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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Entrevista ao Professor Higino Martins



Equipa do DTS: José Goris e José Manuel Barbosa

O Professor Higino Martins Esteves esteve connosco entre o 5 e o 21 de outubro de 2015 apresentando o seu livro "Etimologias escuras ou esconsas".


Tivemos a oportunidade de partilhar com ele estes dias de atendimento à sua pessoa e aproveitamos para fazermos-lhe uma entrevista para o DTS.
A entrevista foi feita, como sempre, com a colaboração técnica do nosso amigo e colaborador José Goris. Eis o nosso trabalho:




Outras obras do professor Martins:











sexta-feira, 17 de abril de 2015

IV Jornadas das Letras galego-portuguesas em Pitões das Júnias.


Programa (Hora portuguesa. Uma hora mais na Galiza)

Dia 30 de maio. Sábado

10:00: Abertura das IV Jornadas das Letras galego-portuguesas em Pitões
  • Lúcia Jorge. Presidente da Junta de Freguesia de Pitões das Júnias
  • Orlando Alves. Presidente da Câmara Municipal de Montalegre
  • José Manuel Barbosa. Desperta do teu sono.
  • Maria Dovigo (AGLP: Academia Galega da Língua Portuguesa)
10:30: 1º Painel. Moderador: José Manuel Barbosa: Desperta do teu sono.
  • 10:30: Mónica O'Reilly: "Myth and identity: Leabhar Gabhála Éireann: Construction and de-construction of irish, Galician and Portuguese Gaelic narrative" (Tradução simultânea: João Paredes).
  • 11:30: João Paredes: "Sobrevivências da antiga religião galaica e concomitâncias na Europa atlântica".
  • 12:30: Marcial Tenreiro: "Mito, realidade e território; Para uma etno-árqueologia jurídica na céltica peninsular".
13:30: Almoço


16:00: 2º Painel. Moderadora: Kátia Pereira representante do Polo Eco-Museu do Barroso-Pitões das Júnias
  • 16:00: Filme: "Cemraiost'abram" de Mónica Baptista.
  • 17:00: Rafael Quintia, João Bieites e José Manuel Barbosa: Apresentação das Atas das Jornadas das Letras galego-portuguesas dos anos passados.
18:00: Livre

Dia 31 de maio. Domingo.



10:00: 3º Painel. Moderador: David Teixeira Vice-Presidente da Câmara Municipal de Montalegre.
  • 10:00: Maria Dovigo: "Lei estranha do herdo. Presença da avó na poesia galega contemporânea: As elegias de Joana Torres".
  • 11:00: Hugo da Nóbrega: "Identidade toponímica do Norte de Portugal e localização do nome da Gallaecia".
  • 12:00: Conclusões e propostas em comum.
13:00: Almoço.

16:00: Visita turística por Pitões das Júnias
  • Visita ao Mosteiro de Pitões das Júnias
  • Visita à Cascata
  • Visita ao Eco-Museu onde se vai expor a panóplia guerreira dos soldados galaicos por parte do grupo Oinaikos Brakaron.
 
Colaboram:  
AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa)
Associação Pró-AGLP
Câmara Municipal de Montalegre 
Junta da Freguesia de Pitões das Júnias 
AGAL: (Portal galego da Língua) e AGAL (Associação Galega da Língua) 
SAGA: http://www.antropoloxiagalega.org/
IDG: https://durvate.wordpress.com/
Polo Eco-Museu do Barroso: 
Oinaikos Brakaron:
Gaiteiros de Pitões das Júnias:

Link da Junta de Freguesia de Pitões das Júnias:
http://jf-pitoesdasjunias.org
Link do Concelho de Montalegre:
 http://www.cm-montalegre.pt/

terça-feira, 22 de abril de 2014

III Jornadas das Letras Galego-Portuguesas em Pitões

Autoria: Paco Boluda e José Goris.


Pela Equipa do DTS

E com esta já sao três as ediçoes das Jornadas das Letras Galego-Portuguesas em Pitões das Júnias.

