quedounos a mitade da nosa Terra, do nosso espírito, da nosa
língoa, da nosa cultura, da nosa vida, do nosso ser nacional”.
Afonso
Daniel R. Castelão.
Sempre
en Galiza
Pag
343
“A potencia era galega; a impotencia provén
da desintegración galaico-portuguesa”
A.Daniel
R. Castelão
Sempre en Galiza
Pág.
336
“ Calquer día afundese a inxenieiria
política e os portugueses e galegos volvemos a falar e cantar no mesmo idioma;
pero tamén se podem restaurar fronteiras que foron demoidas...”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág.
335
“...pero ainda é doado creer que, pol-as
mudanzas do mundo, se restaure a unidade galega, se non na sua integridade da
província romana ou no reino suevo, pol-o menos na do periódo cultural eu na
esfera da crítica literária se vem a chamar “galaico-portuguésa”.
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág.
227
“O território galego sigue dividido
politicamente pol-a fronteira que separa a Portugal da Hespaña...”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pág
225
“As tres nacionalidades –Cataluña, Euzkadi e
Galiza- están tronzadas por fronteiras políticas, que dificultan a restauración
da sua unidade, e soio por un feito iolento sobre de Franza e Portugal, ou por
mudanzas de lindeiro (...) lograrian xuntarse os anacos dislocados das tres
nacionalidades”
Castelão
Sempre en Galiza
Pag.223
“A terra galega é, ao mesmo tempo unha
entidade étnica pero de dificultosa reconstrucción política, porque a fronteira
portuguesa róubanos a esperanza de anovar en breve a comunidade nacional dos
tempos suevos e visigóticos –com todo é doado esperar que o Bierzo e demais
comarcas limítrofes de Ourense e Lugo se incorporen ao seo da sua nación
natural; e o tempo –gran curandeiro dos erros hestóricos- posibilite a reconstrucción
total da nosa unidade. Non se pode creer que o río Miño, vello pai de Galiza
–representado na franxa azul da nosa bandeira- siga sendo un lindeiro
perdurable de dous Estados”
Castelão
Sempre
en Galiza
Pag.
44-45
OUTROS
EXEMPLOS DE REINTEGRACIONISMO
A defesa do reintegracionismo tem como
sustento, para além do seu argumentário filosófico-linguístico, outro que tem a
ver com os exemplos anteriores. Na época dos clássicos botava-se mão do exemplo
neerlandês, quer dizer, do reintegracionismo entre o flamengo e o holandês do
qual também botou mão o nosso lembrado e saudoso Professor Ricardo Carvalho
Calero. A dia de hoje na Europa podemos constatar mais exemplos, como é o caso
do moldavo-romeno, do norueguês-dinamarquês, do albanês-cosovar, etc...
Eis
o que diziam no século XX os galeguistas:
“...y su
unificación (do galego e do português) es tan fácil, sinó más que la realizada
por flamencos y holandeses en el idioma común, que sólo se diferenciaba en la
ortografia y en algunos giros prosódicos”
António
Vilar Ponte
Pensamento
e Sementeira
Pag.
346
“Os flamengos usaban unha ortografia
diferente da d’os holandeses, as suas
línguas se4ran entre si tan semellantes como o galego e o portugués. Un día
chegou en que os partidarios do idioma flamenco tiveron que abandonar a sua
ortografia e admitir a holandesa para fazer mais eficaz a sua fala.
(...)
Cato mais tempo pase mais difícil será facelo pois a ortografia irase
arraigando coa gran riqueza de produción literaria galega”.
Johan
Vicente Viqueira
Pol-a Reforma ortográfica
A
Nosa Terra. Nº 43. Pág. 1
O ISOLACIONISMO NAQUELA ALTURA
O chamado isolacionismo também existia nos
começos do galeguismo nacionalista; não é novo hoje. No que se diferenciam os
de aquela época dos de hoje, para além da ortografia que eles empregam e ainda
empregam hoje, é na filosofia de fundo. Aqueles isolacionistas dos anos vinte e
trinta, conseqüentes com o seu galeguismo, não eram seguidistas das normas do
castelhano. Eles escreviam com uma ortografia fonética que poderia ser válida
para a nossa língua se esta fosse uma ilha no mundo das línguas, como é o
basco, por exemplo, mas hoje escrevem com a ortografia que Viqueira denomina de
“Vulgar”.
