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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

As proclamas de falsa inocência dum linguicidio anunciado.



Por Marcos Celeiro

Por causa do Facebook fui ler o artigo que José Luís Barreiro publica em 15 de dezembro de 2014 e contradizendo-me a mim próprio até reproduzo aqui o nefasto texto que publica essa nefasto jornal que é La Coz. 

Artigo: AQUI

Contendo o rechaço que me produz esse jornal em geral e esse «tertuliano» em particular, fui ler, e não me surpreendeu: como sempre, pura verborreia jornalística. Falo do conteúdo, porque na forma, o primeiro que deve chamar a atenção é que esta malta sempre fala do galego... em castelhano . Ou em pretenso castelhano («vos tienen sus eivas...»).
Desenho do Carraboujo
Primeiramente cumpre lembrar a sua responsabilidade como exterminador linguístico nos governos pepeiros de Fernández Albor, onde para além de «normalizador» foi o máximo responsável da RTVG (esse maravilhoso modelo linguístico que resulta extraterrestre para os galego-falantes e aquela dublagem com pessoal não galego-falante), antes disso o seu papel apelando aos tribunais contra o Estatuto de Autonomia para que nele o castelhano fosse de obrigado conhecimento e com o galego só houvesse «direito de usá-lo», o tratamento no ensino como língua estrangeira em vez de como língua veicular, etc, etc. Também cumpre lembrar que o «persoeiro» é um desses bandulhos cheios colocados na Universidade de Santiago de Compostela, na Menéndez Pelayo, no CICETGA, na EGAP, etc. Muita gente não conhecerá que foi misteriosamente absolvido depois de graves delitos de prevaricação, etc, etc.

O indivíduo, junto com Blanco Valdés é um dos principais adaís do Fernandez Latorre -lógico que este ano fosse premiado com o seu galardão- que se dedica a predicar «la Galicia según La Voz», esse modelo nacional-católico de «región».
Mas que o gajo seja quem é, não supõe qualquer impedimento para isso. Contudo eu faço uma leitura crítica do seu artigo em base ao seu conteúdo, não a quem for o seu autor.
Em primeiro lugar, é o discurso de "Galicia Bilingue" de «las lenguas mueren, el gallego es una lengua muerta y ya está», «El gallego es de paletos o nacionalistas», «se muere por ciencia infusa, no hay responsables», etc.

Em segundo lugar, os argumentos são muito pobres e miseráveis, e aqui vão os contra-argumentos:
1º) Na Galiza, como em quase toda parte, o modelo de língua culto é imposto pelo poder. Esse poder define a língua da administração, a língua do ensino, a língua dos meios de comunicação públicos, a língua das etiquetas dos produtos, etc. E desse poder, a poder de subvenção, dependem uma série de instituições (Real Academia Gallega, Instituto da Língua Galega, Consello da Cultura Galega, Instituto Padre Sarmiento, etc) e as três universidades, para além de uma extensa rede clientelar de meios de comunicação (subvenções «al gallego» para La Coz», editoriais, audiovisual,.... etc), quer dizer, o «sistema cultural galego». E em tudo isto foi imposto um sistema de «BILINGUISMO HARMÓNICO» e um modelo de língua «REGIONAL, MENORIZADA E MINORITÁRIA» com uma ORTOGRAFIA ISOLACIONISTA e um modelo linguístico de CRIOULO CASTRAPO no léxico, morfológico, sintáctico, etc. E agora resulta que esse poder não tem responsabilidade?

 2º) O poder está nas mãos do NACIONALISMO ESPANHOL e ESPANHOLIZADOR, cujo projeto político visa construir uma nação (ainda) inexistente denominada Espanha, e como qualquer projeto político nacionalista utiliza a língua com fins políticos, concretamente para uniformizar culturalmente o âmbito que eles consideram nação. Por um lado há a necessidade de impor as «super-estruturas culturais» da pretensa nação, dentro delas a língua, e por outro, a necessidade de eliminar as das nações existentes sobre as que se sobrepõe. Para o primeiro, os mecanismos são evidentes, não precisamos comentar, para o segundo, sob um hipócrita «eco-linguismo» e «co-oficialidade» (assimétrica), na Galiza está-se a aplicar o modelo BLAVERO que tão bem lhes funciona no País Valencià e que deriva do modelo BABLERIZADOR que tão bem lhes funcionou em Astúrias e Leão. Combinam o isolacionismo (divide et impera), a hibridação (crioulização), e outras cousas das quais falarei mais adiante. Trata-se de, no puramente linguístico, separar uma comunidade de falantes do seu espaço linguístico com o conseguinte enfraquecimento na concorrência de línguas num mesmo espaço, para posteriormente fazer-lhe perder o status de língua transformando-a primeiro em crioulo (mistura de duas línguas) e finalmente dialeto da língua dominante que assimila a língua «menor». Isto é desde o puramente linguístico, sem entrarmos no sócio-linguístico o qual se faz dominando as instituições e os linguistas que definem e estabelecem a própria língua.