Dia 30 de Maio Sexta-feira (Hora portuguesa)
20:00: Receção dos participantes nas Jornadas na casa de Turismo Rural do Padre Fontes em Mourilhe e atuação do Bruxo Queimam e o Padre Fontes.
21:00: Ceia na Casa Rural do Padre Fontes em Mourilhe (ceia 18 Euros)
23:00: Deslocamento dos palestrantes a Pitões

Dia 31 de Maio Sábado (hora portuguesa)
10:00: Apresentação das Jornadas
10:15: João Paredes: “A utilidade do celtismo. Celticidade galaica no S. XXI”
11:15: Rafa Quintia e Miguel Losada: “Celtismo, construção cultural e identidade”
12:15: Perguntas, questões e debate.
12:45: Descanso e café
13:00: Oinaikos Kallaikoi
14:00: Comida popular na Praça da Junta da Freguesia (música)
16:30: Oinaikos Kallaikoi
18:30: Maria Dovigo: “O conto de Santo Amaro, desde a procura da ilha paradisíaca à diáspora dos galegos de Lisboa”
19:30: Debate, perguntas e questões
20:00: Descanso, café e visita por Pitões.
20:30: Folião celto-galaico.
21:00: Atuação do Bruxo Queimam
21:30: Folião celto-galaico.
21:45: Ceia livre por Pitões

Dia 1 de Junho Domingo (hora portuguesa)

10:00: Abertura da sessão
10:15: Alberte Alonso: As pedra-fitas, observadores astronómicos.

11:15: André Pena Granha: Constituição política celta das galaicas trebas e toudos. Etno-arqueologia institucional.
12:15: Pedro Teixeira da Mota: “As fontes matriciais de Portugal”
13:15: Debate, perguntas e questões
13:45: Encerramento
14:00: Almoço no Dom Pedro.

A GENTE PODE VIR LIVREMENTE ÀS JORNADAS. NÃO HÁ QUE PAGAR MATRÍCULA, SÓ HÁ QUE PAGAR A CEIA NA CASA DO PADRE FONTES O DIA 30 DE MAIO ÀS 21:00 HORAS.
NÃO É OBRIGATÓRIO ASSISTIR A ELA PARA PARTICIPAR NAS JORNADAS MAS QUEM QUISER VIR DEVE CONFIRMAR PARA OS COZINHEIROS PODEREM MEDIR AS QUANTIDADES E A GENTE ASSEGURAR UM LUGAR ENTRE OS COMENSAIS.

-CEIA:
-Atuação do Bruxo Queimam às 20:30 aproximadamente.

EMENTA:

-Entradas: azeitonas, presunto, chouriço e fios de bacalhau
-Prato principal: Carne assada, salada de alface, arroz, verduras cozidas e ovos cozidos
-Sobremesas: Torradas e frutas
-Bebidas

Preço: 18 Euros a ceia.

AS COMIDAS E AS DORMIDAS DIÁRIAS EM PITÕES DAS JÚNIAS PARA OS ASSISTENTES, AQUI NESTE LINK::
http://www.pitoesdasjunias.com/alojamento-e-produtos.html
http://www.casadopreto.com/
http://anaerusso.wix.com/sabores-de-pitoes/site#!__site
https://www.facebook.com/restaurantedompedro.pitoes
http://ww7.abrigosdepitoes.com/
http://www.casacampoferreira.blogspot.com.es/
https://www.facebook.com/pages/αβ-COMPOTAS-DO-MOSTEIRO/145993235459469