Os mesmos autores isolacionistas se decatam
que a ortografia empregada hoje nos documentos oficiais é a do castelhano. Isso
leva-nos a podermos definir esse isolacionismo de inconseqüente ou mesmo
seguidista do castelhano perante o qual se submete. O pior do assunto é que
nesta altura histórica não quer nem seocultar para quem tem olhos na cara,
obscurecendo-se com um argumentário capaz de convencer à gente menos preparada
do ponto de vista linguístico contando mesmo com o poder de estar presente no
ensino e nos média.
“Por desgracia a
ortografia portuguesa non é nada recomendabre. Como se be, a ortografia portuguesa
esta moi lonxe de merecere os onores da adoucêóm polos gallegos”
Aurelio Ribalta
A Nossa Terra nº 93
Pág 2
“Dixen en no número 93 de
ANT qe a ortografia portuguesa non e centifica nin sistemática e qe por ende, non bal a pena d´imitala.
Esta proposición miña leba
impricita esta outra: fai falla crerare unha ortografia gallega. A esto tendia
eu; a qe se fagan estudios serios para creala, pra que sallamos dunha bez da
rebolta morea de pedantes qe nos afoga”.
Aurelio Ribalta
A Nosa Terra Nº
96
Pag 3
“E perciso pensar en un-a
ortografia galega. Estamos nun periódo de rreboluzión, enke kada un eskirbe a
sua maneira e iso nin pode segir, si se llá dar forza o noso idioma ¿Ken se
mete adeprender un-a lingua ke pola sua anarkia ortografika bolbe parbo o ke a
eskirbe?
Ortografia fonétika.
Xosé Palazios
A Nosa terra nº 100 Pág 2
Contrariamente a isto, os que poderíamos chamar
reintegracionistas (e estou empregando uma terminologia atualizada) que são
maior número, argumentam em favor da unificação galego-portuguesa que isolar-se
é morrer e é não viver no mundo.
“Teño unha razon
fundamental contra a ortografia fonética: Admitindoa apartaria-mo-nos do mundo
lingüístico inteiro. !E isolar-se é morrer! Sobre todo isolariamo-nos do
portugues. O galego non sendo unha língua irmá do portugués senon un portugués,
unha forma do portugues (como o andaluz do castelán), ten-se que escribir pois
como portugués. Vivir no seu seo é vivir no mundo; !é vivir sendo nos
mesmos!Escribindo c´a nosa ortografia etimológica (admitida po-la nosa
Academia) escribimos cuase como en portugués.
Po-a reforma ortográfica
Johan Vicente Viqueira
A Nosa Terra Nº 102 Pag 2
Veja-se que a Real Academia Galega admitia a Ortografia
etimilogica, cousa que nom fai hoje; veja-se assin mesmo que Viqueira utiliza o
traço em palavras como “isolariamo-nos” “isolar-se”, etc.
“A ortografia etimológica
debe se-la nosa. Nos é preciso estudala. ¿Como?. Aprendendo a escribir en
portugués”.
Da renascenza linguística
J. V. Viqueira
A Nosa Terra Nº 77 Pag 5
“Prencipalmente no que se
refire a ortografia foetica, con ista ortografia ninguan estranxeiro poderá
traducire as cousas galegas”.
Iglesia Roma.
A Nosa Terra Nº
94
Pag 3
“A ortografia galega de
hoxe é a ortografia castelán aplicada por corrución á nosa língua. Teria, pois
de se modificare”.
Florencio Vaamonde.
A
Nosa Terra Nº 94 Pag 3
“E derradeiramente temos
forzosamente que reformar a ortografia. Unha delas é a fonética: ésta ten o
inconveñente de que en Galicia hay moitas fonéticas, algunhas ainda
descoñecidas, e que nos ailla do resto do mundo, sobre todo, do portugués, pois
nen este nen ningunha outra lingua escribese hoje foneticamente. Deixando a un
lado ésta, temos ainda duas ortografias: a vulgar, usada por Rosalia de Castro,
Curros, Carvajal e hoje usualmente, e a academica ou etimológica, admitida
sabiamente pol-a Academia Galega, emprega por Pondal e en gêral, pol-os
eruditos.
Nosos problemas
educativos.