 3º) No sócio-linguístico, todas as línguas têm diglóssia (ou melhor dito, «poliglóssia»), ou seja, dentro duma mesma língua há diversos registos linguísticos que são utilizados em diferentes âmbitos. Há a língua culta (técnica, administrativa, académica, jornalística,...), há a língua coloquial, há a língua vulgar... etc. No modelo sócio-linguístico imposto na Galiza, define-se o galego para os usos coloquiais e vulgares (família, amigos, etc) e o castelhano para os usos cultos. O registo culto estabelecido pelo isolacionismo não é tal, e essa neo-língua carece dele. Pode parecer uma exageração, mas só há que tentar escrever um trabalho académico sobre química para comprovar que é inservível. Vejamos algum exemplo: OXI- é um prefixo que indica «oxidação» e OSI- indica «açúcar». Chamar ao oxigénio «OSÍXENO» significa dizer que tal elemento é «açúcar estrangeiro». Em arquitetura não é o mesmo uma VENTANA do que uma JANELA, etc... O modelo «neo-línguístico» elegido para o galego não é casual. Conheço advogados galeguistas a morte que utilizam no julgado o castelhano para não dizer as asneiras que implica a linguagem jurídica «made in RAG».
4º) No sócio-político, não toda a culpa é do nacionalismo espanhol, o auto-denominado «nacionalismo galego», esse rebanho de autonomistas com o pinheirismo inserido até a medula, incapaz e sem ideias que só age por mimetismo, até imita ao nacionalismo espanhol, e para ele a língua, antes do que FACTO CULTURAL é FACTO POLÍTICO-IDENTITÁRIO, e antes do que INSTRUMENTO DE COMUNICAÇÃO é INSTRUMENTO POLÍTICO. Ao igual que o nacionalismo espanhol se auto-proclama possuidor da língua (possuidor sem o poder de possuir, ainda não repararam...) e dono exclusivo e quinta-essência da língua. A língua tanto é do BNG como do PP, tanto é do de esquerdas como do de direitas, tanto é do pobre como do rico, do proletário como do patrão. Mas eles não repararam nisso, e ainda hoje proclamam «a língua proletária do meu povo». Claro, o resultado é nefasto, porque a língua deixa de ser cultura para ser marca ideológica, ou marca de grupo (rural vs urbano, trabalhador vs burguês, etc).

5º) A obsessão da utilização política do nacionalismo galego também os leva ao «uma língua, uma nação», burrada escandalosa. Nessa apropriação da língua não compreendem que a língua das galegas é das galegas, mas não só, também das portuguesas, brasileiras, etc. Por isso penetrou tão bem o isolacionismo, promovido desde o espanholismo para dividir e debilitar, exaltado ainda com mais ímpeto pelo galeguismo com fins ideológicos de «marca de nação».
Bem, o tema é complexo e extenso, haveria que falar dos temas «clássicos» tais como o prestígio social associada uma língua à boa posição e outra à miséria, uma culto e outra ao vulgar, uma ao urbano e outro ao rural,.... e toda a complexidade que deriva delas, mas quase tudo isso se pode reduzir a um problema da inexistência da diglóssia natural (tudo isso associado ao uso dos diferentes registos) porque o que existe é a diglóssia do conflito (uso de diferentes línguas segundo a situação). E haveria que falar de outras muitas cousas, mas não é a minha intenção escrever uma tese doutoral aqui.
O Barreiro escapa à problemática, e reduz tudo a «naturalizar» a situação de diglóssia do conflito, onde os usos são ganhos para uma das línguas e perdidos para a outra, fazendo ver normal que isso que é consequência irremediável da situação é «normal» devido a que temos uma sociedade cada vez mais urbana (=castelhano), cada vez mais rica (=castelhano), cada vez mais culta (=castelhano), etc. E seguindo no projeto exterminador do nacionalismo castelhano, o galego só deve existir por valor afetivo / identitário, não por questões funcionais e culturais, que são as que verdadeiramente fazem ter sentido a uma língua.
Eles jogam a ganhar, o «galeguismo» aceita o seu discurso e joga a perder. Os resultados estão bem à vista!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

De delinquentes linguísticos e a logopédia necessária.