Link da Junta de Freguesia de Pitões das Júnias:
http://www.pitoesdasjunias.com/

Link do Concelho de Montalegre:
 http://www.cm-montalegre.pt/

domingo, 15 de janeiro de 2012

As confrarias guerreiras galaicas. O transe guerreiro e os deuses obscuros


Por David Outeiro

Continuamos tentando resolver o enigma que vincula a caça selvagem aos ritos de iniciação galaicos e os deuses obscuros. Agora avançamos até a Idade do Ferro, a Kalláikia, posteriormente Gallaecia. Neste período, esta terra conta já com povoados fortificados em todo o seu território. São os castros. Evidencias da belicosidade dum povo composto por múltiplas trebas guerreiras.
Neste caso achamos novos ritos de iniciação associados a fratrias guerreiras. A existência de confrarias guerreiras galaicas é evidente, existindo inclusivamente o epígrafe Lanceroi (Vilar de Perdizes) que faz referência a guerreiros armados com lanças. Diz Estrabo a respeito dos povos que habitavam as ribeiras do Douro que comiam uma vez ao dia, com limpeza e sobriedade se banhavam em agua fria, tomando com frequência banhos de vapor. Também diz que utilizavam pedras candentes ao igual que os espartanos, pondo em relação costumes guerreiros. As saunas galaicas ou Pedras Formosas são a evidência da realização deste tipo de rituais. Estas construções podem ter uma origem muito antiga. Já nas Ilhas Britânicas existiam as burnt mounds, saunas da Idade do Bronze.
Numa citação o Almagro Gorbea diz: "Uma tradição muito antiga, a que caberia supor uma raiz indo-europeia, a julgar pela ideologia que implica, os povos que a praticavam e a sua estreita associação a confrarias de guerreiros"
Estas construções são um bom exemplo dum rito de iniciação apresentando-nos inclusivamente uma simbologia reveladora. Temos de observar neste momento, a sauna de Briteiros e a sua simbologia composta por um trisquel levógiro, um dextrógiro e um "inexistente" que harmoniza a composição.
Citando a José Inácio Regueiro Castro: "As aspas que viram no sentido horário nos trisqueis projetam a energia de cara a nós. Para quem observar, pela contra, se o giro é anti-horário, tiram da energia para o interior da superfície onde estão grafados. É o trisquel, segundo a orientação, gerador ou destrutor ...Além de vermos, na pedra formosa de Briteiros, que se sinala antiteticamente o progresso e o retrocesso, a construção e a destruição, podemos intuir que estamos perante da terceira aspa que não podemos perceber, ou que não temos possibilidade de sentir desde a herança greco-latina imperante."
Esta é para mim uma clara simbologia associada a um rito de iniciação e portanto à morte ritual daquele que aspira a ser um guerreiro integrado na fratria. Quando o aspirante a guerreiro entra na sauna, primeiro entra no vestíbulo, depois se passa a antecâmara...onde se acha frente a "pedra formosa". Neste momento deu dous passos, o terceiro implicará o seu renascimento. Introduzir-se-á pelo oco da pedra formosa e acederá à câmara interior. Chegou o momento do renascimento, mas em que consiste?. O ciclo do guerreiro está vinculado ao trisquel, um ciclo necessário para o seu novo ser A pessoa nasce e cresce e neste período vai formando o seu ego, enchendo a sua mente inconsciente a qual repercutirá na mente consciente. 
Segundo os psicólogos transpessoais e segundo as ensinanças xamãnicas, o rito iniciático ou de passagem é a resolução do conflito duma crise interna. Essa crise interna desestabiliza a harmonia do indivíduo. Passada esta crise, a pessoa adquire a firmeza dum novo sentido. O vida do guerreiro e a sua iniciação encaixa com o trisquel, o levógiro que é construtor...mas esta personalidade deverá mudar. O guerreiro começa a via de passagem, isto implica  a necessidade de rachar com o passado, de superar a crise. É o trisquel dextrógiro e destrutor que atrai a energia. Finalmente o guerreiro passará  a pedra formosa, que é uma "membrana" que o comunicará com outras realidades, com o Além...onde conhecerá esse trisquel que parece oculto. O guerreiro chegará portanto ao conhecimento mediante a indução dum estado alterado de consciência. Temos de ter em conta, que os guerreiros se encomendavam aos deuses da guerra, por isso é porque o transe extático poderá implicar esse vinculo sem retrocesso. 
Lembremos que dum ponto de vista etimológico o enteógeno está composto de “êntheos" (que têm um deus dentro) e “génos” (origem, tempo, nascimento). O enteógeno ou o estado alterado de consciência é aquilo capaz de despertar a consciência de deus no homem...é o acesso ao inconsciente e a confrontação com os medos tão necessária para o renascimento. É provável o uso de enteógenos neste tipo de construções se temos em conta certos elementos paralelos. Heródoto (IV,75, 1-2) testemunha o emprego de canábis pelos escitas em contextos similares. As saunas são, aliás, recintos propícios para acrescentar o efeito dos enteógenos em relação ao transe extático. "Portanto, estas construções oferecem o quadro mais propício para o emprego de alucinógenos como parte integrante de estes rituais de purificação e ritos de passagem que diversos autores vincularam a confrarias de guerreiros" (Almagro Gorbea e Álvarez-Sanchís, 1993; Almagro Gorbea e Moltó, 1992).