J.V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 62
pag 4
DIFICULTADE DO GALEGO CORRECTO
Os isolacionistas dizem contra a versão reintegrada da nossa
língua que é dificultosa, pois muito diferente da utilizada pelos média, pelo
ensino e pelos documentos oficiais.
A isto atualmente responde-lhe-íamos dizendo...
1º) Outros povos utilizam a norma própia da sua língua sem
decalques nem submissões embora tenha existido um idioma mais poderoso como
língua A durante muitos séculos. (Catalunha, Euzkadi, Irlanda, etc)
2º) A utilização da norma castelhanista em galego é síntoma do
submissão línguistica e de aceitação duma diglóssia que marca uma tendência
substitutiva.
3º) Nenhuma norma é difícil se esta se aprender
convenientemente. Não são mais inteligentes os nenos irlandeses, bascos ou
catalães do que osgalegos por
apreenderem líinguas e normas diferentes do inglês ou do castelhano.
Poremos o exemplo do ocitano. A maior parte da gente nesse
país, não estuda ocitano mas francês. Ali têm o francês como língua de poder e
o idioma pátrio está na categoria já de “patois”. Se uma pessoa do povo quer
escrever a palavra que em occitano significa “Cão” não escreveria como
corresponde à sua língua, mas com à francesa, isto é: “Tchou” que lhe há de
parecer mais viável, do que “Chu” que seria o correcto. Em qualquer caso essa
palavra pronunciar-se-ia (t∫ W).
Isto já se discutia entre os clássicos galeguistas.
“Mais esta ortografia é dificil ja
que o galego non se ensina na escola”.
Pol-a reforma ortográfica
Johan V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 102 pag 2
“Certo, non podemos d´un
golpe introducir unha ortografia â que non estamos habituados. Pol-o momento
debemos aceptar a ortografia erudita, etimológica, o que será un gran paso.
Mais conseguido esto,
precisamos continuar a nosa obra e camiñar pra a total unificación da
ortografia galega e potuguesa. Asin introduciremos a NH pol-a Ñ, a LH pol-a LL
e outras modificacions que o leitor poda adiviñar fácilmente. Fara-se isto
primeiramente n`as publicacións eruditas, científicas, depois, n´os populares”.
Pol-a reforma
ortografia
Johan V. Viqueira
A Nosa Terra. Nº 43
Pag 1
A MODO DE CONCLUSSOM
Há que salientar que todos os autores que escrevem as citas
expostas neste trabalho não são lingüístas, mas afirmam umas cousas às que se
chega não o sendo precisamente. Chega com ter os ouvidos salutáveis. Os lingüístas
por outra parte também chegaram à mesma conclussão mas dando a argumentação
válida que o tema precisa e confirmando a intuição de todos os nossos grandes
personagens.
O facto de os nossos galeguistas utilizarem a versão
castelhanizada explica-se por estarem eles alfabetizados na língua oficial do
Estado por uma parte, por não terem conhecimentos científicos de língua e por
um salientável interesse pedagógico ao
saberem que se utilizarem a norma válida não poderiam ser facilmente acessíveis
ao povo que os lê. De qualquer forma, vê-se também que os mais cultos e
eruditos como é o caso de Viqueira, chegam a
aproximar-se mais do que outros ao desejado por eles próprios, muito adiantados para aquela época,
empregando G, J, e X de forma etimológica e até escreve com Ç.
“Nom pode supôr canto
ll`agradezco a sua atención, agás do meu persoal sentimento de gratitude,
tamém, pol-o qu´eu admiro a sua produçom poética...”
Borrador da carta
de Viqueira a Teixeira de Pascoães agradecendo-lhe o envio de livros por meio
de Cebreiro.
Depois da morte de Viqueira publica-se o seguinte texto...
“Johan Viqueira, Noso
Grande Morto”
“Paresce como si a Galiza
tivera a mala fada de perder seus filhos melhores. No pequeno cimiterio
de Ouces, nas doces e tenras marinhas de Betanzos, repousa ja para
sempre endejamais o gran poeta Johan Viqueira, cando a sua vida escomenzaba a
florire. (...)