Por José Manuel Barbosa

Quando a dia de hoje uma pessoa de qualquer país da Lusofonia oficial e um galego têm de se comunicarem entre sí, podem acontecer várias cousas:

a)      Que o paleofalante galego sinta que percebe e pode ser percebido pelo seu interlocutor. Neste caso, o galego reproduz a sua fala dialetal local oferecendo uma margem de distância mínima que a dia de hoje pode não ajudar a total fluidez comunicativa entre as partes. Isto, até o século XX não acontecia, justo até o século em que a Galiza contou com uma versão normativizada da sua língua e uma política linguística que promocionou sempre uma língua “ausbau” diferente da de Portugal. Este relacionamento a duas partes, galego por um lado e português por outro, é o caso habitual que acontece no dia-a-dia nas regiões da raia galego-portuguesa onde nunca houve problemas de relacionamento nem nunca se sentiram “estrangeiros” os uns a respeito dos outros. A distância viria dada porque o português está formado numa língua padrão saída dum determinado centralismo lisboeta e o galego (mal)formado tanto em castelhano como em “galego”. Este caso está em vias de extinção, como indicou a UNESCO a princípios dos século, por serem cada vez menos os paleofalantes os que sentem o português como uma continuação das suas falas e por ser mais os portugueses (e outros lusófonos) os que sentem os galegos como mais uns “españoles” de fala castelhana, nos quais não há que confiar desconhecendo a nossa identidade comum.

b)      Que o galego, duma maioria cada vez menos minoritária, fale em castelhano. Nesse caso pode acontecer que o lusófono faça esforço por se adaptar ao outro parceiro, embora há de ser difícil que este último, se adapte ao primeiro, quer por um sentir xenófobo e supremacista incutido pelo castelhanismo, quer pela educação deficiente que na Espanha se ministra em relação às línguas, forem estas de dentro como de fora do Reino. Algo assim acontece nos países anglófonos por terem a ideia de que todo o mundo tem o dever de saber inglês...No Reino, considera-se uma cousa normal que os demais têm o dever de os perceberem em castelhano embora não à inversa sob pena de ser considerado um ignorante. A maior parte das vezes, o espanhol em questão está capacitado para perceber pela pouca distância linguística que há entre a deles e a outra mas finalmente acontece que é um problema de vontade. O espanhol não quer perceber...e o galego-espanhol como subproduto deforme e acomplexado que reproduz ridiculamente os hábitos “cañís” e por um elemento de mimetismo primate copia os comportamentos mesquinhos do modelo espanholista à moda, de caráter intolerante e impositor, fornecido pelos média embora com menos força do que os originários.
 c) Que o galego, quer paleo, quer neofalante, adopte a variante RAG na sua conversa com o lusoparlante. Neste caso o resultado final vai ser que este  perceba a fala do galego como um péssimo português ou que é um espanhol que tenta fazer esforços por falar português. Nesse caso para favorecer o relacionamento acaba por tentar ele falar em castelhano. Ainda assim....o galego-RAG pode insistir na proximidade linguística galego-portuguesa o que resulta absurdo para o lusófono que percebe a fala do galego como uma trapalhada que não há por onde apanhá-la.