Finalmente o guerreiro pôde aceder a essa parte da realidade que está oculta como uma dimensão paralela na que adquire certos conhecimentos e constata com os deuses. Mas também pôde apreender a desencadear um transe de fúria guerreira do que falaremos a continuação. Desta experiência sairá um novo guerreiro, que após abandoar a sauna será incorporado à fratria.
Diz um provérbio Taoísta  que apanhei do Académico da AGLP, Artur Alonso Novelhe “Aquele que conhece aos demais é inteligente, aquele que se conhece a si mesmo se torna iluminando. Aquele que vence aos demais é forte, aquele que se vence a si próprio se torna invencível” e que continua com um comentário "Para vencer-te a ti mesmo, primeiro tens de conhecer-te… para conhecer-te tens que penetrar dentro de ti… e como bem explicam todas as mitologias do mundo, tens que vencer tuas sombras, para renascer na luz… Nesse renascimento voltas-te invencível… Isso dizem, aqueles que fizeram esse tipo de experiência…".
Já temos portanto dous ritos iniciáticos no passado galaico: a caça de animais e a entrada em saunas. Mas uma vez passado o rito iniciático, temos de fazer uma reflexão sobre os deuses dos guerreiros e sobre as suas novas capacidades. Comecemos por fazer uma observação doutras fratrias guerreiras da Europa...Tal e como apontei noutro artigo, Bândua/Cosus é o equivalente galaico de Odin e de Ógmios...deuses associados a estas organizações guerreiras. Por enquanto teremos que traçar paralelismos para nos achegarmos aos guerreiros galaicos.
Diz o Ynglingasaga, 6.: "Os seus homens (de Odin) atacavam sem proteção, raivosos como cães ou lobos, travando  nos seus escudos, fortes como ursos e touros. Matavam aos seus inimigos mas resultavam invulneráveis ao lume e ao ferro. É o que se chama furor dos Berserker". O caráter distintivo dos Berserker e dos Ulfhednar são as peles de animais com as que se recobrem. De urso no primeiro caso e de lobo no segundo. O facto de levar peles de animais pode ser devido a realização da sua prova iniciática na que após se introduzir na floresta, terá de dar caça a um urso ou um lobo para adquirir o seu poder. Segundo H.R Ellis, o urso simboliza o "campeão solitário" e o lobo ao novo guerreiro habitante das florestas.
Para G. Dumézil, os berserker de Odin não só se assimilavam a lobos ou ursos mas também é que se transformavam neles. Citando a Antonio Balboa Salgado: "Nas sagas escandinavas, alguns guerreiros aparecem em sonhos ou na realidade com forma de animal. De tal jeito, o furor ajudava a exteriorizar o segundo ser que vivia dentro deles. Portanto, o aspecto exterior manifestava e reafirmava (pintando o corpo de preto ou vestindo peles) o seu verdadeiro ser".
Poderiam, portanto, se transformarem em animais ao igual que Odin. Dentro de estes guerreiros, Odin elegia para a sua comitiva aos "enherjar"; guerreiros que treinavam no Valhalla para a luta final do Ragnarok. O enteógeno por excelência destas fratrias guerreiras era, novamente, a Amanita Muscária. A vinculação de Odin com a Amanita Muscária é clara. "Dizia-se que quando o deus Odin galopava sobre o seu cavalo, da boca caia uma escuma vermelha que, ao chegar ao chão, se transformava no fungo" (Breve historia de los vikingos p.31).
Uma fratria celta sobre a que temos mais dados é a dos Fianna, dirigida por Fionn Mac Cumhaill. Associados aos Deuses dos Laços (Ogma) ou a Lugh, eram guerreiros obscuros e carregados de furor bélico. O seu contato com o Sidh, o Além, é patente. Mas sobre tudo eram conduzidos por meio de animais tal e como seriam conduzidos os caçadores-guerreiros galaicos da Idade do Bronze. Temos evidências de transformações, de transes extáticos entre os celtas.
Citando ao Professor e Académico Higino Martins Esteves (As Tribos Caláicas): "Estudando as pegadas de épica céltica em Castro Leboreiro, vimos seu herói CúChulainn "Cão de Culann". De Cúchulainn é a “riastrad” (contorçom), que sofria ao entrar em transe de fúria. Cria-o eu mero exagero arcaico. Agora vejo experiências cenestésicas dos guerreiros intoxicados acantonadas na memória do herói máximo. O eriçar de cabelos notará a concentrada sensaçom de tensom. O fio de sangue no coruto seria imagem cenestésica da pressom sanguínea, que cristalizou no tufo dos capacetes indo-europeus (apontam vertiginosa antiguidade desse imaginar). O olho único -além de remedar o pai divino Lugus na batalha-, junto das contorções dos membros, também nasce da cenestesia alucinada. A "Lón (luan) Laith" (luz do herói), o maior mistério da "riastrad", talvez seja a luz interior que acompanha a exaltaçom física, nom lume projetado”.
Há mais. Um relato sobre CúChulainn fala-nos da fúria que era capaz de desencadear. Foi tanta a euforia á que chegou um dia, que o seu próprio tio temeu a chegada de do herói à corte, pola virtude das suas mulheres e pela vida dos seus guerreiros. Isto aconteceu depois de cortar as cabeças dos soldados duma fortaleza, capturou a dous cervos gigantes e matou com duas pedradas duas dúzias de cisnes. Então capturaram ao nosso protagonista e introduziram-no num caldeiro de água fria...mas ficou vazio. Repetiram a operação e a água começou a ferver. Ao enchê-lo pola terceira vez, a agua simplesmente aqueceu. Finalmente conseguiram tranquilizar ao mítico guerreiro. O herói celto-irlandês seria capaz de desencadear esta fúria nas posteriores batalhas.