Revista Ronsel. Pag
14
Do Nº 2 do Mês de
Junho de
1924
Está muito presente entre o comum adia de hoje e também
naquela altura de que o elemento que marca a diferença básica entre galego e
português é a ortografia. Segundo nos tem comunicado muitas vezes o nosso
prezado lexicógrafo galego Isaac Alonso Estraviz, o 95% das formas léxicas
galegas são comuns e ainda outras não registadas até agora em qualquer
dicionário português são formas dialectais ou formas populares existentes em
Portugal. Algumas são por exemplo a segunda forma do artigo, comparativo com
”mais ca”, S final nos perfeitos de indicativo, formas em CA envez de QUA, etc...
o que não é motivo para considerar como diferentes línguas falas ao Norte e ao
Sul do Minho.
Há autores que falam de língua galega e de língua portuguesa e
poderia parecer desde o ponto de vista atual que ao falarmos assim poderíamos
considerá-las línguas diferentes; o que acontece é que nos anos do surgimento
do galeguismo, as ciências da linguagem não tinham muito claro o conceito de
língua e por outro, a pouca ou nula preparação lingüística dos nossos
galeguistas que empregam a sua terminologia de forma inexata muitas vezes.
Vemos portanto que quando houve a necessidade de aplicar um
mínimo trabalho científico surgiu o reintegracionismo na praxe. Quer dizer,
acabou-se por levar à realidade escrita uma teoria que vinha de muito atrás. O
que não é lógico e talvez também não seja ético é que gente que se
auto-proclamam como científicos da língua façam uma norma como a ensinada hoje
nos centros de estudo, a usada nos média e a utilizada nos centros
administrativos. Só o explicaríamos por vinculações políticas espúreas e por
necessidade de defender os seus postos de trabalho em origem. A dia de hoje, a
inercia dos acontecimento e o peso de quase trinta anos de insistência faz mais
amplo este leque e mesmo acreditamos na bondade de muitas pessoas que têm fe noque lhes ensinam, as suas
ocupações não se encaminham para assuntos linguísticos e não têm porque
entrarem nos assuntos muito ocultos e nada publicitados dos assuntos da língua.
Os anti-galegos (já não anti-galeguistas) quereriam que não
existisse uma língua que os galegos pudessem ter como fruto do seu génio e se
por qualquer circunstáncia tivessem tolerá-lo, prefeririam descafeiná-lo quanto
mais melhor. O resultado é o que temos temos. Algo que se pode vender aos
galegos como un producto light que não põe em perigo a hegemonia do castelhano
e impõe-nos a nós a máxima da divisão.
Uma rapariga adolescente fez-me um comentário de sobremesa o outro dia num jantar: “Não haverá cousas mais importantes nas que empregar esforços e dinheiro do que fazê-lo pelo galego? Há gente que passa fome no mundo!!
A rapariga, adolescente lúcida e inteligente tapou a minha boca com uma manifestação rotunda e categórica para além de verídica e real perante a minha paixão galeguizadora acrescentada com uns quantos anos de compromisso linguístico. A sua lógica feita com a visão realista das cousas duma nena de 16 anos que começa a ver o mundo tal qual é trouxe-me à realidade.
A sua ideia simples mas impecável levou-me a cavilar toda a tarde e não pôde mais do que dar-lhe a razão finalmente. Pensei que países como Uganda ou Tanzânia, Zimbabué ou Namíbia têm prioridades mais importantes do que desterrarem o inglês dos seus territórios para fazerem das suas múltiplas línguas nativas instrumentos de cultura, comunicação ou criação literária.
É assim como neste caso o inglês se faz a língua mais poderosa do planeta; porque os pobres orçamentos desses países não vão destinados para a normalização do swahili ou o hotentote mas para erradicar a fome, vacinar as populações contra enfermidades que não conhecemos na Europa pelas nossas condições higiénicas e de salubridade ou ensinar a ler às crianças para elas poderem ver um futuro de maior qualidade de vida nos seus países.
Já o dizia Jordi Pujol a respeito do catalão: “O catalão custa dinheiro”. Tinha razão o velho dirigente catalão, como razão tem a rapariga, mas evidentemente Catalunha não é Uganda e a fome como mal social endémico não existe, como também podemos dizer que o seu sistema de saúde é dos melhores da Europa que é como dizer que está entre os melhores do mundo.