Estes são três dos quatro casos possíveis que se podem dar. O que ninguém fala é das circunstâncias que levam a estas irregularidades intercomunicativas, tendo em conta que nem os políticos nem os linguistas que fazem parte das administrações galegas ignoram que as falas galegas e luso-brasileiras fazem parte do mesmo diassistema linguístico... e quando digo que eles “sabem” isso, não estou a dizer que “acreditem” ou que “tenham uma ligeira intuição”. Digo simples e diretamente “sabem” com tudo o que isso implica e compromete.
A pesar de tudo, a princípios dos anos 80 e por decisão política, os responsáveis da administração optavam por oferecer ao administrado galego uma versão normativa para a sua língua que facilitava (e ainda facilita no presente) a distância e favorece o mais alto grau de incomunicação entre galegos e o resto dos lusófonos. Essa versão foi aplicada por decreto para ser aplicada em aqueles âmbitos da vida fulcrais para incutir a ideia de diferença, como é o caso do ensino à vez que faziam orelhas moucas à discrepância legítima de tal forma que nenhum professor pudesse fugir de tal despropósito, castigando a todos aqueles que no exercício da sua liberdade de cátedra optassem por querer transmitir aos alunos uma ideia de identidade linguística galego-portuguesa ou no mais duro dos casos uma versão útil da língua.
Os professores, mesmo não ensinando outra normativa diferente à imposta por um decreto nunca consensuado eram perseguidos, discriminados, desrespeitados como pessoas e sobre eles era exercido um subtil “mobbing” dificilmente demonstrável entre outras cousas porque o claustro de professores do centro de ensino apoiava a ação, quer porque a sua formação linguística não permitia aceder a registos mínimos de conhecimento, quer porque a sua má formação humana e/ou ética os fazia incapazes de frear a ação agressiva contra o acossado, quer por medo a que sobre eles caísse também a repressão. 
Uma outra forma de “mobbing” que não afetasse diretamente à administração era deixar que o protesto “anti-lusista” fosse levado a cabo pelos país das crianças que sentiam que um “lusista” não ministrava as suas aulas como era o convencional. Nestes casos a equipa diretiva ou o claustro lavavam-se as mão de cara ao afetado mas encirrava aos pais ocultamente para apagar a dissidência. Tudo isto sem informar a ninguém que os professores possuíam e possuem legalmente o direito à liberdade de cátedra e que ainda um artigo da Constituição espanhola garante na teoria a não discriminação por qualquer circunstância pessoal e social...e portanto por qualquer razão linguística o que faz que não exista legalidade que defenda uma discriminação por razões de normativa linguística a usar com qualquer língua oficial.
Alguns casos foram muito sonoros na Galiza dos 80 e dos 90, épocas muito obscuras de regressão linguística em Galiza. Lembro dous casos especiais por se saltarem todas as linhas vermelhas do silêncio, do ocultamento  e da censura. Foram protagonizados e sofridos pelos professores Mário Afonso Nozeda e Jesus Sanches Sobrado. Este último reformado ao pouco tempo de começar a trabalhar por causa dum ambiente laboral totalmente hostil  que o levou a uma situação de estress por “mobbing”.