Todo isto fala-nos dum rito iniciático, já que o Cúchulainn é o cão de Culam. Adquiriu o seu nome (antes era Setanta) após vencer a este cão. O guerreiro identifica-se portanto com este animal ao igual que os berserker com os ursos ou os ulfhednar com os lobos. Mas Cúchulainn também é capaz de desencadear transes. Se os berserker estavam vinculados com Odin, a vinculação de Cúchulainn com Ogma é clara, tal e como apontamos no passado artigo. Também Fionn imitava a este deus obscuro. Ógmios na Gália e Ogma na Irlanda, está emparentado com o grego Ogmos (linha,fila,caminho) relacionado também com Hégemon (guia, general). Ogmios é um marte celta identificado com Herakles por ir recoberto com uma pele de fera. Essa pele de fera é de novo a mostra de que o deus está vinculado com um animal no que se transforma. Este deus aparece também como um personagem sombrio vestida de preto que aparece com jovens encadeados a ele. De facto sabemos que existia uma classe de guerreiros celtas que combatiam encadeados para imitar o deus ao que se encomendavam. 
Se voltamos a vinculação de Marte e Ogmios vemos que estes dous deuses similares têm uma caraterística comum no que diz respeita da transformação em fera pois se Ógmios porta uma pelica, Marte está vinculado com o lobo. No mundo clássico também Zeus e Apolo estão vinculados com o lobo. É interessante apontar a que numa sauna relacionada com ritos iniciáticos dórios em Thera (Grécia) há uma inscrição dedicada a Apolo Lykeios, uma divindade que segundo Peter Anglesey também tem a ver com o transe extático praticado por meio da "quietude" em covas mercê ao isolamento sensorial. Vemos portanto que estes deuses têm em comum a fereza, a vinculação com um animal psicopompo e o transe extático....mas existia isto entre os Galaicos?.
Como bem apontamos noutro artigo, no contexto celto-atlântico no que nos achamos, Bândua é o equivalente galaico de Ógmios/Ogma, muito similar ao Odin germânico. Como deus dos laços, os guerreiros se vinculavam a ele. Se fizermos uma nova análise dos seus epítetos podemos tirar dados interessantes: Aetóbrigus "a fortaleça dos fogosos" ou "fogosamente forte" e Roudeacus "vermelho". Essa fogosidade, esse furor que faz ao deus avermelhar é o mesmo furor dos berserker, dos ulfhednar...é a “riastrad” e a fúria de Cúchulainn que adquire tais dimensões que é necessário introduzi-lo em caldeiros com água fria. 
Os galaicos conheciam as propriedades da Amanita Muscária e obviamente eram capazes de desencadear os transes que os levavam a lutar com furor na batalha. Esse fungo provavelmente estivesse vinculado com Bândua, da mesma forma do que o está com Odin e igualmente do que a fúria, a fortaleza e transe traça uma relação entre Ógmios/Ogme e Cúchulainn. Alguns dos capacetes galaicos podem ser uma alegoria a essa pressão craniana que se sente por vezes num transe de fúria extática, o “Lón Laith” (a luz do herói). Muitas representações de guerreiros celtas fazem uma alegoria a animais-espírito com os que se vinculam, javalis, aves etc... mas também é possível a representação da vinculaçao com o animal por meio da fúria, os tufos e o pelo ouriçado. Mas...vestiam os guerreiros galaicos com peles de lobo ou urso? Eu acho que sim.
Temos várias testemunhas com respeito a guerreiros celtas da P.Ibérica que realizavam dita prática. Há duas representações iconográficas: A estela de Zurita e o Vaso dos guerreiros de Numância. Mas também Apiano (Iber. 48) relata como no 142 a.C. os habitantes de Nertóbriga na Celtibéria enviaram a Marcelo, um mensageiro vestido com pele de lobo para solicitar a paz. Na Gallaecia temos por uma parte Artódio- "ossuno, urssino", que para o Professor Higino Martins é o topónimo perdido da terra do  Carvalhinho (As tribos caláicas p 493-494). Temos nestas terras Beariz (chefe, urso), o Mosteiro de Useira (Ursaria: terra de ursos) e o seu leste a Serra Martinha (Serra Martiniana, a dos Martinii) que faz referência a Marte, o guerreiro. Estas e outras evidências concordam com a vinculação do urso, animal que representava a classe guerreira no mundo indo-europeu. 
Temos por outro lado uma evidência no Castro Leboreiro (Concelho de Monção) em relação com o cânido que também aponta o Professor Martins. Topónimos como Quinjo, Lobeira e Penagache estão relacionados etimologicamente com os cânidos. A treba desde território era a dos *KWARKERNOI (Quarcerni) que para o autor está relacionado etimologicamente com "os dos capacetes ornados ou tufos" quer dizer a representação do preto sangue elevado pelo coruto da cabeça que caracterizava a Cúchulainn e ao transe extático guerreiro. Para além disto, em certos pontos da terra ocupada por esta tribo (teuta), rendia-se culto a Bândua. Vemos nesta altura uma vinculação entre Bândua e as fratrias relacionadas com o transe e a transformação em animal muito semelhante a Odin e os seus guerreiros assim como Cúchulainn e Ógmios/Ogma.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Do trísquel para acô.