Catalunha pode portanto permitir-se o luxo de investir na sua língua milhões de Euros e fazer com que o catalão seja uma língua de cultura, arte, comunicação e seja aliás elemento gerador de riqueza material ao existir com isso a possibilidade de que haja um mercado linguístico que crie e agilize o movimento económico e enriqueça os catalães.
Por outra parte o Reino da Espanha ingressa aproximadamente um 15% do seu P.I.B. graças ao castelhano por ser esta a língua oficial de 22 países do mundo e um total de mais de 400 milhões de utentes. A política linguística da Espanha a respeito do espanhol é por isso geradora de riqueza material fazendo da língua de Cervantes uma das mais prósperas do mundo do ponto de vista criativo, cultural, artístico e literário mercê a um mercado amplo que lhe dá umas possibilidades importantes a respeito doutras línguas de países com mais poder político e económico.
No que diz respeito da Galiza podemos dizer com total tranquilidade que também não somos Namíbia; também não passamos fomes, nem andaços embora não sejamos tão desenvolvidos como a Catalunha, pois vivemos numa conjuntura económica europeia que nos faz ricos com referência ao contexto mundial embora pobres dentro do contexto europeu.
Para além de todo isto a Galiza tem uma política linguística que pelo menos na teoria -e digo na teoria, porque é isso o que se diz, não entro no que se faz- vai destinada para fazer do galego essa língua de cultura, arte e comunicação que sonharam os nossos grandes galeguistas e que não só fosse usada por razões de voluntarismo patriótico ou fervor nacionalista mas também por gerar riqueza material com o qual a nossa gente se sentisse achegada a ela por algo mais do que por sentimentalismo neo-romântico.
Mas também Galiza não ingressa o 15% do seu P.I.B. pela sua língua, mais bem neste caso tem um índice negativo. A Junta da Galiza perde dinheiro por causa do galego de tal jeito que se as nossas instituições deixassem de investir na língua -ou quiçá fosse melhor dito contra ela- o nosso P.I.B. subiria 2 ou 3 pontos. Essa situação dá asas e argumentos a pequenos coletivos kukuxklánicos que se organizam para atacarem o galego, reivindicarem o direito de ignorá-lo e agirem para que este desapareça do nosso país. Hábil política linguística que não mata mas dá para que morra.
Curiosamente, ou por acaso, o galego é reconhecido por linguistas, filólogos e cientistas como uma das três variantes do sistema linguístico galego-português (galego, português lusitano e brasileiro), falado por quase 320 milhões de pessoas por todo o mundo e os cinco continentes; é oficial em 10 países, co-oficial desde o 2007 na antiga Guiné-Equatorial espanhola, segunda língua de Uruguai e oficial lá desde 2008; segunda língua latina em número de utentes depois do espanhol, por acima do francês, do alemám e do italiano em extensão territorial e humana; terceira língua europeia depois do inglês e do espanhol, quinta do mundo depois do chinês, hindi, inglês e espanhol; língua oficial da ONU, da EU, Mercosul, Unidade Africana... Com um futuro importante por ser o Brasil uma nova potência emergente que faz da CPLP uma organização lusófona atrativa para países, mesmo anglo-saxônicos como a Austrália, que quer entrar nela quebrando com ideias quase racistas surgidas no carpeto-vetonismo histórico no que vivemos.
Com uma política linguística acertada e focada não só para a sua sobrevivência mas também para o seu florescimento, com um bom tratamento filológico e linguístico, adaptando a norma a esta realidade científica, política e geoestratégica tão favorável quiçá não chegaríamos a ingressar o 15% do P.I.B., (ou sim?) mas sim o 8% ou o 10% ou o 6%... com o qual a nossa língua geraria riqueza material para além da cultural.
E digo eu: Não haverá cousas mais importantes nas que empregar esforços e dinheiro que em eliminar a nossa língua? Em vez de gerar gastos e perdas por causa dum modelo de normalização que mata e inutiliza a língua dos galegos, fornecendo de argumentos a pequenos grupos muito ideologizados e ultras que trabalham para bani-lo da Galiza, não seria melhor fazermos da língua um autêntico setor económico com um mercado prospero que lhe desse o prestígio que teve em épocas medievais? Porque queremos um galego pequeninho e de aldeia em vez de um grande, internacional e concorrente com as grandes línguas do mundo? Não estamos para deitarmos a casa pola janela. Há muita fome no mundo!!!