Por outra parte, e deixando o acosso favorecido pela administração ao que sempre estivemos submetidos os defendores da língua na Galiza, temos que acrescentar que a forma em que as aulas de “galego” se dão ainda nos dias de hoje é própria duma administração que não se importa em deformar às crianças e aos adolescentes, contrariamente ao cometido último que tem o ensino, que é formar e informar (não deformar).
Existiu sempre uma ampla percentagem de professores que não consideraram como opção válida a de começar o ensino da lecto-escritura das crianças na sua língua raiz. Cousa nunca combatida pela administração galega e mesmo impulsionada desde a “Xunta”. Nenos e nenas galaico-parlantes apreenderam e apreendem a ler e a escrever em castelhano, vendo o seu idioma relegado aos usos mais coloquiais ou simplesmente deixando-o para assuntos menores. Muitos professores são mal formados linguisticamente, com índices de conhecimento da realidade socio-linguística deficientes, com prejuízos anti-galegos ou que consideram a língua do País como um elemento de menor importância na formação dos alunos. A causa provém da sua formação universitária originada nos planos de estudo que incutem esses defetos aos futuros professores. Da administração galega parte a permissividade a considerar normal atentar contra a integridade moral e psicológica de um companheiro se este mostra sinais de “lusismo patológico” ou qualquer outro desvio legítimo em qualquer país democrático, à vez que se defende hipocritamente a liberdade do professor a saltar-se toda regra pedagógica de educar a um aluno na sua língua e de negar ao aluno o seu direito de ser formado na sua língua. 
 Na Galiza, como comentava há uns dias no PGL Fernão Portas estão-se a incumprir os dous princípios básicos do ensino quando neste há duas línguas presentes (português e espanhol....ou galego e castelhano se quisermos): “misturar e não marcar fronteira” favorecendo nos alunos o atrapalhamento linguístico podendo levar à necessidade da logopédia em alguns casos que optarem por usar a língua em público. Curiosamente aqueles que optam pelo logopeda para poderem sair num meio de comunicação público são “re-educados” para poderem falar corretamente o castelhano....nunca a língua dos galegos.
É a vontade da administração fomentar a bablização nos galegos em vez da competência nas duas línguas, cometendo um grave delito, talvez não só moral, pois demonstrada a sua intencionalidade de atrapalhar à sociedade investindo grandíssimas sumas de dinheiro público em “normalizar” o galego se obtenha como resultado final a mais alta deserção da língua nos últimos trinta anos dos últimos cinco séculos. Dito de outra forma: houve mais desgaleguizados e castelhanizados desde 1980 até hoje do que entre 1480 e 1980. A perda foi de mais dum 30% desde que chegou o PP à “Xunta” autonómica. Não são os meus dados, são dados das Universidades Galegas, das Instituições (a)normalizadoras dependentes da “Xunta” e da UNESCO.
Esta sociedade leva já muitos anos seguidos sob um regime de ignomínia, abuso, desnacionalização e corrução de todo tipo que afeta a todos os aspectos da vida dos galegos, nomeadamente a parte linguística que é da que estamos a falar, e nunca ninguém denunciou perante a justiça galega, espanhola, europeia ou internacional  a situação que vivemos de genocídio cultural, económico, evidentemente linguístico...e com a emigração favorecida pelo poder, também me atrevo a dizer que genocídio étnico. Este genocídio é subtil e em parte consentido pela ignorância e a estupidez de muitos mas também pelo colaboracionismo de outros que bem mereceriam que a justiça também caísse sobre eles. Por isso os políticos no poder desde os aos 80, momento em que se constituiu a infelizmente denominada “Comunidad autónoma Gallega”, são uns delinquentes só um ponto por baixo dos grandes genocidas da história. O único que os diferencia é que estes últimos recorreram ao sangue, à guerra e ao fogo...os nossos não precisam disso porque há muitos galegos que os votam e que favorecem a bastardia moral e política de quem leva a cabo o processo.
Falávamos acima de três dos casos nos que um galego e um lusófono poderíam interagir comunicativamente. Há um quarto caso...:
  d) O galego tem consciência de falar a mesma língua do que o outro lusófono. Nesse caso a comunicação é fluída porque a inteligência desse galego faz com que a sua fala seja mais próxima, compreensível e universal sem deixar de ser galego. Em vez de usar “irmán” usa “irmão”; em vez de usar “oir” usa “ouvir”; em vez de usar “caer” usa “cair”, em vez de usar “dicir” usa “dizer” em vez de acabar certas palavras em “-ble/bles” acaba em “-vel/veis”; em vez de usar a terminação “-ción/cións” usa a “-ção/ções” comum a todo o universo galego-português que não por perdida na fala diária é menos galega. Também provavelmente recupere a sua fonética com o uso do sesseio tão legítimo como qualquer outra forma absolutamente galega e limpando um elemento fónico de origem castelhana como é o denominado “cetacismo”... Um galego reintegracionista pode andar com o seu galego pelo mundo, pelos organismos internacionais sem sair da sua fala matriz. A sua fala é reconhecida como uma das mais importantes e sucedidas da humanidade, é respeitado e dignificado por distinguir corretamente o seu galego(-português) do castelhano e não seguir o fomento da mistura ensinado nas escolas e liceus galegos...e o que é melhor de tudo é que esse galego reintegracionista nunca deixa de falar galego quando usa a versão internacional da língua. Com essa forma de apresentar as cousas saberá falar corretamente a sua língua sem castelhanizá-la e se quiser falar castelhano poderá falá-lo também sem interferências. Os logopedas não serão necessários mas sim talvez um tribunal de justiça, não sei se nacional ou internacional que julgue os mafiosos da língua por crimes contra a dignidade deste povo pelo qual nem deixaremos de lutar nem renunciaremos de pertencer a ele.