Por José Inácio Regueiro Castro (José Capeloso)

A força do três caiu baixo o dualismo ocidental, do mesmo jeito que o gálata moribundo ou ferido baixo o greco-romano poder?..., mas o turcado ainda não ficou ..., morreu?

O trisquel permaneceu nas esquinas atlânticas, como a morralha batida nos recantos das praias.

A simbologia do trisquel, está no fundo do profundo do inconsciente colectivo da humanidade.

O trisquel, o fluir espiral, anda na base da física ondulatória que rege o movimento de tudo, desde o das partículas subatômicas até o das galáxias, no chamado toroide, da matemática vorticial. Simbolizada forma no imaginário comum da humanidade como o ovo cósmico.

O trisquel pode ser entendido como uma representação no plano de algo que tem volume, o toroide, a matriz.
Este ovo cósmico, de vida e morte, está construído polo enguedelhamento das serpes.

A trança começa co três, pois a trança é o trance, é o transe, o começo do movimento harmônico da hélice, o vórtex, a entrada, a saída, a porta da Sila. 

Estados alterados de consciência, meditativos ..., ajudam a emergir esta tríplice forma à superfície do pensado.

A chamada geometria sagrada também nos leva polo trisquel.

Pois o trisquel não é mais que a flor da vida em movimento, a hexapétala em ato ação.