domingo, 7 de abril de 2013

De macrolínguas e microlínguas




 Por José Manuel Barbosa

Fala-se que o chinês é a língua mais falada do mundo porque conta com mais de 1.300 milhões de habitantes. Mas isso é falaz. O Chinês diz-que é uma "macrolíngua" dividida em treze (13) sublínguas com uma distância importante entre elas e de difícil intercomprensão. É como se nós disséssemos que entre a Península Ibérica e a Roménia falamos todos uma única língua chamada LATIM dividida em nove sublinguas maiores (galego-português, castelhano, catalão, ocitano, francês, retoromânico, italiano, sardo e romeno...) e mais outras tantas menores (astur-leonês, aragonês, arpitão. vêneto, siciliano ... )


A sublíngua mais falada de entre as variantes do chinês é a chamada "mandarim" -uns 836 milhões de falantes-, nome que os portugueses lhe deram à que falavam os funcionários que comerciavam com eles nas suas viagens em épocas das descobertas ("mantri" significa em malaio "funcionário" e daí deu "mandarim"). Quer dizer é a língua dos funcionários de Pequim porque o povo não tinha licença para tratar com os visitantes europeus. Mas é que o "mandarim" também está dividido em aproximadamente uns oito (8) dialetos, algumas vezes também ininteligíveis entre si... Que é o chinês, então? O Chinês é um código escrito que conhecem e percebem todos os falantes da "macrolíngua" que por serem LOGOGRAMAS todos reconhecem, desde os falantes dos diferentes dialetos do mandarim, até os falantes do min ou do cantonês, do gan ou do hui...
Desde os anos em que governava o "brilhante camarada" Mao Tse Tung, o mandarim de pequim é a língua oficial de toda a China, nem sequer é o mandarim Ji Lu, nem o mandarim Zhongyuan nem o mandarim Jianhuai...Esse mandarim Beijing ou de Pequim também chamado Min-Nam, que não chega nem por proximidade aos 100 milhões de falantes (em verde no mapa do fundo), é aquilo que nós incorretamente chamamos chinês. Complica-se mais o assunto se quisermos apreender chinês ao nos vermos com a existência de duas normativas, vamos chamar-lhe...oficiais: a tradicional na que escreviam os grandes ilustrados chineses das grandes dinastias históricas e nas que elaboraram e construíram a poderosa civilização do passado; e a simplificada, esta última criada pelas autoridades da República Popular Chinesa ainda que estas lhe botam a culpa "às massas populares" que tiveram a vontade "luminosa" de unificarem toda a China e as suas diferentes sublínguas... Bom, da mesma forma como uniformaram a todos com o mesmo fato e um livro vermelho que havia que apreender como o "catecismo" na Espanha franquista.

E digo eu...Que fariam os do ILG e os da RAG num caso como este? O dialeto Jiao Liao já não seria mandarim....O cantonês já não seria chinês é a normativa haveria que cumpri-la porque foi igualmente elaborada pelas autoridades da "Xunta" botando-lhe a culpa "ao povo galego". Evidentemente a versão "tradicional-reintegracionista" estaria proibida.... sob pena de tortura chinesa. Olha cá, que os chineses, com todo o enredo que têm dão-lhe mil voltas no que diz respeito da flexibilidade linguística aos diferentes governos da "Xunta"... 
Outra diferença é que as autoridades maoístas criaram o chinês simplificado para todos se entenderem... no entanto as autoridades político-linguísticas galegas elaboraram o “galego normativo” (como se a forma reintegrada da língua ou o Acordo Ortigráfico não fossem também um "galego normativo”) com o fim de não percebermos o português... e assim complicarem mais as cousas aos galegos que são muito populares e muito pouco burgueses. Com todo essa leia de conceitos que quereríamos extrapolar para a nossa língua, temos: a) o de "macrolíngua" que nos dão os linguistas para o chinês e nos fica um bocado grande demais para o que nos ocupa... b) O de "sublíngua" que também não nos dá jeito, porque de termos uma "sublíngua" esta seria todo o diassistema galego-português, como seria o castelhano, o francês ou o romeno a respeito do latim, o qual seria em realidade a macrolíngua... O que sim daria finalmente, se olharmos para o que nos deixam nas mãos, nos ensinam nas escolas e nos incutem nas Universidades é muito pior do que tudo isso...é um galego autoidentificado como uma "microlíngua". E isso que o partido que nos dirige desde a dinastia Franco é o Partido POPULAR....como a China!

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