Nas tradições indo-europeias antigas vê-se a força do três:
O sufismo, definido num esboço como a rama mística do islão, tem um símbolo chamado eneagrama, que entre outras cousas serve para o estudo das personalidades.

O eneagrama, divulgado em ocidente por Gurdjieff, nasce do três, faz parte da lei do três, que indica que em qualquer fenômeno atuam, confluem, três fontes ou forças: ativa, passiva e neutra.

Trindade que tem o seu aquele, e quebra a lei de causa e efeito,  que aqui no ocidente é tida por verdadeira. Para outras conceições do fluir do real, a existência dum terceiro fator, no cenário do evento causal, é considerada: Causas e efeitos flutuam a esmo, e no tempo-espaço ambos confluem, "semelhando" que uma é seguida polo outro, mas, doutro local, um terceiro vetor, invisível para a dualidade, conflui no acontecimento, e é presente também, e é necessário para que o facto seja feito.

Isto encontramo-lo desenvolvido também na tradição hindu onde rajas, tamas e sattwa, as três gunas, representam as qualidades da forma, forças que entrelaçadas conformam o real; simplificando-o: rajas é ação, tamas é inação e sattwa é não-ação.

O pensar dualístico, dominante sobre a trinitária conceição, conforma um modelo onde a "inexistência", por impensável, duma terceira posição marca, com um profundo suco, a interpretação da realidade.

Este dualismo rígido pode ser limitante.

No oriente há uma triada que dá muito para cavilar à ocidentalidade: apego, desapego e não-apego. Triada que dizem ser primordial caminhar para atuar com verdadeira integridade, triada talvez conhecida na celticidade e noutras culturas do antigo, onde os touros, vacas ou outros ruminantes tricornes aparecem como emblemas significativos de culto do ser guerreiro.

Um trisquel tridimensional, ou de mais dimensões, leva a um Tudo formado por três partes principais. Nós moramos e somos capazes de observar uma só região, que em certo sentido é fechada em si, existindo "limitada" entre duas das três pás do rodício giratório do trisquel, percebendo o acontecer em duas das três coordenadas, mas ...

É o trisquel um lugar de três universos, talvez um universo fractal do três.
Nas paredes das aspas do trisquel polidimensional espelham-se os aconteceres, no centro rebenta a flor da vida em cada feito. Na tela, na pantalha da parede, apenas somos capazes de ver duas terceiras partes do acontecido.

A flor da vida forma-se pola comunhão das três disposições iniciais (causa, efeito e "terceira força"), e os seus rebotes combinatórios.

Explodem as seis pétalas da flor, mas há outras três que para nós ficam fora do nosso espaço-tempo, projetadas na aspa do trisquel que não podemos enxergar.

Esta flor da vida de nove pétalas está desenhada em diversos símbolos,como no valknut viquingue onde três dos seus nove vértices ficam ocultos.

O trisquel é tão poderoso que alicerça uma cosmogonia, sustém uma interpretação da maia do real diferente do paradigma dual.

Vamos então ver uma das pedras formosas de Briteiros, que o amigo David Outeiro inteligentemente me indicou como representação desta trindade conceitual.

Há dous trisqueis, um levogiro e outro dextrogiro, e uma terceira gravura que completa e harmoniza a composição, mas que está "limpa", no canto inferior direito.

Para alguns autores, esta terceira forma ficou sem talhar por premura ou por esqueço, mas talvez foi assim deixada para indicar o terceiro lugar do paradigma trinitário, por isso é difícil desde o dual compreender e dar com a razão de tal "esquecimento" no desenho do conjunto.

As aspas que viram no sentido horário nos trisqueis projetam a energia cara nós, para quem observa, pola contra se o giro é anti-horário, tiram da energia para o interior da superfície onde estão grafados. É o trisquel, segundo a orientação, gerador ou destrutor ...

Além de vermos, na pedra formosa de Briteiros, que se sinala antiteticamente o progresso e o retrocesso, a construção e a destruição, podemos intuir que estamos diante da terceira aspa que não podemos perceber, ou que não temos possibilidade de sentir desde a herança greco-latina imperante.

Doutro jeito, aqui na pedra ordenam o rajas, o tamas e o satwa da celticidade.

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